domingo, 16 de julho de 2017

Cadeirantes enfrentam dificuldades diárias para se locomover em Bauru - Veja o vídeo

Equipe de reportagem acompanhou a dificuldade dessas pessoas para fazerem tarefas simples como ir ao supermercado e utilizar o transporte coletivo.

Por G1 Bauru e Marília

Cadeirantes enfrentam desafios diários nas ruas de Bauru  (Foto: Reprodução/TV TEM)
Cadeirantes enfrentam desafios diários nas ruas de Bauru (Foto: Reprodução/TV TEM)

Ir à padaria, ao supermercado, levar e buscar as crianças na escola, ir ao banco e a farmácia: essas são atividades simples da rotina de pessoas que não precisam de muito esforço para sair de casa ou pegar um ônibus, por exemplo. Entretanto, para pessoas que tem a mobilidade reduzida, como um cadeirante ou pessoas idosas, atravessar a rua já se torna um desafio, principalmente, pela falta de locais com acessibilidade.

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A aposentada, Shirley Veloso, é uma dessas pessoas que tem dificuldade de se locomover pelas ruas de Bauru (SP). “Quando eu saio de casa, tenho que andar no meio da rua. O meu bairro é movimentado e têm muitos carros passando. Tenho que ficar atenta, pois existem muitos buracos no asfalto. Também não há rampas. Se eu pegar a calçada da rua onde moro, por exemplo, lá na frente não tem nenhuma rampa para eu poder descer”, diz.

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Falta de acessibilidade prejudica pessoas com deficiência em Bauru

E para fazer o trajeto Shirley precisa virar a esquina e descer da calçada. Isso porque no fim da rua, não existe rampa de acesso. Um caminho que ela faz todos os dias, com asfalto irregular e carros passando bem ao lado dela. Sem segurança nenhuma.

Quando ela finalmente encontra uma rampa, as dificuldades não terminam, pois, a cadeira pode travar, dependendo das condições em que a rampa se encontra. E para descer tem o risco da cadeira tombar.

“Às vezes eu preciso pedir ajuda e tem pessoas que me ajudam. Outros falam que não vão ajudar e tem pessoas que pedem pra gente sair da frente”, comenta.

Em 2015, a prefeitura de Bauru assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público para a implantação de rotas de acessibilidade. “Nós iniciamos neste mês a implantação das rampas de acessibilidade na Avenida Getúlio Vargas, na sequência vamos atuar na Avenida Duque de Caxias e após essa atividade, vamos pegar o trecho da Rodrigues Alves, onde tem o maior fluxo de ônibus da cidade ligando até a Praça Paradesportiva. Esse é um TAC que nós estamos implantando e temos a expectativa de entre o final deste ano e começo do outro nós consigamos concluir esse trecho. Mas, é claro que existem outros pontos na cidade que necessitam desse trabalho e nós vamos ter que trabalhar para implantar essas ações”, afirma o secretário de Obras, Ricardo Olivato.

E o secretário ressalta ainda a importância da sociedade colaborar com essas iniciativas. “É uma questão de conscientização para que cada pessoa que está construindo a sua calçada tenha o mínimo de consciência e já faça essa rampa para dar condições de acessibilidade a todos os munícipes. É uma questão que nem sempre é só o poder público que deve atuar.”

Transporte coletivo
Odirlei Cordeiro também é cadeirante e muito ativo. Ele mora na Vila Dutra e anda pela cidade toda de ônibus. E assim como a Shirley, os desafios dele também começam na porta de casa. Ele sabe onde descer, algumas casas para baixo, para que sua cadeira não tombe. Mas a segurança termina aí. O ponto de ônibus, que fica em uma esquina, não tem rampa. E se ninguém o ajuda, ele tem que esperar no meio da rua. “Em outro ponto [de ônibus] um morador fez uma rampa para mim, mas aqui não tem. Pessoas que me conhecem me ajudam. Mas quem não me conhece fica com um pouco de receio”, explica.

Ordilei chegou a ligar para o pessoal da manutenção, mas não conseguiu contato  (Foto: Reprodução/TV TEM)
Ordilei chegou a ligar para o pessoal da manutenção, mas não conseguiu contato (Foto: Reprodução/TV TEM)

A equipe de reportagem da TV TEM acompanhou Ordilei até o centro da cidade, usando o transporte coletivo. Assim que o ônibus chega, vem à primeira surpresa - o elevador que ajuda o cadeirante a entrar no veículo, estava quebrado. O motorista tenta, mas não consegue fazer com que o aparelho funcione. Ele liga para a empresa, avisando que há um cadeirante esperando. E para não perder tempo, Ordilei faz o mesmo, enquanto o ônibus vai embora.

“Isso é uma coisa que acontece sempre. A empresa fala que os ônibus saem da garagem com os elevadores testados, mas a realidade não é essa. E quando isso acontece, a sugestão que a empresa dá é para que eu espere outro ônibus”, relata Odirlei. Sem outra, alternativa ele espera. O segundo ônibus demorou cerca de 40 minutos para chegar. E desta vez, tudo estava funcionando como deveria. O motorista, que já conhece Odirlei, desceu e acionou o elevador. Ele ainda ajuda o passageiro a colocar o sinto de segurança, já dentro do veículo.

Chegando ao destino final, o motorista também precisa ajudar Odirlei a descer. “Para que eu não precise ficar tanto tempo esperando, eu pego sempre o mesmo ônibus, pois, aí não tem erro. Muita coisa precisa melhorar para nós, não só para mim, mas para pessoas com problemas físicos”, finaliza.

Em nota, a Transurb informou que todos os 234 ônibus que atendem às 69 linhas do transporte coletivo urbano de Bauru estão equipadas com plataforma de acessibilidade desde 2011. Além da manutenção preventiva periódica da frota, reparos são realizados sempre que identificado algum problema. A empresa também disponibiliza o transporte especial que deve ser agendado previamente pelo telefone (14) 4009-1744.

Calçadas fora do padrão dificultam a locomoção de cadeirantes  (Foto: Reprodução/TV TEM)
Calçadas fora do padrão dificultam a locomoção de cadeirantes (Foto: Reprodução/TV TEM)

Fonte: g1.globo.com

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