sexta-feira, 28 de julho de 2017

USP alerta para circulação de vírus que causa sintomas parecidos com os de dengue e zika - Veja o vídeo

Febre oropouche é transmitida por mosquito conhecido como maruim ou pólvora, de dois milímetros. Doença pode evoluir para meningite, mas não há registros de morte, diz virologista.

Por Jornal da EPTV 2ª Edição

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USP alerta para perigo da chegada de um novo vírus à região

O Departamento de Virologia da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto (SP) alerta para a circulação do vírus da febre oropouche nas cidades brasileiras. Transmitido por um mosquito, ele causa sintomas muito parecidos com os de doenças como dengue, zika e febre chikungunya, e pode evoluir para meningite.

Para o virologista da USP Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, é importante que o vírus seja discutido para que profissionais da saúde estejam preparados para fazer o diagnóstico da doença.

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O vírus oropouche foi identificado pela primeira vez no Brasil na década de 1960, e há registros frequentes da ocorrência de pessoas doentes na região da Amazônia, no Peru e em países do Caribe.

Segundo Figueiredo, o oropouche é transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, popularmente conhecido como maruim ou pólvora. O inseto tem dois milímetros de tamanho e também se reproduz em ambientes úmidos e com água parada, assim como o Aedes Aegypti, e é encontrado em todo o país.

“É um vírus potencialmente emergente, já que o vetor que o transmite está presente em nosso meio, em várias regiões do Brasil. Essa virose está acontecendo nas proximidades, não está longe daqui. Então, ela pode vir a emergir e causar epidemias na cidade”, diz o virologista.

Em 2010, o Departamento de Virologia da USP diagnosticou duas pessoas com a doença – uma jovem de 18 anos, que viajou a Porto Seguro (BA), e um homem de 61 anos, que contraiu a doença em Rondônia.

Na Bahia, dois casos da doença foram descobertos em julho deste ano  – uma criança de 10 anos que mora em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, e um adolescente de 16 anos que mora em Salvador. Um deles estava na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, quando ficou doente.

Mosquito que transmite o vírus oropouche é conhecido como maruim ou pólvora e mede 2 milímetros (Foto: Reprodução/EPTV)
Mosquito que transmite o vírus oropouche é conhecido como maruim ou pólvora e mede 2 milímetros (Foto: Reprodução/EPTV)

Diagnóstico
No Brasil, segundo o pesquisador, mais de 500 mil casos de febre oropouche foram registrados nas últimas décadas. Em 2002, Figueiredo participou de um estudo com 128 pessoas infectadas com o vírus em Manaus (AM), mas que foram apontadas com quadro clínico de dengue. A maior dificuldade é compreender os sintomas para eliminação de doenças causadas pelo Aedes aegypti

De acordo com Figueiredo, há poucos lugares com recursos para confirmação em laboratório. N região de Ribeirão Preto, apenas o Hospital das Clínicas está preparado para exames para identificar o vírus.

“São doenças agudas que dão febre, dor de cabeça, dor muscular. Elas são muito parecidas e podem ser confundidas. Eventualmente sim, pode estar sendo confundido com outra coisa”, explica o pesquisador.

Embora possa evoluir para um quadro de meningite, doença considerada grave por atingir o sistema nervoso central, o oropouche não é capaz de causar patologias congênitas, como é o caso do zika vírus.

“O zika tem esse potencial de infectar o sistema nervoso central, principalmente causando doença congênita, a paralisia flácida de Guillain-Barré, que não é o caso da febre do oropouche. Um percentual dos casos de febre do oropouche desenvolve meningite, mas não há relatos de mortes de meningite por oropouche.”

Figueiredo alerta para a criação de políticas públicas de treinamento de profissionais da saúde para que a população não seja surpreendida, mais uma vez, por uma possível epidemia.

“Seria importante que a gente pensasse nessa possibilidade desse vírus aparecer por aqui e começasse a se preparar, fazer exames para diagnosticar casos, senão ele sempre não vai ser descoberto, porque ninguém pensa, ninguém lembra.”

O virologista da USP Ribeirão Preto, Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, estuda o vírus oropouche (Foto: Reprodução/EPTV)
O virologista da USP Ribeirão Preto, Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, estuda o vírus oropouche (Foto: Reprodução/EPTV)

Fonte: g1.globo.com

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