quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Amor à diferença.

Escolas regulares que aceitam crianças com deficiência colaboram para a integração e desenvolvimento dos pequenos.

Misturado à alegria pelo nascimento de uma criança, surge o sentimento de apreensão nos pais quando o filho nasce com algum tipo de deficiência física ou mental. É neste momento que começa a luta contra o preconceito, intensificada dia a dia entre os familiares e que, muitas vezes, encontra seu ponto alto quando chega a hora de colocar a criança numa escola.

Clara Piantá, um ano e 10 meses, e Bruna Giacomin, oito anos, são protagonistas de histórias felizes. Elas têm deficiência, e seus pais optaram por uma instituição regular, e não as especiais.

Encontrar uma escola que aceite um aluno com deficiência pode ser uma jornada frustrante. Por duas vezes, Marília Piantá, analista judiciária, viu escolas tradicionais da Capital recusarem a matrícula de sua filha Clara, que tem Síndrome de Down, por se julgarem despreparadas para recebê-la.

– Esse argumento é hipocrisia, é uma mentira. Eles recusam simplesmente porque não têm interesse mesmo, acham que essas crianças atrapalham – diz a mãe.

Diante da negativa, Marília passou a buscar escolas menores, e, desde março, a menina estuda em um local onde 20% dos alunos têm algum tipo de deficiência. Decepcionada com a reação das instituições, ela transferiu a filha mais velha, Bruna, cinco anos, que não tem Down, de uma dessas escolas para a mesma de Clara.

– Acho que mesmo que não tivesse uma filha com deficiência, a colocaria para estudar onde ela pudesse conviver com pessoas diferentes – afirma.

Esse convívio é o que educadores e pais encaram como o aspecto mais precioso no desenvolvimento da criança. Numa sala de aula onde há cadeirantes, crianças com Síndrome de Down ou outras deficiências e alunos regulares, o estímulo dado aos alunos especiais passa a ser mais intenso, já que eles tendem a imitar os colegas – característica natural de qualquer criança.

Durante a recreação na escola, Clara interage com mais de dez colegas e está sempre atenta aos movimentos deles. Uma das diretoras, Cheila Schröer, avalia que a aluna evolui significativamente e já revela desprendimento, mais segurança e sociabilidade. Basta observar a relação das outras crianças com Clara para perceber que preconceito é um inexistente e desconhecido naquele ambiente, uma vez que elas, desde bebês, encaram a diferença com normalidade.

– O preconceito está na cabeça do adulto – diz Cheila.

Da mesma forma acontece com Bruna Giacomin, estudante da 2ª série. Ela nasceu com problemas na coluna e precisa de uma cadeira de rodas. Seus colegas a ajudam, buscam almofadas para colocar nas suas costas e dão uma certa atenção, mas a tratam com a naturalidade que tratariam qualquer um. Não hesitam em fazer brincadeiras ou deboches ingênuos, contar histórias. Mais uma prova de que a diferença não existe. Ali, ninguém é paparicado por ser de um jeito ou de outro.



Zero Hora
22/09/2009

Nenhum comentário: