quinta-feira, 29 de maio de 2008

Deficiência mental e inclusão social

"Uma criança com necessidades educacionais especiais, antes de ser alguém impedido por uma deficiência, é alguém capaz de aprender."

(Prof. Dr. Hugo Otto Beyer
Universidade Federal doRio Grande do Sul)

Apresentando a deficiência mental

Segundo as estimativas da Organização Mundial de Saúde, válidas para países do Terceiro Mundo, em tempos de paz, as pessoas com deficiência mental correspondem a, aproximadamente, 50% do total das PPD - Pessoas Portadoras de Deficiência.

A definição de deficiência mental que é mais aceita, atualmente, é a da American Association of Mental Retardation, datada de 1992:

Deficiência mental é um funcionamento intelectual significativamente abaixo da média, coexistindo com limitações relativas a duas ou mais das seguintes áreas de habilidades adaptativas: comunicação, autocuidado, habilidades sociais, participação familiar e comunitária, autonomia, saúde e segurança, funcionalidade acadêmica, de lazer e de trabalho. Manifesta-se antes dos 18 anos de idade.

Lendo com atenção esta definição, podemos concluir que deficiência mental é uma condição diferente da doença mental, embora esta confusão seja feita freqüentemente pelas pessoas.

A doença mental caracteriza-se por distúrbios de ordem emocional, psicoses e outros.

Ao longo dos séculos, a pessoa com deficiência mental era, muitas vezes, discriminada e segregada, pois era considerada como "detentora de poderes sobrenaturais", "fruto de tragédia familiar", "sangue ruim", "depositária do mal" e outros rótulos, todos muito negativos.

Até o século XVIII, a própria ciência confundia deficiência mental com doença e, portanto, procurava tratamentos que trouxessem uma "cura" para esta condição.

A partir do século XIX surgiu a abordagem educacional, que leva em conta as possibilidades e potencialidades da pessoa portadora de deficiência mental. Curiosamente, esta abordagem foi uma iniciativa de médicos...

Aos poucos, educadores, psicólogos e pedagogos se envolveram com esta questão e a compreensão sobre este tipo de deficiência vem aumentando.

Infelizmente, vários "mitos" 1 e conceitos errados ainda persistem, como:

· Toda pessoa com deficiência mental é doente;

· Pessoas com deficiência mental morrem cedo, devido a "graves" e "incontornáveis" problemas de saúde;

· Pessoas com deficiência mental precisam usar remédios controlados;

· Pessoas com deficiência mental são agressivas e perigosas, ou dóceis e cordatas;
· Pessoas com deficiência mental são, em geral, incompetentes;

· Existe um "culpado" pela condição de deficiência;

· O meio ambiente pouco pode fazer pelas pessoas com deficiência;

· Pessoas com deficiência mental só estão "bem" com seus "iguais";

· Para o aluno com deficiência mental, a escola é apenas um lugar para exercer alguma ocupação fora de casa.

Como identificar a deficiência mental?

A deficiência mental pode ser identificada precocemente (às vezes, ainda durante a gestação); porém, é bastante comum que a suspeita surja na escola, quando se espera mais da criança e de sua capacidade de aprendizagem.

Nestes casos, é de fundamental importância confirmar este diagnóstico, antes de enviar a criança para a sala especial e de começar a tratá-la de forma pejorativa ou discriminatória.

O diagnóstico de deficiência mental deve ser feito por uma equipe de profissionais especializados (médico e psicólogo) e confirmado por um pedagogo.

Além dos testes específicos, estes profissionais devem levar em conta o momento de vida que a criança atravessa e verificar o ambiente sociocultural em que ela vive.
Se for confirmada a condição de deficiência mental, após todos estes procedimentos, a criança tem direito a receber apoio especializado e sua família deve ser orientada, a fim de favorecer sua aprendizagem e seu desenvolvimento.

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