domingo, 20 de junho de 2021

Paralimpíada: cinco tenistas vão em busca de medalha inédita em Tóquio


Jornalismo Reação

O tênis em cadeira de rodas brasileiro tem cinco paratletas classificados para a Paralimpíada de Tóquio (Japão). O posicionamento no ranking da Federação Internacional de Tênis (ITF, sigla em inglês) credenciou Ymanitu Silva, Daniel Rodrigues, Gustavo Carneiro, Rafael Medeiros e Meirycoll Duval a representarem o país nos Jogos.

Presente na Paralimpíada Rio 2016, Ymanitu se classificou com o décimo lugar da classe quad (atletas com deficiência nos membros inferiores e superiores). Os 12 mais bem colocados na categoria se garantiram em Tóquio.

Daniel se qualificou graças à 11ª posição no ranking mundial da classe open (atletas com deficiência nos membros inferiores) masculina. Será a segunda participação paralímpica dele, após a estreia na Rio 2016.

Entre os homens, a classe open classificaria os 40 tenistas melhores ranqueados para os Jogos. No entanto, há limite de quatro jogadores por país e eles precisam ter sido convocados para representar as respectivas seleções em etapas da Copa do Mundo da modalidade em ao menos dois anos do ciclo, iniciado em 2017. Com isso, atletas situados abaixo da linha de corte foram beneficiados com as vagas restantes. Casos de Gustavo (41º lugar), estreante em Paralimpíada, e Rafael (46º), que disputará o evento pela terceira vez.

Já na open feminina, onde as 22 melhores atletas se garantem em Tóquio pelo ranking, Meirycoll se credenciou pelo mesmo critério. A brasileira ocupa o 28º lugar na lista da ITF e competirá pela primeira vez nos Jogos.

As disputas do tênis em cadeira de rodas na Paralimpíada começam em 27 de agosto e seguem até 4 de setembro. O Brasil busca uma medalha inédita na modalidade, que é disputada oficialmente desde os Jogos de Barcelona (Espanha), em 1992. Quatro anos antes, em Seul (Coreia do Sul), o esporte foi praticado como demonstração.

sábado, 19 de junho de 2021

Criança com paralisia cerebral aguarda há 9 meses por cadeira de rodas no litoral de SP

Menino de 3 anos nasceu com 6 meses de gestação, teve uma hemorragia grave e desenvolveu algumas sequelas, como perda da audição e paralisia grave.

Por Luana Chaves, G1 Santos

Miguel nasceu prematuro e ficou com algumas sequelas, como a paralisia cerebral — Foto: Arquivo Pessoal

Sem conseguir ficar sentado ou em pé, uma criança de 3 anos com paralisia cerebral aguarda há nove meses por uma cadeira de rodas fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Cansada de esperar e preocupada com as lesões que um carrinho comum pode causar ao filho, a mãe, moradora de São Vicente, no litoral paulista, decidiu pedir ajuda nas redes sociais para conseguir comprar uma cadeira equipada para o filho, mas não conseguiu o valor.

A vida de Miguel Rodrigues Moraes Macedo começou com lutas. De acordo com o relatado ao G1 neste sábado (19) pela mãe, a balconista Carolina Rodrigues Moraes Macedo, o filho nasceu prematuro, com apenas seis meses de gestação. Ele sofreu uma hemorragia grave, desenvolvendo paralisia cerebral, que só foi descoberta após 1 ano e 4 meses do parto, e perda auditiva severa bilateral. 

Lutando dentro de suas possibilidades, a criança saiu do hospital e tem conseguido se desenvolver aos poucos, com a 'PediaSuit', um tratamento de reabilitação intensivo, onde ela é assistida por profissionais e faz fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e musicoterapia, com o objetivo de minimizar as sequelas da paralisia cerebral.

Por conta da doença, o menino não possui muita sustentação no tronco, por isso, não consegue ficar em pé e nem sentado. Ele utiliza um carrinho comum, contudo, por conta da falta de força no tronco, não consegue ficar sentado normalmente, ficando com uma postura prejudicial ao corpo.

Criança faz diversos tratamentos, como fisioterapia e fonoaudiologia, com o objetivo de minimizar as sequelas — Foto: Arquivo Pessoal

A mãe chegou a tentar conseguir uma cadeira de rodas especial para o filho, por meio da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, de Santos, no litoral de São Paulo, gerida pelo governo estadual.

