quarta-feira, 5 de julho de 2017

Desafios na contratação de pessoas com deficiência

Consultora de recrutamento e seleção da TIM Brasil fala ao #blogVencerLimites sobre as estratégias da empresa para buscar e manter profissionais com deficiência em seu quadro funcional. "É no convívio diário que comprovamos a capacidade individual e a necessidade do tratamento igual para todos".

Luiz Alexandre Souza Ventura

Camila Pacheco é consultora sênior de recrutamento e seleção da TIM Brasil. Foto: Divulgação
Camila Pacheco é consultora sênior de recrutamento e seleção da TIM Brasil. Foto: Divulgação

A busca por pessoas com deficiência para ocupar vagas em todos os setores e níveis hierárquicos de uma empresa envolve detalhes que vão além da capacitação. Colocada sempre como uma das principais dificuldades, a falta de conhecimento pode ser resolvida com treinamento, se houver interesse genuíno na inclusão. A função que o empregado irá exercer é determinante, mas muitas companhias ainda cometem o erro de subutilizar funcionários, com a única meta de cumprir as exigências da Lei nº 8.213/1991 – a Lei de Cotas. Remuneração, benefícios, flexibilidade de horário e a possibilidade de atuar em domicílio também são pontos fundamentais.

O #blogVencerLimites visitou a TIM Brasil no Rio de Janeiro, no bairro de São Cristóvão, e conversou com Camila Pacheco, consultora sênior de recrutamento e seleção da operadora, para entender como a empresa encontra e mantém pessoas com deficiência em seu quadro funcional. E sobre os investimentos em acessibilidade e práticas inclusivas.

“Treinamento é fundamental para o empregado aprender a exercer a função, conhecer a atividade, mas também fazemos acompanhamento no local de trabalho até que ele entre no ritmo da empresa”, explica a consultora. “Ainda há muita dificuldade na contratação por causa do conflito com o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Apesar de oferecermos remuneração superior ao que a pessoa recebe no benefício, as dificuldades enfrentadas para chegar ao local de trabalho desestimulam”.

Matriz da operadora, na Barra da Tijuca, tem pessoas com deficiência em diversos cargos e níveis de comando. Imagem: Divulgação
Matriz da operadora, na Barra da Tijuca, tem pessoas com deficiência em diversos cargos e níveis de comando. Imagem: Divulgação

Segundo Camila, outra barreira encontrada pela companhia é a proteção familiar. “Você tenta falar com o candidato, telefona para ele, e quem atende é um parente, pai ou mãe, diz que a pessoa não tem interesse, mas essa pessoa é capaz e está interessada”.

A distância entre expectativa e realidade também afasta muitas pessoas com deficiência do trabalho, afirma a consultora. “Existe essa cultura do horário comercial e a valorização extrema do feriado. Isso não possível para quem trabalha na área de prestação de serviços que não podem ser interrompidos”.

Camila Pacheco ressalta que muitos empregados do atendimento – área com grande demanda de recursos humanos e de alta rotatividade em todas as companhias – pedem demissão e aceitam salários menores em outras empresas se a função é exercida de segunda à sexta-feira, das 8h às 18h. “Muitas vezes, são companhias que não valorizam o potencial dessa pessoa, mas ela aceita essa situação”.

Área de atendimento tem grande demanda de recursos humanos e alta rotatividade em todas as companhias. Imagem: #blogVencerLimites
Área de atendimento tem grande demanda de recursos humanos e alta rotatividade em todas as companhias. Imagem: #blogVencerLimites

Parcerias com empresas especializadas, consultorias e instituições também ajudam. No caso da TIM Brasil, ações em conjunto com o projeto ‘Oportunidades Especiais’ – que percorre o País e reúne empresas com vagas abertas para contratação de pessoas com deficiência – têm mostrado bons resultados.

“A maior parte dos candidatos faz inscrição pela internet, mas muitos ficam sabendo das vagas quando encontram a estação do projeto em um shopping. Essa pessoa está em busca de uma oportunidade e nem espera encontrar naquele momento de lazer essa chance. Costuma haver muita adesão”.

Giulia – A TIM Brasil é uma das empresas que apoiam o Giulia,, aplicativo que traduz em áudio os sinais da Libras. E a contratação de pessoas com deficiência auditiva é um desafio no mundo corporativo. “O maior obstáculo é a comunicação, porque poucas pessoas fora da comunidade surda conhecem a Língua Brasileira de Sinais”.

Ação faz parte de uma série de iniciativas do programa TIM Acessível. Imagem: Reprodução
Ação faz parte de uma série de iniciativas do programa TIM Acessível. Imagem: Reprodução

Funções – É na matriz da operadora, na Barra da Tijuca, principalmente por causa das funções exercidas no local, que pessoas com deficiência são encontradas em diversos cargos e níveis de comando. “É nesse convívio que aprendemos sobre esse universo, que comprovamos a capacidade individual, que entendemos a necessidade do tratamento igual para todos”.

Hunting – Buscar pessoas com deficiência já empregadas é uma prática comum, diz a consultora. “Quando a pessoa está na mesma companhia há muito tempo, recebe tratamento igualitário, é respeitada, fica mais difícil convencê-la a aceitar a nossa proposta. Para fazer isso, temos de trazer essa pessoa, mostrar como trabalhamos e provar que, de fato, ela será valorizada”.

Acessibilidade – A operadora tem investido constantemente nos recursos acessíveis de seus prédios operacionais e corporativos, em sistemas específicos, equipamentos de mobilidade, modificações arquitetônicas e observado detalhes para melhorar o ambiente de trabalho.

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