segunda-feira, 24 de julho de 2017

Mãe vende trufas para custear tratamento de filho com autismo em São Carlos, SP

Eduardo, de 3 anos, necessita fazer fono, exames e precisa de fraldas.

Por Aline Ferrarezi, G1 São Carlos e Araraquara

Eduardo tem três anos e foi diagnosticado com autismo (Foto: Maisa Machado / Arquivo Pessoal)
Eduardo tem três anos e foi diagnosticado com autismo (Foto: Maisa Machado / Arquivo Pessoal)

Uma mãe de São Carlos (SP) tem recorrido à venda de trufas para custear o tratamento do filho que tem autismo. O gasto mensal com o menino de 3 anos chega a R$ 800, entre as despesas estão compra de fraldas, alimentação e convênio.

Moradora no Jardim Boa Vista, Maisa contou que descobriu o transtorno de desenvolvimento de Eduardo quando ele tinha 2 anos. Desde então, ela teve que sair do emprego de vendedora de loja para cuidar do filho.

“Cheguei fazer faxinas, mas como os horários de consultas são irregulares, também não deu certo. Então minha mãe deu a sugestão e eu comecei fazer os doces”, contou.

Maisa vende trufas de diversos sabores para custear o tratamento do filho com autismo (Foto: Maisa Machado / Arquivo Pessoal)
Maisa vende trufas de diversos sabores para custear o tratamento do filho com autismo (Foto: Maisa Machado / Arquivo Pessoal)

Renda
A venda de chocolates foi a saída encontrada para contratar um serviço particular. O convênio custa atualmente R$ 179, mas tem carência. Maisa passou a vender as trufas de sabores variados por R$ 2,50 cada na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e conquistou um público fiel, entre estudantes e funcionários. Com a chegada das férias, entretanto, ela está preocupada com a queda nos lucros.

"Tem um restaurante da cidade que tem revendido os doces sem lucro nenhum para ajudar o Dudu. Mas, não posso apenas depender disso. Com a universidade em férias vou ter que vender em outro lugar. O problema é que a bolsa térmica que levo no ombro com as trufas fica muito pesada para andar pelo Centro. Vou cansar mais, porém é minha maior fonte de renda", relatou.

Eduardo no colo da mãe com a família em São Carlos (Foto: Maisa Machado / Arquivo Pessoal)
Eduardo no colo da mãe com a família em São Carlos (Foto: Maisa Machado / Arquivo Pessoal)

Necessidade de tratamento
Segundo Maisa, o filho tem apresentado convulsões e sintomas da Síndrome de Tourette, mas devido à carência do convênio particular ela ainda não conseguiu ter um diagnóstico.

"Temos que esperar a carência terminar, no dia 31 de julho, para ver se será possível realizar um exame de tomografia, porque na rede pública estou na fila de espera há quase um ano", contou.

Maisa disse também que está difícil conseguir um fonoaudiólogo pelo Serviço Único de Saúde (SUS) para atender uma criança especial. "As consultas no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) são em grupo, mas meu filho precisa de atendimento individual e por isso fomos encaminhado ao Centro Municipal de Especialidade em Saúde (Ceme) onde tivemos a negativa até por escrito desse tipo de atendimento. Se já tivesse iniciado o tratamento, o Dudu já poderia estar falando", relatou.

Ainda de acordo com a mãe, o SUS não tem oferecido mais fraldas, o que elevam os gastos mensais em cerca de R$ 100. "Estou atrás de fralda para ele, mas falaram que vão dar quando tiver, porém não há prazo”, disse.

Mãe teve negativa por escrito sobre atendimento com fono para o filho (Foto: Maisa Machado / Arquivo Pessoal)
Mãe teve negativa por escrito sobre atendimento com fono para o filho (Foto: Maisa Machado / Arquivo Pessoal)

Avaliação
A prefeitura informou que a tomografia está sendo avaliada e deve ser marcada para as próximas semanas.

Sobre a fonoaudióloga, a administração informou que foram marcadas duas avaliações no Centro de Atenção Psicossocial (Caps I), mas a mãe não compareceu com a criança. Um novo agendamento foi realizado.

Questionada sobre as fraldas, a prefeitura não se manifestou.

Campanha
Para ajudar Dudu, o estudante de engenharia da computação Igor Marinelli, criador da plataforma "Somos Todos Heróis", inseriu o caso do garoto em uma campanha online para arrecadação de dinheiro. Os interessados podem ajudar pelo site.

Fonte: g1.globo.com

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