terça-feira, 25 de julho de 2017

Conduzir só com a boca e os olhos. Sim, é possível - Vejam os vídeos.

Verdadeiro exemplo de determinação e superação, Sam Schmidt, ex-piloto de Fórmula Indy, que um grave acidente afastou das corridas, recusa-se a deixar o volante. Apesar de estar tetraplégico.

TECH AUTO

Um milhão de dólares em tecnologia permitiram a Sam Schmidt voltar a correr. Apesar de não se conseguir mexer do pescoço para baixo

Hoje em dia com 53 anos, Sam Schmidt é um ex-piloto de Fórmula Indy que, além de ter sido “Rookie do Ano”, chegou a vencer o Grande Prémio de Las Vegas, em 1999. Momento que foi também o mais alto numa carreira que, no entanto, terminaria abruptamente no ano seguinte, na sequência de um grave acidente durante os treinos na Walt Disney World Speedway, em que Schmidt embateu num muro quando seguia a 338 km/h, acabando por ficar tetraplégico.


Apesar do infortúnio, o americano não baixou os braços e, hoje em dia, continua não só a conduzir, como até já participou em algumas provas, como a rampa de Pikes Peak. Mais do que isso, Sam criou uma fundação com o intuito de reunir fundos que possam financiar a investigação em torno das lesões da medula espinhal. Desde 2000, a Conquer Paralysis Now (inicialmente designada Sam Schmidt Paralysis Foundation) já angariou mais de 8 milhões de dólares, utilizados precisamente para a investigação científica.
O caso de Sam Schmidt, cujo amor ao desporto automóvel e, em particular, à Indy Cars levou a que seja hoje em dia proprietário de uma das equipas que militam naquele campeonato norte-americano, é, aliás, um exemplo de determinação e superação. Já que, conforme o próprio revela em entrevista ao programa “Jay Leno’s Garage”, após o acidente, o médico que o assistiu disse à sua mulher que, ainda que ele “conseguisse sobreviver à primeira semana, ficaria para o resto da vida acamado e ligado a um ventilador”.


A luta contra a resignação durou, no entanto, seis meses, após os quais Sam Schmidt, já sem poder mexer-se do pescoço para baixo, tomou a decisão de não se deixar abater pelo sucedido e tudo fazer para voltar àquilo de que realmente gostava: conduzir.
E a verdade é que, 17 anos após o acidente, foi isso mesmo que fez: ajudado pela empresa norte-americana especializada em eletrónica e computadores Arrow, Schmidt conseguiu que um superdesportivo Chevrolet Corvette Z06 “feito” à sua medida, lhe permita não apenas conduzir, mas também acelerar – inclusivamente, em provas de competição, como a Pikes Peak International Hill Climb.
No entanto, para que Sam possa continuar a deslocar-se à vontade e fazer uso da carta de condução que o habilita, apesar do estado em que se encontra, a conduzir veículos semiautónomos (terá sido o primeiro norte-americano a consegui-lo), o Corvette Z06 do ex-piloto conta não somente com a mesma componente técnica e de propulsão de qualquer outro modelo idêntico, como também com toda uma tecnologia de condução verdadeiramente inovadora. Composta por câmaras e sensores, esta tecnologia montada pela Arrow permite a Schmidt conduzir o carro utilizando, apenas e só, a boca e os olhos!


Actos como os de acelerar ou travar são realizados através do sopro ou da aspiração no tubo que o Schmidt mantém na boca, ao passo que o curvar é conseguido através de sensores nos óculos, que detectam com precisão o local para onde está direcionado o olhar. Sendo que o sistema está inclusivamente preparado para não se deixar afetar por reações inesperadas da parte do condutor, como espirros, piscares de olhos ou momentos de respiração mais acelerada – como aconteceu, por exemplo, em Pikes Peak, assume o americano.


Simples e ao mesmo tempo complexa, conforme o próprio programa de Jay Leno demonstra, a verdade é que toda esta tecnologia representa não apenas dedicação e determinação, mas também custos. Sendo que, para dispor de um Z06 igual ao de Schmidt, não deixa de ser preciso um investimento considerável – nada mais, nada menos, que um milhão de dólares, ou seja, pouco mais de 872 mil euros.
Fonte: observador.pt


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