Conforme relata ao G1, há nove meses, a criança foi levada ao local, onde foram tiradas suas medidas para a fabricação da cadeira. Carolina foi informada de que o tempo de espera estimado para retirar o equipamento era de dois a três meses, porém, após nove meses, ela ainda aguarda. Em contato com o local para saber o porquê da demora, ela foi informada de que a cadeira chegaria, mas que um problema na fabricação havia causado o atraso.

Preocupada com o desenvolvimento e o conforto do filho, e com indicações de médicos que acompanham a criança, a balconista, que precisou parar de trabalhar há cerca de um ano para cuidar de Miguel em tempo integral, tenta conseguir uma cadeira de rodas postural. O valor do equipamento, no entanto, é alto para a família, que não tem condições de pagar.

“São muitas cobranças, eu sei as condições dele, e os profissionais cobram esse carrinho adaptado, então, é uma necessidade, não tem mais tempo para esperar. Me sinto limitada”, conta. Carolina chegou a postar sobre a necessidade do filho nas redes sociais, recebendo doações de algumas pessoas, porém, até esta sexta-feira, só havia conseguido 1/3 do valor da cadeira.

Primeira vitória

Momento em que, após uma cirurgia e com a ajuda de um aparelho auditivo, Miguel conseguiu ouvir sons pela primeira vez — Foto: Arquivo Pessoal

Dentre as diversas lutas de Miguel, uma já foi vencida. Após viver os primeiros anos de vida sem ouvir ou poder escutar sequer a voz da mãe, que luta por seu conforto e saúde, ele realizou um procedimento para recuperar a audição.

Em fevereiro deste ano, aos 2 anos de idade, foi submetido a um implante coclear bilateral, conseguindo recuperar sua audição, o bastante para ouvir um "eu te amo" da mãe.

“Foi muito bom, foi um momento maravilhoso, até hoje ele vai tendo, aos poucos, reações. É como se fosse um bebê recém-nascido, ele ainda está descobrindo os sons. É muito emocionante”, relata.

Com o filho descobrindo uma nova habilidade, a de ouvir, família se emocionou com o momento — Foto: Arquivo Pessoal

Apesar do procedimento, ele não consegue ouvir sem a ajuda de um aparelho auditivo. Por isso, a cada três meses, os médicos realizam um mapeamento da audição, para que possam regular o aparelho e deixá-lo sempre mais apropriado para a criança. Contudo, de acordo com a mãe, ele escuta muito bem e tem descoberto cada vez mais sons no dia a dia.

Necessidade

Segundo o neurologista João Luis Cabral Júnior, o uso de uma cadeira ou carrinho inadequado para uma criança com paralisia cerebral pode desencadear problemas no quadril, na coluna e nas pernas, como bursite, lombalgia, entre outros danos físicos. “Pode acentuar o quadro de dor na criança, e isso faz com que ela fique agitada. Isso é um reflexo de dor”, explica.

O especialista esclarece que os carrinhos e cadeiras posturais desenvolvidos para pessoas com paralisia cerebral proporcionam mais conforto à criança, evitando problemas de saúde ligados à postura.

Ele explica que as pessoas com esse problema não possuem muito "tônus muscular", grau de contração permanente do músculo. Desta forma, o músculo pode ser muito flácido, ou muito rígido. Por isso, as pessoas com paralisia precisam se adaptar nessas cadeiras, para dar uma melhor postura e, consequentemente, não causar lesões.

Resposta

Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado, por meio da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, esclareceu que a aquisição da cadeira está em processo de compra, e que a entrega deve ocorrer até o fim de junho.

Confira o posicionamento na íntegra: 

“A Unidade de Reabilitação Lucy Montoro de Santos informa que a cadeira de rodas citada pela reportagem está em processo de compra. Fornecedores apontam dificuldades de aquisição de materiais em meio à pandemia. O serviço está em contato para que isso ocorra com agilidade, e a empresa sinaliza que a entrega deve acontecer ainda neste mês. Os familiares do paciente serão orientados assim que isso ocorrer”.

Escola nos EUA exclui líder de torcida com Síndrome de Down da foto do anuário

Uma equipe de líderes de torcida do ensino fundamental tirou fotos quase idênticas com e sem uma aluna portadora da síndrome. A escola optou por publicar o da foto sem ela. O caso está sendo investigado

REDAÇÃO MARIE CLAIRE - DO HOME OFFICE

Escola dos EUA exclui líder de torcida com Síndrome de Down da foto do anuário (Foto: Reprodução/NY Times)

Uma líder de torcida de Utah, nos Estados Unidos, com síndrome de Down foi excluída da foto do anuário de sua equipe. De acordo com publicação do The New York Times, Morgyn Arnold, a estudante de 14 anos, ficou "devastada" quando foi deixada de fora da foto da torcida no anuário 2020-21 da Shoreline Junior High School.

