sexta-feira, 16 de junho de 2017

Testemunhas dizem que médica que se negou a atender bebê tinha conhecimento do quadro de saúde dele

Haydee Marques da Silva também teria recebido informações de que paciente seria uma criança.

Por Bom Dia Rio

Bebê morre depois que médica se negou a prestar socorro (Foto: Reprodução)
Bebê morre depois que médica se negou a prestar socorro (Foto: Reprodução)

Mais três testemunhas afirmaram em depoimento ontem na 16ª DP (Barra da Tijuca) que a médica Haydee Marques da Silva tinha recebido informações que o próximo paciente que ela atenderia seria uma criança, antes de chegar à casa do menino Breno, de 1 ano.

Saiba mais sobre o assunto:




Segundo os depoimentos, ela também já sabia sobre o quadro da criança e que se tratava de um chamado urgente, com prioridade. Breno Rodrigues Duarte da Silva tinha um problema neurológico, passou mal e só podia ser transportado para o hospital de ambulância e acabou morrendo.

Na última segunda-feira (12), Haydee disse que não tem não tem responsabilidade na morte da criança não corria risco de vida e tinha uma unidade de cuidados especiais em casa. De acordo com o relato da médica, a técnica em enfermagem teria informado que o quadro era de uma gastroenteirite de uma criança de um ano com neuropatia.

"Estou triste e muito abalada pela criança ter morrido, mas não estou arrependida porque não fiz nada de errado do código de conduta médica. Eu pedi outra unidade, com pediatra para atendê-lo. Não sou pediatra, não sou neurologista, pedi à outra unidade de ambulância para atender esta criança. Disseram que a unidade estava indo”, disse a médica.

As câmeras de segurança do condomínio onde a criança morava mostraram que a ambulância da empresa Cuidar, terceirizada, chegou às 9h10. Mas a médica que aparece gesticulando e rasgando papéis sequer desceu do carro. Foi embora três minutos depois, sem atender o menino. Ele morreu às 10h26, antes que a segunda ambulância chegasse ao endereço.

A médica foi à 16ºDP (Barra da TIjuca) nesta segunda-feira (12) (Foto: Fernanda Rouvenat/ G1)
A médica foi à 16ºDP (Barra da TIjuca) nesta segunda-feira (12) (Foto: Fernanda Rouvenat/ G1)

Assim que a notícia se tornou pública, outros casos apareceram, como o do paciente Leonel Martins, que respirava com a ajuda de aparelhos. Ele precisou ser levado de ambulância para fazer um exame de ultrassonografia. A médica encarregada de transportar Leonel para o hospital era a Haydée. A família diz que ela foi negligente.

“Quando a ambulância chegou, ela olhou para o meu pai, viu que era paciente de traqueostomia e ventilação mecânica, mas super saudável, conversando, se alimentava com a própria mão. Ela pegou, falou assim: ‘Ué, mas o paciente é de ventilação mecânica?’ Ela se assustou. Aí, quando ela chegou, ela falou assim: ‘Vamos fazer logo o atendimento porque eu estou com fome, eu quero almoçar. Vamos logo com esse atendimento’”, contou um ex-colega.

Haydée também tem uma anotação criminal por agredir uma paciente, em 2010. O Conselho Regional de Medicina disse também que a médica já sofreu uma sanção técnica, mas não explicou exatamente qual foi a punição e nem por qual caso.

Fonte: g1.globo.com

Nenhum comentário: