segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Adriana Abreu Dias - a mulher com deficiência que trouxe fatos preocupantes sobre nosso país - Veja o vídeo.



No dia 3 de agosto de 2018 ocorreu em Brasília a primeira audiência pública para discutir a ADPF 442, que trata da descriminalização do aborto no Brasil.

Um dos discursos mais impactantes foi da Antropóloga Adriana Abreu Magalhães Dias, ela é uma mulher com deficiência e foi representar o instituto Baresi.

Já no início ela agradece o convite e ainda faz um pedido aos demais "por favor, nunca falem por nós, nem sobre nós, sem a nossa presença".

Foram 19 minutos de fala e durante este tempo ela fez um belo discurso onde trouxo muitas informações preocupantes sobre meninas e mulheres com deficiência nos dias atuais. São fatos pouco falados, por isso hoje dedicamos esta postagem para destacar alguns trechos retirados da fala da Dra. Adriana.

"... A situação de maior vulnerabilidade das mulheres com deficiência no acesso a saúde sexual e reprodutivo torna ainda mais urgente a discriminação do aborto..."

"...Somos nós historicamente, a população de mulheres esterilizadas compulsoriamente..."

"...Barreiras atitudinais (mitos, tabus, preconceitos), arquitetônicas e comunicacionais fazem com que nós enfrentamos diversos obstáculos para acessar nossos direitos sexuais e reprodutivos..."

"...Não há educação integral sexual nas escolas do Brasil, então imagine como é para uma mulher cega, ou surda, para encontrar acessoa a informação sobre sexualidade ou direitos sexuais e reprodutivos..."

"...Na barreiras atitudinais podemos citar a dificuldade que temos para conversar com os médicos sobre nossa sexualidade. Para eles a nossa sexualidade ativa não é atraente, para eles nós somos estéreis, para eles sempre geraremos filhos com deficiência e não teremos condições de cuidar deles. Estes esteriótipos fazem com que se quer recebemos informações confiáveis sobre anticoncepção..."

"...Não há, se quer, na maior parte do país,instalações e equipamentos acessíveis a mulheres com deficiência..."

"...As meninas com deficiência são as maiores vítimas de violência sexual na casa, na escola e na rua. Porém, estas mulheres e meninas sequer conseguem informar que foram abusadas e sequer conseguem ser entendidas..."

"...Meninas, e mulheres, com deficiênciasão as principais vítimas de abuso sexual. Mais de 70% das cegas, 60% das surdas e 90% das meninas com deficiência intelectuais. É injusto ameaçá-las de cadeia quando elas não querem seguir com a gestação..."

"...As meninas e mulheres com deficiência acabam vivendo o capacitismo de forma solitária, porque é comum que ela seja a única da família que tem deficiência, e sua experiência única fazendo com que muitas vezes ela não encontre acolhimento nem mesmo na família..."

"...Assim como qualquer outra pessoa, qualquer outra mulher, as mulheres com deficiência também devem ter o direito de decidir como desejam formar famílias..."

"...A única maneira legitima de reduzir o número de abortos em casos que deficiências são detectadas, é garantir a proteção integral aos direitos das pessoas com deficiência que vivem com deficiência. Serviços, saúde e escolas com equipes treinadas para inclusão, políticas de suporte mulheres e famílias cuidadoras, maiores incentivos a inclusão no mercado de trabalho e uma arquitetura social favorável a diversidade aos corpos e vivências são alguns exemplos. Apenas assim seria possível garantir que as mulheres grávidas não tomem decisões baseadas no medo efetivo de serem abandonadas pelo Estado, pela comunidade e pela família..."
Assista e compartilha a vídeo completo da fala de Adriana:

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