sexta-feira, 29 de junho de 2018

Reuniões técnicas sobre inclusão para profissionais de comunicação encerram VII Encontro de Gestores


Primeira reunião técnica aconteceu em 25 de abril e reuniu profissionais de mídias

Entre as maiores barreiras para o segmento das pessoas com deficiência está a comunicação, fator que permeia atendimentos, relacionamentos, atitudes e comportamentos. Em resposta a esse aspceto, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo realizou a sétima edição do Encontro Estadual de Gestores de Comunicação do Estado de São Paulo. O objetivo foi cumprido: reunir profissionais que atuam em comunicação e atendimento ao público e levar informações sobre as demandas e singularidades que cercam o universo das pessoas com deficiência, público que soma 45,6 milhões no Brasil, segundo o Censo IBGE/2010.

Criado em 2012, neste sétimo ano o Encontro trouxe um diferencial, foi configurado em três reuniões técnicas realizadas em 25 de abril, 22 de maio e 26 de junho. O conteúdo foi voltado a nichos específicos da área da Comunicação: profissionais de mídia (rádio, TV, mídia impressa e digital); profissionais de publicidade e propaganda; e gestores públicos e assessores que prestam atendimento ao público.

O objetivo das reuniões é esclarecer aos profissionais dos diferentes segmentos de atuação que os termos “pessoas especiais”, “necessidades especiais”, “deficientes” e “portadores” já se tornaram obsoletos e são incorretos para designar pessoas com deficiência. Também nas redes sociais a designação para pessoas com deficiência deve ser correta para não se reforçar estigmas e preconceitos.

Reunião Técnica sobre Inclusão para profissionais de rádio, TV, impressos e mídias digitais

No primeiro encontro, realizado em 25 de abril, o jornalista Luiz Alexandre Souza Ventura trouxe informações importantes sobre imprensa e inclusão na palestra “A Responsabilidade do Jornalismo na Defesa da Inclusão”. Ele mostrou que deve ser quebrado o estigma da pessoa com deficiência que sempre se supera. A ideia é que as pessoas com deficiência sejam vistas como pessoas que buscam cidadania.

Em foco: comunicação e dicas sobre atendimento e relacionamento entre pessoas com e sem deficiência

A jornalista Flávia Cintra trouxe informações ricas sobre terminologia correta e a trajetória e legislação sobre pessoas com deficiência na palestra “Por que NÃO Portador de Necessidades Especiais? A Terminologia Correta na Era da Inclusão”. Um dos destaques é que dentro do conceito social, a deficiência é o resultado da interação entre pessoas com diferentes níveis funcionais e o entorno que não leva a diversidade em consideração. Esse conceito, mostra que a deficiência não está na pessoa em si, mas nos locais e nas informações que não estão adequadas a todas as pessoas.

A jornalista também falou da importância da representatividade da pessoa com deficiência e do lugar de fala. A ideia é que tenham mais pessoas com deficiência como como protagonista da própria realidade, luta e movimento. As jornalistas Natasha Torres e Simone Nieves mostraram a importância da interatividade e comunicação na web com dados e dicas sobre o uso de mídias digitais na palestra “Comunicação Digital para Todos”.

Além disso, trouxeram informações sobre as funcionalidades já existentes nas plataformas para a acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência. Exemplos e dicas rápidas de como fazer uma web mais acessível e inclusiva, além de legendas em vídeos do YouTube, descrição de imagens e dicas para estruturar um site acessível foram alguns dos tópicos abordados.

Reunião Técnica sobre Inclusão para profissionais de agências de publicidade e propaganda

Nesta segunda reunião, os palestrantes apresentaram informações sobre o universo da publicidade e propaganda e do mercado de consumo. As pessoas com deficiência também são consumidoras em potencial e devem ser incluídas nas peças de propaganda e também consideradas nos itens de consumo.

Publicidade, propaganda e relações de consumo também foram abordadas nas reuniões técnicas

Lara Soto, coordenadora de Programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, trouxe a palestra “Comunicação Inclusiva para o Alcance da Clientela”, com as diferentes barreiras que a pessoa com deficiência enfrenta no dia a dia: barreiras arquitetônicas, comunicacionais e atitudinais. As barreiras arquitetônicas são caracterizadas como obstáculos para o uso adequado do meio, geralmente originados pela morfologia ou formatação de edifícios ou áreas urbanas.

As barreiras comunicacionais são caracterizadas como as dificuldades geradas pela falta de informações a respeito do local ou serviços prestados, em função dos sistemas de comunicação disponíveis (ou não) em seu entorno, quer sejam visuais ou auditivos. As atitudinais muitas vezes ocorrem de maneira inconsciente e nem sempre são percebidas, sobretudo por aqueles que as impõem. A eliminação dessas barreiras minimiza as demais e viabiliza outras dimensões de acessibilidade.

Fábio Adiron, publicitário, professor universitário e militante junto ao segmento há algumas décadas, palestrou sobre “Negócios Inclusivos: Peças Publicitárias sem Barreiras”. Ele explicou que teve proximidade com o tema da deficiência por ter um filho com síndrome de Down, o Samuel.

Pontuando sobre a diferença entre publicidade e propaganda, resumiu: “Propaganda é mais ideológica, quem propaga quer vender uma ideia ou um conceito. Publicidade é mais relacionado à venda de produto ou serviço". Adiron explicou, ainda, sobre as várias formas de abordar a deficiência nas propagandas e na publicidade em geral. Para ele, a forma de abordagem que mais incomoda é colocar a deficiência como produto. “Usar a deficiência como produto para melhorar o negócio me incomoda. Exemplo ‘comprem comigo e uma parte do ganho vou doar a alguma instituição de pessoa com deficiência’”, destacou.

Michele Simões, estilista e consultora de moda, trouxe a palestra “O Mercado de Consumo para Pessoas com e sem Deficiência”. Ela abordou um pouco de sua rotina como consumidora. Michele é cadeirante e elaborou uma pesquisa com outras pessoas com deficiência para verificar de que forma elas se viam dentro do mundo consumidor, com uma abordagem mais específica para a moda, levando em conta sua formação.

Michele Simões denuncia: "você não consegue comprar com autonomia".

“A maioria das pessoas com deficiência visual que entrevistei escolhe roupas pelo tato. Então imagina essas pessoas se depararem com o vidro das vitrines. O shopping parece que é um lugar que não foi feito para você, não tem audiodescrição, não tem nenhuma informação; anda a loja inteira, enfrenta o vidro da vitrine e finalmente escolhe o produto e não encontra nada ali que possa dar a informação para que você identifique, você não consegue comprar com autonomia".

Michele finalizou apresentando o minidocumentário “Meu Corpo é Real”, idealizado e criado por ela, com o intuito de levar até a indústria informações menos superficiais e generalizadas sobre os corpos idealizados e contemplados pela moda, além de dar ênfase à diversidade de corpos e realidades.

Reunião Técnica sobre Inclusão para gestores públicos e profissionais que atendem o publico

O terceiro e último Encontro aconteceu em 26 de junho e trouxe o jornalista Luiz Alexandre Ventura apresentando a palestra “A Responsabilidade do Jornalismo na Defesa da Inclusão”. A ênfase de sua palestra foi a de que o discurso da superação é mentiroso, não reflete de maneira verdadeira a situação das pessoas com deficiência. De acordo com o jornalista, esse discurso ainda é presente em reportagens de grandes veículos impressos, TV, rádio, nos portais de notícias e nas redes sociais.

Segundo ele, esse conceito equivocado e superficial ganha cada vez mais o mercado corporativo. “Um exemplo disso são as palestras sobre superação apresentadas por pessoas com deficiência que vendem a deficiência como produto, vantagem, diferencial competitivo, ferramenta de motivação, estimulo e inspiração”.

Ventura foi categórico, “superação não é exclusividade das pessoas com deficiência. Todos nós passamos por momentos de dificuldade e precisamos de força extra para vencer esses limites. Devemos nos apresentar como pessoas que buscam cidadania. Ademais: deficiência não se supera”, enfatizou.

Profissionais de comunicação recebem informações sobre conteúdo acessível para mídias sociais

A jornalista, gestora da Assessoria de Comunicação Institucional da Secretaria e organizadora do evento, Maria Isabel da Silva, apresentou a palestra “O Serviço Público na Era da inclusão: Derrubando Barreiras e Preconceitos no Atendimento aos Cidadãos”. A ênfase de sua exposição foi em torno da necessidade de se respeitar e considerar a diversidade de nossos interlocutores. “Quando emitimos um comunicado, ofício, informe, boletim ou qualquer veículo de comunicação queremos que tenha o máximo alcance, e esse ‘máximo’ é alcançado quanto mais considerarmos a diversidade presente os interlocutores que receberam nossa mensagem”.

Maria Isabel apresentou dicas práticas para produção, com acessibilidade, de vídeos, boletins e comunicados digitais, além de dicas de relacionamento no cotidiano e atendimento a pessoas com deficiência.

As informações e materiais dos eventos serão disponibilizados no site do Encontro: http://egecom.sedpcd.sp.gov.br

Créditos:
Produção de Texto: Simone Regina Nieves
Fotos: Arquivo SEDPcD/SP
Edição final: Maria Isabel da Silva

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