domingo, 9 de julho de 2017

Só o pódio interessa: Yohansson chega ao 5º Mundial com meta ambiciosa

Com 8 medalhas em Copas do Mundo no currículo, velocista de 29 anos rechaça rivalidade com Petrúcio Ferreira e diz que espera subir no pódio nos 100m e 200m em Londres: "Estou em evolução"

Por Flávio Dilascio, Rio de Janeiro

Só o pódio interessa: Yohansson chega ao 5º Mundial com meta ambiciosa

Cinco medalhas em Paralimpíadas e oito pódios em Mundiais. É com este currículo que Yohansson Nascimento desembarca em Londres, no próximo domingo, para disputar a sua quinta Copa do Mundo de Atletismo Paralímpico. Aos 29 anos, o alagoano ainda se vê em evolução e capaz de realizar mais um ciclo paralímpico em alto nível. Competindo na mesma categoria do recordista mundial Petrúcio Ferreira, Yohansson traça a ambiciosa meta de subir ao pódio nas duas provas que vai correr em Londres, os 100m e 200m para atletas com deficiência nos membros superiores.

Meu objetivo nesse Mundial é claro: trazer duas medalhas, não importa a cor. Estou muito bem fisicamente, fiz a minha melhor marca nos 100m na Paralimpíada do Rio (10s79) e estou confiante, Apesar de ser o meu quinto Mundial, ainda sinto aquele frio na barriga antes de começar a competição. Quero muito chegar a dez medalhas em Mundiais na carreira e vou fazer de tudo para conseguir isso, mesmo porque acho que ainda estou em evolução - disse o velocista da classe T46, que completa 30 anos em setembro.

Petrucio Ferreira e Yohansson Nascimento:  concorrentes, mas não rivais (Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB)
Petrucio Ferreira e Yohansson Nascimento: concorrentes, mas não rivais (Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB)

Yohansson conseguiu a classificação para o seu 5º Mundial no início de junho, quando correu os 200m do Circuito Nacional em 22s17, superando o índice A estabelecido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Em Londres, o alagoano terá como principal adversário o compatriota Petrúcio Ferreira, de apenas 20 anos e que bateu dois recordes mundiais na conquista do ouro nos 100m da Rio 2016. Mesmo com a concorrência do paraibano, Yohansson enxerga Petrúcio como seu natural sucessor e não como um rival.

Quando comecei a correr, competia ao lado do Antônio Delfino, que é um ídolo do esporte paralímpico. Não o enxergava como rival e só pensava em ser tão campeão como ele. Foi assim que eu virei o sucessor dele. Com o Petrúcio acontece a mesma coisa. Torço muito por ele e o encaro como o meu sucessor - disse o alagoano.

Yohansson conheceu o atletismo aos 17 anos em Maceió. O corredor - que antes só jogava peladas como os amigos - foi abordado em um ônibus pela técnica de atletismo Walquiria Campelo, que o chamou para fazer um teste. Aprovado, o alagoano teve uma ascensão meteórica no esporte paralímpico, disputando o seu primeiro Mundial já em 2006. Um ano depois, no Pan do Rio, foram três medalhas de ouro (nos 100m, 200m e 400m), o que tornou o velocista de Maceió respeitado internacionalmente.

Velocista segue em ótima forma aos 29 anos (Foto: Divulgação/CPB)
Velocista segue em ótima forma aos 29 anos (Foto: Divulgação/CPB)

Fui descoberto por acaso. Estava em um ônibus indo para o dentista quando a Walquiria me abordou. Ela se identificou como técnica, pediu o meu telefone e combinamos de fazer um teste. Acabou que gostei e resolvi investir no atletismo. Quando comecei não pensava em ser um dos melhores do mundo. Hoje, felizmente, eu tenho reconhecimento - disse Yohansson.

Extrovertido, Yohansson costuma liderar as brincadeiras entre os colegas de atletismo quando não está competindo. Torcedor fanático do CRB, o corredor é casado desde 2013 com a estudante de fisioterapia Thalita Lima, pedida em casamento pelo atleta durante os Jogos Paralímpicos de Londres 2012. Morando em São Caetano do Sul, Yohansson se diz uma pessoa caseira e ainda não tem planos de ser pai.

Estamos esperando a Thalita concluir a faculdade para planejarmos isso. Somos um casal muito tranquilo. Nas minha folgas, gosto de ir ao cinema e pegar uma praia de vez em quando. Gosto muito de futebol, mas não dá para jogar, porque sempre há um risco de lesão. Jogo no máximo um futevôlei nas férias - frisou.

Alagoano espera estar nos Jogos de Tóquio, o que seria a sua quarta Paralimpíada (Foto: Reuters)
Alagoano espera estar nos Jogos de Tóquio, o que seria a sua quarta Paralimpíada (Foto: Reuters)

Questionado sobre o futuro, Yohansson Nascimento foi categórico ao afirmar que está empenhado em ir à sua quarta Paralimpíada em 2020, em Tóquio. 

Sobre o ciclo paralímpico seguinte, ele diz que analisará mais para frente.

Eu penso uma coisa de cada vez. Nesse momento, meu foco é ir bem no Mundial e disputar a Paralimpíada de Tóquio. Em 2020, verei como estou para repensar a minha carreira. Se estiver bem, vamos para mais um ciclo paralímpico. Eu penso como atleta, quero sempre competir para ganhar. Se não estiver em condições de ganhar aí sim é hora de mudar os objetivos - finalizou.


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