domingo, 16 de julho de 2017

José Carlos Morais e o incrível projeto Cadeiras na Quadra, em Niterói

POR GUSTAVO LOIO - 08/02/2013

Foto (Foto: Guga e a homenagem a Morais na Semana Guga)
Foto | Guga e a homenagem a Morais na Semana Guga

José Carlos Morais tem uma das histórias mais incríveis de superação que já conheci. Gaúcho radicado em Niterói, esse médico de 65 anos foi o precursor, em 1985, do tênis em cadeira de rodas no Brasil. Em outubro, durante a Semana Guga Kuerten, em Floripa, contei aqui a trajetória de Morais. Primeiro tenista brasileiro a disputar as Paralimpíadas (em 1996, em Atlanta), neste post ele fala sobre o incrível projeto Cadeiras na Quadra, que ele lançou em 2009, em Niterói, e pretende expandir para o Rio:

Morais coordena o projeto com o professor de Educação Física Sérgio Alves. Eles se conheceram em 1996, quando o professor preparou José Carlos para participar da Paraolimpíada de Atlanta na equipe de Márcio Granjeiro. Quando parou de competir, Morais percebeu que o momento da escolinha estava cada vez mais perto. Há quatro anos começaram a surgir os parceiros. O primeiro, fundamental para dar o pontapé inicial, veio do exterior: a Silver Fund da Cruyff Foundation, ligada à Federação Internacional de Tênis, com a doação de cinco cadeiras esportivas específicas para a prática do tênis.

Foto (Foto: Os alunos do projeto)
Foto | Os alunos do projeto

Depois a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) cedeu mais quatro cadeiras em comodato. Os amigos presentearam as primeiras raquetes e bolas e as crianças surgiram na ANDEF, parceira definitiva para a captação dos futuros tenistas e pelo pagamento dos professores. Lá, onde fazem a sua reabilitação, uma mini-quadra é montada e com material adequado para a idade os pequenos tenistas ensaiam as primeiras raquetadas.

Vencido o desafio inicial, os jovens atletas são promovidos e passam a treinar em uma quadra oficial de tênis, onde sentados em cadeiras especiais experimentam os giros rápidos e a gostosa sensação da bola rebatida. O primeiro parceiro foi Dico, que subsidiou a sua quadra para o início do projeto. 

Foto (Foto: Arquivo)
Foto | Arquivo

Depois o reencontro com Márcio Granjeiro, o técnico pioneiro no Brasil do tênis em cadeira de rodas, agora administrando o complexo tenístico do Itaquá Soccer foi fundamental para a viabilização do projeto. Márcio cede duas de suas quadras cobertas, terças e quintas, das 14h às 16h para viabilizar a escolinha.

Todas as atividades são supervisionadas pelos professores Sérgio Alves e Leonardo Conrado e pelos estagiários Gabriel Mascarenhas e Leonardo Maciel estudantes de educação física.

- Nosso objetivo principal não é formar futuros campeões. Se surgirem, serão muito bem-vindos - diz Alves.

- Queremos oferecer através da escolinha a prática de um esporte que eduque e que crie um incentivo para o processo de reabilitação - completou.

Morais comenta que o esporte foi decisivo em sua reabilitação e espera que Cadeiras na Quadra possa ajudar outros cadeirantes. No seu caso o processo atravessou fronteiras, pois através do esporte conheceu o mundo. Na sua bagagem carrega três Paraolimpíadas e nove Copas do Mundo de Tênis em Cadeira de Rodas.

Desde o lançamento, o projeto cresceu e hoje conta com quinze jovens tenistas. O crescimento também foi na qualidade. A escolinha, através dos seus alunos, representou o estado do Rio de Janeiro nas Paraolimpíadas Escolares de 2010 a 2012. No primeiro ano, formada por dois atletas, conquistou duas medalhas (prata e bronze). No ano seguinte, agora com quatro tenistas, ficaram no terceiro lugar geral, além de medalhas individuais. Já na última edição a equipe de seis jogadores comandada por Sérgio Alves e Leonardo Conrado, levantou o título brasileiro.

Foto (Foto: Arquivo)
Foto | Arquivo

Segundo Morais e Alves, o transporte seria essencial para aumentar o número de alunos e eles estão buscando parceiros para esta empreitada. Agora em 2013 receberão, através da CBT mais cadeiras e com isto estarão aptos a abrir novos núcleos.

Banhados em otimismo eles sonham com pelo menos três: um aproveitando a nova quadra municipal da Concha Acústica, numa parceria com a Prefeitura de Niterói; outro em São Gonçalo e, finalmente, um terceiro no Rio.

- Precisamos atravessar a baía. O Rio sediará a próxima Paralímpiada e é fundamental aproveitar este momento. É inadmissível que uma cidade do porte e da importância do Rio não tenha atualmente um tenista em cadeira de rodas. Não posso adiantar nomes, mas conversas com um importante parceiro já estão adiantadas - disse Morais.

Nenhum comentário: