sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Rede Lucy Montoro realiza 100 mil atendimentos por mês e é referência internacional em reabilitação

Desde 2008, a Rede de Reabilitação Lucy Montoro atende a pacientes com lesão medular, traumas, AVC (acidente vascular cerebral), e doenças degenerativas. Na capital paulista, a Rede é representada pelo IMREA, que conta com cinco unidades e conquistou a acreditação internacional da CARF

Terapias e orientações visando o desenvolvimento humano e a inclusão social

A Rede de Reabilitação Lucy Montoro, ação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde, presta cerca de 100 mil atendimentos por mês em suas 15 unidades no estado de São Paulo, cinco na capital paulista e dez no interior, sempre associadas a universidades. Na capital, a Rede é representada pelo IMREA - Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que teve início em 1975. Com o passar dos anos, avanços tecnológicos e cumprindo protocolos de qualidade internacional, obteve caráter referencial cada vez mais elevado, pelo fato de sua ampla estrutura, visando a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade.

O IMREA conta com cinco unidades na capital paulista. Em dezembro de 2014, conquistou a acreditação internacional da CARF (Commission on Accreditation of Rehabilitation Facilities). A CARF é considerada uma das mais importantes acreditações internacionais em Reabilitação, sendo reconhecida mundialmente por seus altos níveis de exigência na acreditação. Com esse selo, o IMREA passou a figurar na lista dos principais centros de referência em reabilitação física do mundo, sendo ainda, a primeira instituição no Brasil a ser acreditada pela CARF.

Desde 2008, a Rede de Reabilitação Lucy Montoro atende a pacientes com lesão medular, traumas, AVC (acidente vascular cerebral), e doenças degenerativas. Foi criada pelo Governo do Estado de São Paulo, pelo decreto 52.973/2008, e regulamentada pelo decreto 55.739/2010 e alterada pelo decreto 58.050/2012.

A Rede Lucy Montoro tem como objetivo proporcionar reabilitação para pacientes com deficiências físicas incapacitantes, motoras e sensório-motoras. Seu foco foi recentemente ampliado e, com os mesmos critérios de qualidade, passou a atender também pacientes com deficiência visual encaminhados pelo Hospital das Clínicas da FMUSP. Também são incluídas no atendimento as pessoas com alterações cognitivas leves decorrentes de síndrome de Down.

Tecnologia a serviço da reabilitação e inclusão de pessoas com deficiência

A Rede realiza programas de reabilitação específicos, de acordo com as características de cada paciente. Os tratamentos são realizados por equipe multidisciplinar, composta por profissionais especializados em reabilitação, como médicos fisiatras, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, educadores físicos e fonoaudiólogos.

A diretora do Serviço de Psicologia e Inclusão e Apoio Social, Vera Lúcia Rodrigues, explica que os serviços da Rede Lucy Montoro vão desde a reabilitação até o apoio ao processo de empregabilidade. E nos casos em que o candidato não seja elegível, segundo os critérios da Rede, para iniciar o atendimento, ele recebe informações e recomendações para outros centros que possam atender às suas necessidades.

O Programa oferecido pela Rede de Reabilitação Lucy Montoro inicia com a Reabilitação Clínica e tem como objeto conclusivo a Reabilitação Profissional. A reabilitação robótica é um dos grandes avanços tecnológicos presentes na Rede Lucy, abrindo possibilidades maiores para recuperação de movimentos de seus pacientes. A gameterapia, por exemplo, coloca a pessoa num ambiente de jogo, estimulando-a a se movimentar. A Lokomat estimula a movimentação de quadril e pernas em uma esteira.

A gameterapia coloca a pessoa em um ambiente de jogo, estimulando-a a movimentar-se

A reabilitação profissional tem por objetivo promover o desenvolvimento pessoal por meio de capacitação e qualificação profissional, facilitando a inserção ou reinserção no mercado de trabalho. Propicia a oportunidade de geração de renda, favorecendo a inclusão social, profissional e o exercício da cidadania, por meio de orientações e cursos diversos.