A escola desde então se desculpou pelo que chamou de "erro", mas Jordyn Poll, irmã de Morgyn, disse acreditar que a exclusão foi intencional.

A jovem recorreu a sua página no Facebook para escrever um desabafo sobre o ocorrido e compartilhou as duas imagens quase idênticas que foram tiradas durante a sessão de fotos da equipe: uma com Morgyn e outra sem. A foto sem Morgyn foi usada para o anuário e para as redes sociais da escola.

“Nós descobrimos quando Morgyn voltou da escola com seu anuário e ela ficou arrasada”, disse ela. "Vê-la sentir isso e vê-la ver isso partiu meu coração," lamentou ela.

O post publicado viralizou e a escola se manifestou e postou um pedido público de desculpas à família de Morgyn e "a todos os outros afetados pelo erro". Shauna Lund, supervisora ​​de relações comunitárias da instituição, disse ao The New York Times que o incidente estava sendo investigado e que a escola planejava trabalhar com a família para "garantir que isso não aconteça novamente".

“Estamos profundamente tristes com o erro que foi cometido. Continuamos a analisar o que ocorreu e por que ocorreu,” disse.

O pai de Morgyn, Jeff Arnold, falou que em vez de apontar a culpa para a escola, ele queria usar a situação para aumentar a conscientização sobre a importância da inclusão e compaixão. “Se pudermos encontrar maneiras de evitar que isso aconteça com outra pessoa, é tudo o que queremos. Isso é tudo que importa, porque não podemos voltar atrás e colocá-la no anuário.”

Jordyn Poll ainda acrescentou que sua irmã teve uma experiência positiva no time, onde passou horas aprendendo dança, participando de jogos e torcendo pelos colegas. “Aquelas garotas a amavam. Essas meninas tentaram fazer tudo o que podiam para ser inclusivas e gentis com ela" 

Uma das companheiras de equipe de Morgyn, Maddie Campbell, 15, escreveu que a equipe estava "de coração partido" ao descobrir que ela não foi incluída na página do anuário. “Assistir à sua torcida sempre me deixaria muito feliz”, escreveu ela.

Escola dos EUA exclui líder de torcida com Síndrome de Down da foto do anuário (Foto: Reprodução/ NY Times)



Versão digital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 terá recursos de acessibilidade

Será permitido que os inscritos usem recursos de acessibilidade que auxiliem na prova no computador

   Agência Brasil

Jornalismo Reação

A versão digital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 terá recursos de acessibilidade inéditos nesta edição.

Os participantes que solicitarem determinado atendimento especializado e tiverem o pedido aprovado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) poderão fazer prova ampliada, superampliada ou com contraste. Também será permitido que os inscritos usem materiais próprios que auxiliem na prova no computador. Tradutor-intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras), tempo adicional e salas acessíveis são outros recursos previstos no edital.

Entre os perfis de participantes que podem solicitar os atendimentos estão: pessoas com baixa visão, cegueira, visão monocular, deficiência física, deficiência auditiva, surdez, deficiência intelectual (mental), surdocegueira, dislexia, déficit de atenção, transtorno do espectro autista, discalculia, gestantes, lactantes, idosos, além de pessoas com outra condição específica.

Já os itens que poderão ser levados são: máquina de escrever em braile, lâmina overlay, reglete, punção, sorobã ou cubaritmo, caneta de ponta grossa, tiposcópio, assinador, óculos especiais, lupa, telelupa, luminária, tábuas de apoio, multiplano e plano inclinado, além de quaisquer outros materiais que se fizerem necessários. Cão-guia, medidor de glicose, bomba de insulina, além de aparelhos auditivos ou implantes cocleares, também serão permitidos no Enem Digital 2021.

Os locais de prova serão, ainda, acessíveis para pessoas com deficiência. Os participantes que precisam de recurso de acessibilidade diferente dos previstos no edital do exame digital terão o atendimento assegurado na versão impressa do exame.

