terça-feira, 8 de agosto de 2017

Mães de bebês com microcefalia fazem protesto no Centro do Rio

Famílias de bebês com microcefalia fazem manifestação no Centro do Rio
Famílias de bebês com microcefalia fazem manifestação no Centro do Rio Foto: Márcio Alves

por Flávia Junqueira

Mães de crianças com microcefalia realizaram, na manhã desta segunda-feira, um protesto no Centro do Rio. Cansadas do descaso do poder público e das falhas no atendimento e no fornecimento de remédios para as crianças, elas se uniram para se fazer ouvir. Munido de cartazes com frases como “Toda criança tem direito à saúde o tempo certo”, o grupo caminhou do Ministério do Trabalho, na Avenida Presidente Antônio Carlos, até a escadaria da Assembleia Legislativa.

Somos um grupo com aproximadamente 200 mães. Apenas cerca de dez conseguiram ir à manifestação e isso já reflete nosso dia a dia. Muitas crianças estão resfriadas, com pneumonia, pois têm baixa imunidade. E muitas mães não têm dinheiro para a passagem. Demora cerca de três a quatro meses para se conseguir um passe especial — relata a geógrafa Vanessa Godoy Caldas, de 33 anos, mãe de Dimitri, de 1 ano e nove meses.

Vanessa teve zika durante a gravidez e, ao nascer, Dimitri foi diagnosticado com microcefalia e paralisia cerebral.

A epidemia de zika passou e, embora ainda estejam nascendo crianças com microcefalia, as autoridades fazem parecer que está tudo bem e que as crianças estão todas sendo atendidas. Não é verdade. Temos que matar um leão por dia. Estamos à deriva — diz Vanessa, que se emociona ao contar sua luta para conseguir reabilitação para o filho. — Para o Estado, parece que somos pedintes. Mas esse problema todo da microcefalia aconteceu por falta de saneamento básico, por falha do poder público. E agora eles não nos dão apoio. Eu e meu filho somos vítimas dessa situação.

Desde novembro do ano passado, ela tenta terapia com fonoaudiólogo para o filho:

Após quatro pedidos de encaminhamento, com dois direcionamentos a uma unidade que não atende crianças menores de 5 anos, finalmente consegui consulta para 28 de novembro. Um ano é tempo demais para essas crianças!

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