terça-feira, 16 de junho de 2009

Cidade portuguesa se inspira em outras para criar trajetos guiados para deficientes visuais

O presidente da autarquia, Fernando Ruas, não se coíbe de "importar" de outras cidades o que considera ser bom para a sua.

"Sempre que vou a uma terra estranha ando com o nariz no ar, os olhos bem abertos, para trazer aquilo que seja novo e aplicável aqui com vantagens. É a minha obrigação", considera.

Foi o caso da via pedonal para invisuais que viu em Bruxelas e considerou importante colocar em Viseu, uma cidade que quer tornar cada vez mais inclusiva.

"É um tipo de estrutura que já se vê muito nas capitais europeias e que tem a ver com a colocação de uma via pedonal adaptada, com piso especial e que pelo tacto indica ao portador de deficiência visual qual é o caminho", explicou.

No Rossio, a via orienta os invisuais para a porta do edifício da Câmara a partir de qualquer uma das ruas que desaguam nesta praça central da cidade e também permite andar nela em círculo.

"A ideia foi fazê-la agora no Rossio, aproveitando as obras e também por ser o ponto mais central, mas vamos depois alargando sempre que façamos intervenções em áreas adjacentes", garantiu o autarca.

Isto porque, justificou, o que pretende é "uma cidade inclusiva não só no Rossio, mas em toda a sua extensão".

Poucos dias depois de terem sido inauguradas as obras de requalificação do Rossio, orçadas em 650 mil euros, Fernando Pereira, um professor invisual, foi experimentar a via.

Depois de uma desorientação inicial, aprendeu o "truque" de meter a ponta da bengala num dos rasgos da via e fazê-la deslizar. Quando esta empancava, era sinal de que estava num quadrado, apercebendo-se assim de que poderia tomar várias direcções.

Fernando Pereira considera que esta iniciativa confirma o que os invisuais de Viseu já sabiam: "que podíamos contar com a Câmara, porque tem um presidente com imensa sensibilidade para estas questões".

"Viseu, mesmo sem esta via, já tinha o pavimento tratado, os postes afastados, já havia muito trabalho feito", referiu, frisando que, no entanto, "todos os contributos e todas as facilidades são sempre bem vindas".

Na sua opinião, se Fernando Ruas "fez questão de deixar um acesso mesmo directo à Câmara", é porque "gosta de lá ver as pessoas com deficiência".

"Isto é um sinal de progresso em termos de inclusão. Temos uma cidade ainda mais inclusiva, esperemos que as mentalidades também vão acompanhando esta evolução e que Viseu seja um espaço ainda melhor", acrescentou.

Fernando Ruas, que é também o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), gostaria que esta ideia fosse replicada noutras cidades portuguesas.

"Nós que vemos isto apenas em Bruxelas, em Paris, porque não ter nas nossas cidades?", questionou, convencido de que o facto de Viseu ter tido a preocupação de imitar as capitais europeias será "a pedra de toque para que outras terras venham a seguir o exemplo".

A quem circula no Rossio e não tem deficiência, Ruas deixa o aviso: "Esta via tem dono. Se ela é incómoda é exactamente para avisar quem ocasionalmente a pise que se deve retirar, porque deve deixá-la para quem precisa dela".

Agência Lusa
Portugal, 15/06/2009

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