Inscrições

O período de inscrições do Enem 2021, incluindo o prazo para solicitar atendimento especializado, começa no dia 30 de junho e vai até 14 de julho. Os procedimentos deverão ser feitos por meio da Página do Participante. Tanto a versão digital quanto a impressa desta edição serão aplicadas nos dias 21 e 28 de novembro, além de contarem com provas de itens iguais.

Ao todo, serão 101.100 vagas para o Enem Digital. Essa versão do exame será exclusiva para quem já concluiu o ensino médio ou que está concluindo a etapa em 2021. Dessa forma, os participantes que desejarem fazer o Enem para fins de autoavaliação — os chamados “treineiros” — deverão se inscrever para a versão impressa.


Fontes: Assessoria de Comunicação do Ministério da Educação -  revistareacao.com.br

Comissão promove audiência sobre surdos que não se comunicam por Libras


Jornalismo Reação

A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência promove audiência pública nesta segunda-feira (21), às 9 horas, no plenário 7, com o tema “Nem todo surdo precisa de Libras”.

O debate foi solicitado pela deputada Dra. Soraya Manato (PSL-ES). Segundo ela, as pessoas com deficiência auditiva oralizadas – que se comunicam em Português e não em Libras – enfrentam uma série de dificuldades relacionadas a trabalho, educação, lazer e outras questões gerais da vida em sociedade.

Foram convidados para a audiência pública, dentre outros, a presidente da Associação Nacional dos Surdos Oralizados (Anaso), Keilah Ayres; o professor e orientador do programa de pós-graduação da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB), Fayez Bahmad Júnior, representando a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (Aborl-CCF); e a professora assistente doutora da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e coordenadora do programa de pós-graduação em psicologia do desenvolvimento e aprendizagem da Unesp, Bauru (SP), Ana Claudia Moreira Almeida Verdu. Confira aqui a lista completa de convidados.

O evento terá transmissão interativa pelo e-Democracia – https://edemocracia.camara.leg.br/audiencias/sala/1974

Fonte: Agência Câmara de Notícias -  revistareacao.com.br

Dirigente brasileiro à frente da Paralimpíada diz viver "maior desafio"

Presidente do Comitê Paralímpico Internacional, Andrew Parsons trabalha em edição história em tempos de covid-19 Imagem: Chung Sung-Jun/Getty Images for IPC

DENISE MIRÁS - Colaboração para o UOL, em São Paulo

"No momento em que os países olham para o próprio umbigo, que temos esse recrudescimento de nacionalismo e uma reunião do G20 para tratar da pandemia sem avançar muita coisa, nós temos um catalisador para uma retomada. Os Jogos são o maior evento logístico do mundo e contam com um esforço internacional, somando não sei quantas nacionalidades, para entregar de maneira a que atendam a atletas, patrocinadores, redes de TV, sem que disseminem ainda mais a Covid-19. É uma vitória enorme. Para a humanidade."

Quem externa a visão acima é Andrew Parsons, brasileiro que atualmente ocupa a presidência do Comitê Paralímpico Internacional (CPI, ou IPC na sigla em inglês").

O dirigente é um dos responsáveis pela Paralimpíada de Tóquio 2020, que para o dirigente ganhou muitos significados em meio à crise global do coronavírus.

É meu maior desafio, sem dúvida. E, enquanto as delegações todas não estiverem no avião de volta para casa, a gente não vai estar sossegado."

Repensar os Jogos de forma a separar populações e evitar riscos não é fácil, porque são muitas as situações e especificidades. "No caso dos paraolímpicos, temos atletas com deficiência mais severa e precisamos entendê-las para decidir como proceder. Tem aqueles que precisam de cuidadores, de auxílio para se deslocar ou até se alimentar. E aqueles que, devido à deficiência, não conseguem se adaptar ao uso da máscara. Como fazer para permitir que participem e ao mesmo tempo não corram risco?"

Outro exemplo, sobre medição de temperatura: "Na Paralimpíada tem atletas que não transpiram, o que eleva a temperatura corporal dependendo do ambiente. Eles não estão em estado febril. É uma questão de termorregulação. E como no geral os atletas vão ser muito testados, precisamos estar atentos para não causar um estresse maior ainda, para que sua experiência paraolímpica seja mais positiva que negativa, ao mesmo tempo em que não deixe de ser segura".

