quarta-feira, 5 de julho de 2017

Hospital Infantil do Vaticano estuda receber bebê britânico com doença grave e terminal

'É um compromisso de amor que Deus confia a todos nós', comentou a diretora do Hospital Bambino Gesu sobre a transferência de Charlie Gard para Roma.

Por G1

 Doença causou surdez e impossibilita Charlie de chorar  (Foto: Reprodução/Facebook/Connie Yates)
Doença causou surdez e impossibilita Charlie de chorar (Foto: Reprodução/Facebook/Connie Yates)

O Hospital Infantil Bambino Gesu, ligado ao Vaticano, anunciou nesta terça-feira (4) que estuda a viabilidade de transferir Charlie Gard, um bebê britânico de dez meses afetado por uma doença genética rara e terminal, para a Itália.

Na semana passada, a Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH) deu razão à Justiça do Reino Unido e autorizou a retirada dos aparelhos que o mantém com vida, mesmo contra a vontade dos pais da criança.

De acordo com a diretora do hospital, Mariella Enoc, o diretor médico do Bambino Gesu está em contato com o Great Ormond Street Hospital de Londres para determinar se é possível levar o bebê para Roma.

"Estamos perto dos pais na oração e, se for esse o desejo deles, estamos dispostos a aceitar o filho conosco pelo tempo que ele ainda vai viver", disse ela.

"Nós sabemos que esse é um caso desesperador e, ainda que por enquanto não haja um tratamento efetivo, mas defendendo a vida humana, sobretudo quando prejudicada por uma doença, é um compromisso de amor que Deus confia a todos nós", comentou Enoc, citando uma fala do Papa Francisco.

No domingo (2), o pontífice entrou no debate ao dizer que apoia Yates e Gard, pais do bebê, e que acompanha o caso com "emoção".

Na segunda-feira (3), o presidente americano Donald Trump também ofereceu ajuda à família da criança. "O presidente Trump ofereceu ajudar a família nesta situação dolorosa", disse em um comunicado Helen Ferre, diretora de comunicação da Casa Branca.

Charlie e seus pais em foto tirada no hospital onde está internado (Foto: Twitter )
Charlie e seus pais em foto tirada no hospital onde está internado (Foto: Twitter )

Batalha jurídica

O Great Ormond Street Hospital queria obter a autorização judicial para suspender a respiração artificial e os cuidados paliativos, porque os médicos britânicos afirmaram que não existe cura para a doença de Charlie e, portanto, ele deveria ter o direito de morrer com dignidade.

O juiz Nicholas Francis, responsável por um dos processos travados na corte britânica, chegou a visitar Charlie no hospital e a analisar o desempenho dos médicos no caso. O juiz rejeitou o pedido dos pais de levar Charlie até os EUA, pois o tratamento experimental teria sido ineficaz e teria infligido somente mais sofrimento para o bebê.

O princípio “Child Best Interest” [O melhor interesse da criança, na tradução livre em português] foi o critério legal no qual se baseou a Suprema Corte britânica para determinar o desligamento dos aparelhos.

Doença

Charlie Gard, de 10 meses, sofre de uma doença cerebral genética rara e incurável, a miopatia mitocondrial - uma condição que causa perda progressiva de força muscular. A criança nasceu saudável em agosto de 2016, mas começou a perder peso e força com seis semanas de vida. A condição piorou rapidamente e ele foi internado em outubro no Hospital Great Ormond Street, depois de desenvolver pneumonia por aspiração.

Fonte: g1.globo.com

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