quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Aluna que ficou paraplégica após ser baleada por colega em escola de Goiânia ganha festa surpresa para comemorar alta - Veja o vídeo.

Isadora de Morais, 14, foi recebida por amigos e parentes que compareceram para dar apoio. Ela e outros 5 adolescentes foram baleados dentro da sala de aula; dois morreram.

Por Vanessa Martins, G1 GO

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Amigos e parentes fazem festa surpresa para comemorar alta da estudante baleada em escola

A estudante Isadora de Morais, de 14 anos, que ficou paraplégica após ser baleada por colega dentro do Colégio Goyases, foi recebida por dezenas de amigos e parentes em casa, após receber alta médica, na quarta-feira (13), em Goiânia. O grupo realizou uma festa surpresa para a adolescente, com faixas e cartazes de apoio à recuperação dela.

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Prima da adolescente, a estudante Lorena Pereira dos Santos, de 22 anos, contou que todos se juntaram nesta tarde para limpar a casa e decorar tudo para a chegada de Isadora, que ocorreu por volta de 20h30. Segundo ela, cerca de 100 pessoas entre vizinhos, amigos e parentes foram receber a garota.

“Veio muita gente e ela adorou. [Ela] Não sabe para quem dá atenção primeiro. Para nós é maravilhoso ver ela voltando para casa, ver a alegria dela, que sempre foi muito sorridente. Vê-la é muito bom. O pessoal está muito animado. A casa ficou pequena para todo mundo que veio”, disse em entrevista ao G1.

Isaodra de Morais recebeu uma festa surpresa ao chegar em casa (Foto: Lorena Pereira/Arquivo pessoal)
Isaodra de Morais recebeu uma festa surpresa ao chegar em casa (Foto: Lorena Pereira/Arquivo pessoal)

Amiga e colega de sala da Isadora, a estudante Beatriz Carvalho, de 15 anos, comentou o quanto é bom para ela vê-la progredindo.

“É incrível, fico muito feliz de ver ela sorrindo como antes, ver que ela está melhor a cada dia. Hoje estamos atualizando ela de tudo que aconteceu enquanto ela estava no hospital, conversando muito e nos divertindo bastante”, afirmou.

Cantor Israel Novaes fez questão de visitar a fã, Isadora, e cantou no Crer, em Goiânia (Foto: Vanessa Martins/G1)
Cantor Israel Novaes fez questão de visitar a fã, Isadora, e cantou no Crer, em Goiânia (Foto: Vanessa Martins/G1)

Alta

Isadora estava há 54 dias Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer) e  recebeu alta na tarde desta terça-feira, onde foi surpreendida pelo ídolo, o cantor Israel Novaes. O sertanejo a recebeu cantando e fez uma homenagem para a fã. Na ocasião, ele ressaltou como ficou satisfeito em fazer parte deste momento na vida dela.

"Fico feliz de poder estar aqui. A música pode proporcionar alegria e superação. A própria Isadora representa superação e felicidade e mostra que a felicidade depende de coisas bem simples", disse.

Já Isadora se mostrou animada com a saída do hospital e contou que se sente mais forte depois de tudo o que passou.

"A gente nunca pode perder o sorriso. Eu sempre fui assim e vou continuar sendo. Essa experiência me amadureceu muito. Temos que amar mais as pessoas e não deixar nada nos abalar. Não podemos perder a felicidade, a fé a esperança", afirmou.

Isadora ficou paraplégica após ser baleada por um colega no colégio Goyases,  no dia 20 de outubro deste ano. Os tiros causaram as mortes de  João Pedro Calembo e João Vitor Gomes, ambos de 13 anos, e deixaram quatro feridos. O atirador, de 14 anos, filho de um casal de policiais militares, foi apreendido e está cumprindo decisão de internação provisória.

Inicialmente, Isadora foi levada ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) e,  desde 9 de novembro, estava no Crer. Os outros três colegas que ficaram feridos já receberam alta médica.

No último dia 29 de novembro ela gravou um vídeo  pedindo que todos continuem na torcida pela recuperação dela.

Estudante Isadora de Morais recebeu visita do cantor Israel Novaes (Foto: Vanessa Martins/G1)
Estudante Isadora de Morais recebeu visita do cantor Israel Novaes (Foto: Vanessa Martins/G1)

Recuperação

O diretor geral do Crer, Valmy Luís da Rocha, explicou que a paciente se recuperou no tempo previsto pela equipe médica. Ela já consegue sair da cama e manusear a cadeira sozinha, mas segue indo ao Crer três vezes por semana.

"Vamos trabalhar para que ela tenha uma vida independente. Ela vai confirmou-se fazendo fisioterapia, fisioterapia ocupacional e acompanhamento psicológico, que é muito importante. A proposta é de continue por um ano, mas vamos reavaliando a cada três meses, podemos mudar a frequência e o tipo de atendimento", explicou.

Investigação

A Polícia Civil foi ao Crer ouvir a aluna. O delegado responsável pelo caso, Luiz Gonzaga Júnior, disse que este era o último depoimento pendente e só aguarda um laudo de local de morte violenta para concluir a investigação.

Mesmo assim, o delegado explicou que já remeteu o auto de investigação à Justiça e que não tem mais dúvidas sobre o que aconteceu. "Já está concluso o procedimento, falta só a juntada do laudo. Mas quando à dinâmica dos fatos, a motivação e demais esclarecimentos já foram apresentados na investigação", explicou.

Estudante que atirou contra a turma continua internado (Foto: Vitor Santana/ G1)
Estudante que atirou contra a turma continua internado (Foto: Vitor Santana/ G1)

O atirador levou a pistola .40 da mãe para a escola. No intervalo entre duas aulas, ele sacou a arma e atirou contra os colegas. A coordenadora da unidade, Simone Maulaz Elteto,  foi quem convenceu o aluno a travar a arma e se entregar.

Segundo o delegado, o autor dos tiros  disse que sofria bullying de um colega e, inspirado em massacres como o de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro, decidiu cometer o crime. O menor foi apreendido logo após os tiros.

João Pedro Calembo (à esquerda) e João Vitor Gomes foram mortos a tiros (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
João Pedro Calembo (à esquerda) e João Vitor Gomes foram mortos a tiros (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Internação

O Juizado da Infância e Juventude de Goiânia, decidiu, no dia 28 de novembro,  manter o adolescente internado. A sentença cita que a ação foi "premeditada" e  "impossibilitou por completo qualquer defesa" dos baleados.

De acordo com a advogada de defesa da família do adolescente, Rosângela Magalhães, o estudante pode ficar até três anos internado, sendo reavaliado a cada seis meses. Ela afirmou que não vai recorrer da decisão e pontuou que o menino deve voltar a estudar.

Fonte: g1.globo.com

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