Desafios dos desfiles a cerimônia de medalhas

Os maiores desafios são criar condições adequadas para populações que têm de ficar muito separadas. "Esses ajustes todos são muito difíceis, porque há coisas óbvias que tiveram de ser repensadas. Não só desfiles, mas premiação, outro exemplo: a entrega de medalhas é um momento em que as pessoas ficam muito próximas. Até que ponto representa risco de contágio? Então, quem vai entregar medalha? Como vamos fazer isso? Quantos exames faremos, em que momentos, como serão feitos? Cada operaçãozinha dessa teve de ser pensada, analisada, esmiuçada."

O presidente do CPI diz que chegou aos ajustes finais, trabalhando com o Tocog (Comitê Organizador de Tóquio 2020), mas reconhece que "ainda tem muita coisa", como questões relativas a isolamento de casos positivos. "E se tiver contágio de um atleta que precise desses cuidados permanentes? Isola com o acompanhante? Como protegemos esses acompanhantes? E, nesses lugares, a estrutura será acessível, se for um cadeirante?"

Sobre a possibilidade de atletas com deficiência terem mais propensão a se contaminarem, Andrew Parsons diz: "Pelos estudos a que a gente tem acesso, a resposta é não. Mas obviamente que, dependendo da deficiência ou do nível da deficiência, o quadro pode ficar mais severo, ou ficar mais severo mais rapidamente. Não é que vamos proteger uma população mais que outra, mas nesses casos a ação tem de ser mais acelerada e os cuidados, mais específicos."

Nadador brasileiro Daniel Dias se prepara para os Jogos Paralímpicos de Tóquio Imagem: Buda Mendes/Getty Images

Tendência é que covid amplie desnível técnico

Quanto ao possível desnível técnico desta edição por causa da pandemia, o presidente do CPI diz que a preocupação com treinamentos e classificações "foi migrando, como uma onda", da China para os países do Ocidente, a partir de fevereiro de 2020, até se tornar global.

"Alguns países foram mais rígidos que outros na volta das atividades e dos treinamentos. Por isso, não dá para dizer que países mais ricos tiveram preparação melhor. Veja o Brasil, em situação tão difícil com a pandemia. O Comitê Paralímpico Brasileiro fez um trabalho muito bom de protocolos, no seu Centro de Treinamento, em São Paulo, e liberou aquela instalação para os atletas treinarem."

"Os mais desenvolvidos têm mais condições financeiras de investir no esporte e essa sempre foi uma razão de conseguirem performance melhor que outros. Talvez o Brasil seja uma exceção, se pensarmos na estrutura que o país tem para os paraolímpicos, comparada ao lugar que o país está no mundo socialmente desenvolvido. Por isso se coloca em nono, sétimo, oitavo, em Jogos Paralímpicos, e não em outros tantos ramos de atividades", acrescenta.

Com um macrociclo de cinco anos não esperado, que já quebra o planejamento de técnicos e diretores técnicos, e um último ano e meio em que treinos e competições foram afetados, é esperado que as performances não sejam tão boas. Mas também entre os atletas há exceções.

"Neste início de junho, o alemão Markus Rehm quebrou o recorde mundial dele do salto em distância de prótese - ele é amputado de uma perna, abaixo do joelho. Foi no Europeu, na Polônia. Ele fez 8,62m, que teria dado a ele a medalha de ouro em todos os Jogos Paralímpicos e Olímpicos desde Barcelona 1992. É surpreendente, porque a expectativa é por resultados não tão positivos."

Também sobre a confraternização, que faz parte do movimento olímpico, Andrew Parsons reconhece que não vai haver, como tradicionalmente se espera.

"Os Jogos têm essa característica de congraçamento, com um minoria em busca de resultados e medalhas e uma massa para a qual já é uma conquista gigantesca estar lá. Não vai ter interação entre os atletas, até a atividade sexual na Vila vai diminuir. Mas tínhamos de fazer, para não passarmos todo esse espaço, do Rio 2016 a Paris 2024, sem os Jogos."

Patrocinadores japoneses ajudam em dificuldades

Sobre possíveis pressões de patrocinadores para a realização dos Jogos, Parsons diz que esperava conversas mais duras, com o adiamento por causa da pandemia, sobre ajuste de valores e pagamentos.

"Ocorreu o contrário e foi uma surpresa enorme. Seria até compreensível que, com o adiamento, falassem em escalonar pagamentos; que, se não tivesse público, teríamos de se voltar a conversar. Mas não houve isso. A temperatura estava subindo no Japão, com a população contrária aos Jogos. Temos patrocinadores japoneses - a Toyota é nossa principal patrocinadora - e não houve pressão."