A orientação profissional tem como objetivo principal dar suporte ao processo de decisão quanto à escolha e preparação ocupacional para o mercado de trabalho, pois, algumas vezes, o paciente está diante do início de uma nova realidade, em virtude da deficiência adquirida. No IMREA, a orientação profissional é realizada por psicólogos especialistas e direcionada às pessoas que apresentam necessidade de orientação relacionada à vida no trabalho, sempre visando a inclusão profissional.

Em meio a reabilitação, os pacientes podem descobrir uma nova maneira de encarar a realidade, como é o caso de José Messias da Silva, 49, que sofreu um acidente de trabalho, ocasionando a amputação acima de seu joelho esquerdo. “Nunca pensei que fosse conseguir voltar a andar. O tratamento aqui é maravilhoso e os profissionais também”, destaca José Messias. Os ganhos na mobilidade foram essenciais para ele, que é morador de Narandiba, interior de São Paulo, e faz reabilitação na unidade da Vila Mariana, capital paulista. “Tive a oportunidade de me sentir melhor que antes de sofrer o acidente e montei uma confeitaria, além de fazer curso de Turismo Rural”, completa.

No aspecto de recuperação da mobilidade, o grande desafio é voltar às atividades cotidianas, destaca Maria Cecilia dos Santos, diretora de Fisioterapia do IMREA. “Os programas da Fisioterapia visam o máximo de independência funcional do paciente, principalmente para recuperar a autonomia para realizar ações rotineiras; são exercícios específicos com o paciente no ambiente terapêutico”, complementa Cecília.

Vanderleia Lucia de Oliveira, esposa e cuidadora de Josias de Oliveira: laço e o apoio familiar influenciando positivamente na recuperação do paciente

A diretora de Terapia Ocupacional e das oficinas terapêuticas, Gracinda Rodrigues, também ressalta que o serviço de T.O. propõe atividades baseadas nas experiências específicas de cada paciente, considerando, inclusive, o aspecto econômico. A partir dessa avaliação inicial, as terapias são baseadas em atividades diárias, como preparar comida e outras da vida diária. “A prioridade é a autonomia do paciente, para que tenha independência em suas atividades”, acrescenta Gracinda.

Vanderleia Lucia de Oliveira é esposa e cuidadora do paciente Josias de Oliveira, que teve um AVC, comprometendo os movimentos de seu braço e perna direita, e também a fala. Ela relata os benefícios da reabilitação na Rede Lucy. “Foi feito um processo de triagem. O que ele ganhou aqui, mantenho em casa, onde estendo os exercícios de reabilitação. Ele ganhou força e a Fonoaudiologia melhorou bastante a vida dele. Ajuda também o fato dele ter muita força de vontade”, explica Vanderleia, mostrando o quanto o laço e o apoio familiar influenciam positivamente na recuperação do paciente, aliado ao trabalho da instituição.

                                     

Outra paciente, formada em Medicina Veterinária, Carolina de Marchi, 26, faz reabilitação na Rede Lucy devido a um acidente de carro que sofreu em 2013, comprometendo os movimentos abaixo de seu pescoço. Graças a Rede Lucy, Carolina teve melhora na movimentação de seus braços. “Primeiro eu não tinha movimento nenhum, mas fui readquirindo com o tempo”, explica Carolina. “Conquistei um pouco de independência pela Terapia Ocupacional e Fisioterapia e ganhei bastante força no movimento dos braços. Eu sempre recomendo a Rede Lucy, todos que conheço e fazem reabilitação lá tiveram boa evolução”, avalia.
 
Para ser atendido pela Rede de Reabilitação Lucy Montoro é necessário que o paciente receba do médico da rede pública de saúde o encaminhamento para a reabilitação e entre em contato com o Departamento Regional da Saúde para agendamento da triagem.
 

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