terça-feira, 11 de julho de 2017

Empoderamento e independência da pessoa com deficiência são focos do Centro de Tecnologia e Inclusão

Cursos, palestras e workshops visam colocar as pessoas com deficiência no controle de suas vidas, fazendo com que sejam mais independentes e empoderadas

O CTI disponibiliza uma van própria para facilitar o percurso dos usuários do metrô Jabaquara até o local

O empoderamento da pessoa com deficiência é mais que necessário, é importante para a sua independência, autonomia e quebra de preconceitos. Pensando nisso, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, inaugurou, em 2014, o Centro de Tecnologia e Inclusão – CTI, espaço onde pessoas com e sem deficiência podem vivenciar experiências de empoderamento e participar de ações de inclusão, por meio de cursos, palestras sobre direitos e cidadania, oficinas e atividades voltadas ao protagonismo e construção de uma sociedade mais justa, digna e cidadã.

Desde 2014, o CTI prestou mais de 100 mil atendimentos para 1.440 usuários. O espaço tem como principal objetivo promover o protagonismo das pessoas com deficiência. Lá também é possível visitar um showroom com exposição de equipamentos e recursos tecnológicos para pessoas com deficiência, como máquina braile, ampliadores de tela, utensílios para facilitar o dia a dia, áudio livros, entre outros. Sua gestão administrativa está a cargo da SPDM - Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina.

O foco do CTI envolve os profissionais e as pessoas que lidam diretamente com o público com deficiência. São oferecidos cursos como o de Cuidadores, por exemplo, que tem como objetivo capacitar de forma teórica e prática profissionais e pessoas ligadas de alguma forma aos cuidados de pessoas com deficiência nas atividades de vida diária, identificando suas necessidades e expectativas em relação a vários aspectos da vida cotidiana, respeitando sua individualidade, e incentivando sua autonomia e independência para garantir melhor qualidade de vida.

Segundo Sylvia Cury, Gerente Técnica do CTI, “o Centro se posiciona como um polo inovador não só no desenvolvimento de tecnologia, mas também de qualificação. É um espaço que abrange diversas ações não só para a pessoa com deficiência, mas para quem trabalha na sociedade de um modo geral”.

Entre os cursos realizados pelo Centro destacam-se: Preparação para o Mundo do Trabalho, Libras, Moda Inclusiva e Manutenção de Cadeira de Rodas. Os quatro, cada um com seu objetivo específico, visam colocar a pessoa com deficiência em foco e trazê-los para mais perto do mercado de trabalho.

O curso de Manutenção em Cadeira de Rodas desenvolve aulas expositivas e práticas. É voltado a pessoas com deficiência e para quem se interessar a empreender um novo negócio. O objetivo é auxiliar as pessoas que utilizam esse meio de locomoção, pois não há um mercado com esse foco. A manutenção, muitas vezes, é feita por profissionais de outras áreas, que não tem conhecimento sobre como lidar com consertos de cadeiras de rodas.

Para que a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade aconteça de fato é necessária observação atenta ao relacionamento social e convivência entre pessoas com e sem deficiência. Pensando nisso, o CTI desenvolveu o Laboratório de Imagem, em parceria com a franquia social Poeta Acessível (Poeta é sigla para Parcerias para Oportunidades Econômicas através da Tecnologia nas Américas), ação que visa desenvolver a conscientização para aspectos pessoais, sociais e profissionais, com o intuito de possibilitar a autonomia, sociabilidade e postura profissional adequada para uma possível inclusão laboral.

Essa parceria foi firmada em fevereiro de 2017. O Poeta é uma ação da iniciativa da The Trust for the Américas - OEA (Organização dos Estados Americanos), que existe desde 2004 e oferece cursos de informática com tecnologia inclusiva para capacitação para o mundo do trabalho.

Sylvia Cury destaca que o curso visa trabalhar com as pessoas que passam por todo processo de reabilitação, pois elas acabam perdendo a sua identidade e precisam ter um resgate não só pessoal, mas também no sentido profissional. “O curso trabalha com todos para que a pessoa possa exercer a sua cidadania; identificar suas habilidades por meio de terapias ocupacionais. Tudo isso traz novas possibilidades às pessoas”.

O usuário do CTI, Matheus Albuquerque Muliterno, e sua mãe, Kelly.

Um exemplo é Matheus Albuquerque Muliterno, com 23 anos e deficiência física. Ele participou de uma das atividades do CTI, o Laboratório de Imagem, de janeiro a maio de 2017, e declarou: “o Laboratório mudou várias coisas em mim, quando comecei a participar não tinha vontade de trabalhar e agora eu tenho essa vontade”. O jovem contou que, motivado pelo ganho que o Laboratório acarretou, se inscreveu no Educação de Jovens e Adultos - EJA e projeta cursar Rádio e TV na faculdade, assim que finalizar o Ensino Médio. “O curso me deu possibilidade de socialização e lá eu fiz amigos”, finalizou Matheus.

A mãe de Matheus, Kelly Muliterno, auxilia o filho e o leva para os cursos. Ela acredita que deveriam existir mais locais como o CTI. “Para as pessoas com deficiência física faltam ainda muitos lugares apropriados que eles possam frequentar, por exemplo, aqui é um lugar que eu poderia deixá-lo sozinho, eu confiaria deixá-lo sozinho porque tem rampas, aqui dentro ele iria para qualquer lugar e seria independente total, banheiro e tudo, mas infelizmente nem todos os locais estão preparados”.

Jonas Borges, que tem deficiência intelectual e também participa do Laboratório de Imagem, concordou com Matheus quando foi questionado sobre a ação. “Gostei muito, já fiz alguns cursos aqui e o de Imagem também”.

Equipamentos apresentados no showroom do CTI

Além dos cursos, o CTI realiza capacitação de arquitetos por meio do Workshop Acessibilidade – Contexto Urbano Contemporâneo, em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo – CAU-SP, indo aos municípios das dez sedes regionais do Conselho, levando informações sobre desenho universal e acessibilidade.

A ideia é garantir programas municipais que atendam as demandas específicas de cada cidade para a efetiva aplicação de seus princípios em todas as áreas de projeto e obras. As cidades participantes são Santos, Campinas, Mogi das Cruzes, São José dos Campos, Sorocaba, São Paulo, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Bauru.

O Centro de Tecbnologia e Inclusão fica na Rodovia dos Imigrantes Km 11,5, no Parque Estadual Fontes do Ipiranga, em São Paulo, Capital. Há uma Van própria do CTI que busca os interessados em visitar o espaço ou os que gostariam de fazer algum dos cursos, na rua Anita Costa, 101 (saída do Metrô Jabaquara), todos os dias dos cursos, de 20 em 20 minutos e leva diretamente ao Centro.


*Redação e Fotos: Assessoria de Comunicação Institucional – Simone Nieves, Nathaly Rigo e Thiago Alves. Revisão e Edição Final: Maria Isabel da Silva – Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Governo do Estado de São Paulo. Contato: comunic@sedpcd.sp.gov.br

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