A pressão veio da própria pandemia, pelas dificuldades que ela impôs aos países, com demandas incomuns, "como países grandes que não estão acostumados a ir para o outro lado do mundo para se qualificar para determinada modalidade".

Um caso emblemático aconteceu com Kiribati, uma ilha no meio do Pacífico: "Teve uma competição na Austrália, principalmente para países da Oceania, e três pessoas da ilha - um cadeirante, um cego e um técnico - que fizeram escala por Fiji, ficaram mais de quatro meses por lá, sem contato com a família. Terrível, porque Kiribati cortou, mas cortou zero -, ninguém entra, ninguém sai. Porque o governo disse: com nossa falta de estrutura, se a covid-19 entrar aqui, morre todo mundo. Ficamos monitorando, pagando as despesas deles."

Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Internacional Imagem: Matt Hazlett/Getty Images

Comunidade deficiente sofre mais na pandemia

No caso dos paralímpicos, diz Andrew Parsons, são muitos os estudos e relatórios dando conta que as pessoas com deficiência física foram afetadas de forma desproporcional pela pandemia.

"Em 2020, na Inglaterra, 60% do total de mortos pela Covid-19 foram pessoas com algum tipo de deficiência. Por quê? Porque em momentos de crise é possível que políticas públicas supostamente inclusivas não se mostrem inclusivas. Quando falta acesso a serviços de saúde, se é uma dificuldade para todo mundo, para a pessoa com deficiência essa dificuldade acaba aumentada pela própria condição."

Paralimpíada é o único evento global que coloca as pessoas deficientes no centro das atenções como atores principais. "Não é questão de tolerância e sim de valorização, de celebrar. É o momento em que se dá voz a um bilhão de pessoas no mundo que têm algum tipo de deficiência, que precisam ser ainda mais ouvidas por causa da pandemia."

"A gente pretende que os Jogos coloquem um pouco de luz nesse um bilhão de pessoas com deficiência - nesses 15% da população mundial. Por isso, esta Paralimpíada de Tóquio 2020 é a edição mais importante da história."

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Adiada votação da MP 1034 que estabelece teto de isenção de IPI para Pcd


Jornalismo Reação

A Medida Provisória 1034/2021 encaminhada para o Congresso Nacional pela Presidência da República não será discutida na tarde desta quinta-feira, 17. O tema era o segundo item na pauta da sessão plenária, prevista para iniciar às 16h, entretanto a discussão foi adiada para a próxima terça-feira, 22.xx O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, reabriu às 12h17 desta quinta-feira, 17, a sessão do Plenário que está analisando a privatização da Eletrobras, pauta principal no Congresso Nacional. Senadores se revezam em pronunciamentos, que inclusive são transmitidos pela TV Senado.

A expectativa agora é sobre o relatório da MP 1034/2021 do Senador Ciro Nogueira, que pode ser apresentado a qualquer momento. A MP já foi discutida e votada pela Câmara dos Deputados, através do relatório do Deputado Federal Moses Rodrigues. Agora, cabe ao relator do Senado avaliar outras emendas que foram apresentadas recentemente.

O SISTEMA REAÇÃO vem acompanhando todo o trâmite do tema que pode determinar o teto do IPI para aquisição de veículos 0 km para Pessoas com Deficiência em até R$ 140 mil. A proposta inicial, da Presidência da República, estabelecia o limite em R$ 70 mil. Com a modificação feita pelos Deputados Federais também incluíram a isenção do benefício da isenção do IPI para pessoas com deficiência auditiva, assim como determinar o prazo de 3 anos para que se possa solicitar uma nova isenção. Ocorre que a MP 1034 também abrange inúmeros outros temas, além do que afeta as pessoas com deficiência.

Os senadores Romário e Mara Gabrilli apresentaram emendas à MP no Senado Federal relacionadas ao segmento PcD. Se forem acolhidas pelo Senador Ciro Nogueira, o tema retorna ao plenário da Câmara dos Deputados, para só depois seguir para sanção ou veto presidencial.

A MP tem duração até o dia 28 de junho. Se até lá não houver nenhuma mudança, a proposta ‘caduca’, ou seja, deve ter sua validade suspensa.

Acompanhe as emendas apresentadas pelos Senadores Romário e Mara Gabrilli que estão relacionadas às pessoas com deficiência. Também existem outras emendas, mas relacionadas a outros temas.