sábado, 31 de março de 2018

Calçadas irregulares e falta de rampas são obstáculos para idosos e pessoas com deficiência em Ribeirão Preto - Veja o vídeo

Cadeirantes reclamam de dificuldade para se locomover, inclusive próximo a serviços públicos. Prefeitura diz que obras do PAC contemplam adequações em 56 quilômetros de vias.

Por Jornal da EPTV 1ª Edição

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Falta de acessibilidade causa transtornos a pedestres em Ribeirão Preto

Entulho, lixo, galhos de árvores, calçadas irregulares, rampas em desnível ou construídas em apenas um dos lados da travessia são alguns dos muitos obstáculos relatados pelos deficientes físicos para se locomover pelos bairros de Ribeirão Preto (SP).

O Jornal da EPTV percorreu ruas e avenidas, e constatou que ainda falta acessibilidade aos cadeirantes, inclusive próximo a serviços públicos, com a Prefeitura e o Fórum, e pontos de grande movimento, como shoppings e estádios.

Em nota, a Secretaria de Planejamento e Obras Públicas informou que os projetos do PAC da mobilidade contemplam adequações em 56 quilômetros de vias ligadas aos eixos de transporte público.

Vendedor ambulante, Vilmar de Moura diz que tem dificuldade de transitar pela Avenida Francisco Junqueira, umas das principais da cidade, porque não há rampas em todos os cruzamentos. Quando elas existem, estão danificadas ou desniveladas em relação ao asfalto.

“Esse desnível entre o asfalto e a guia forma esse buraco que segura cadeira. O trânsito é muito perigoso. Para quem tem um pouquinho de habilidade, até vai. Mas, se a pessoa fica presa, pode acontecer um acidente feio”, afirma.

Travessia em frente a universidade tem rampa de acesso em apenas um lado da avenida (Foto: Valdinei Malaguti/EPTV)
Travessia em frente a universidade tem rampa de acesso em apenas um lado da avenida (Foto: Valdinei Malaguti/EPTV)

Um levantamento feito há três anos pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA-RP) apontou que 84% das ruas nos bairros Jardim Macedo, Jardim Mosteiro e Jardim Paulista não contavam com rampas nas calçadas.

“As calçadas estão todas irregulares, então, mesmo nas esquinas com rampa, não adianta subir porque, às vezes, a calçada não permite passar”, afirma Souza. “Acho que o governo não tem um olhar carinhoso para as pessoas com deficiência, infelizmente”, desabafa.

No cruzamento da Avenida Meira Júnior com a Rua Camilo de Matos, por exemplo, há faixa de pedestres e rampa apenas na calçada, enquanto o canteiro central da avenida não é rebaixado, ou seja, o deficiente é surpreendido no meio do travessia.

“Eu saio para dar umas voltinhas com o meu netinho, e é um trabalho para descer o carrinho. Com a minha idade, é ruim para levantar. Mas, fazer o que? Precisa corrigir, tem muitas pessoas de idade que precisam das rampas”, diz a advogada Sônia Regina Belletti.

O vendedor ambulante Vilmar de Moura reclama de falta de acessibilidade em Ribeirão Preto (Foto: Valdinei Malaguti/EPTV)
O vendedor ambulante Vilmar de Moura reclama de falta de acessibilidade em Ribeirão Preto (Foto: Valdinei Malaguti/EPTV)

A situação flagrada no Jardim Paulista se repete na Avenida Costábile Romano, em frente a uma universidade, onde só há rampa em um dos lados da calçada. Depois que o deficiente acessa a rua, não consegue subir no canteiro central.

Ainda nessa avenida, em frente ao Estádio Santa Cruz, também não há rampas, apesar de um semáforo para travessia ter sido instalado no local há uma semana. Gramado, o canteiro central também é um obstáculo para idosos.

“Tenho medo porque já aconteceu acidente com várias pessoas. Eles deveriam fazer uma rampinha mais baixa. É dificuldade não só para mim, como para muitas pessoas, muitos idosos, cadeirantes, mulheres com crianças”, reclama a aposentada Maria Batista.

Avenida Professor João Fiusa, em Ribeirão Preto, tem rampa improvisada no gramado do canteiro central (Foto: Valdinei Malaguti/EPTV)
Avenida Professor João Fiusa, em Ribeirão Preto, tem rampa improvisada no gramado do canteiro central (Foto: Valdinei Malaguti/EPTV)

Responsabilidades

Especialista em planejamento e gestão de trânsito, Luiz Gustavo Correia explica que existem leis em âmbito federal, estadual e municipal que tratam do planejamento de mobiliário urbano para pessoas com necessidades especiais ou mobilidade reduzida.

“A gente percebe que o planejamento, a execução, a liberação desse semáforo específico para pedestre não contemplou a acessibilidade. Então, e as pessoas com necessidade, não tem o direito de transitar, de ir e vir? Onde está o planejamento?”, ironiza.

Correia afirma também que é responsabilidade do proprietário do imóvel construir as rampas de acesso na calçada, mas cabe à Prefeitura orientar a forma correta de se fazer, assim como fiscalizar a manutenção.

“Em um comércio, por exemplo, onde há grande fluxo de pessoas, a gente tem que contemplar acessibilidade. O proprietário vai fazer a rampa e a Prefeitura vai fazer a fiscalização, e liberar o local para que as pessoas tenham segurança no seu transitar”, diz.

Fonte: g1.globo.com

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