sexta-feira, 4 de setembro de 2009

"De porta em porta" aborda sequelas de paralisia cerebral.

Filme abre discussões sobre a inclusão de uma forma ampla e não assistencialista e trata de capacidades, afeto, empatia e motivação.

O filme de Porta em Porta nos sensibiliza a todo o momento. Seu enredo versa sobre diferenças, indiferenças e acertos. Retrata uma pequena família composta por mãe e seu único filho: Bill Potter. Este vai em busca de emprego e tem sua mãe como motivadora essencial. Bill se auto-motiva mesmo sendo rejeitado devido à sua “condição diferente”, pois na infância teve paralisia cerebral que o deixou com algumas sequelas.

Combina uma forma desengonçada de andar e de falar com grande empenho na conquista de um emprego. Especialmente, quando sai de uma entrevista de emprego encontra sua mãe que está à sua espera - ela vê em seu filho expectativa e esperança quanto às suas potencialidades.

A partir daí Bill retorna ao prédio e encara o seu futuro chefe com mais ênfase, fazendo com que a vaga proposta torne-se sua, tornando-se um vendedor de "Porta em Porta”.

A partir de então assistimos a um festival de superação por parte de Bill, pois geralmente é visto pelos outros como incapaz, medonho pela forma de andar e falar, sendo, muitas vezes, ignorado.

Contudo, não desiste e percebe que há grandes potencialidades em si e que vai exercitar a paciência, a amizade e, claro, o diálogo e a ouvida do outro para fazer-se ouvir também.

Papéis de assistência e acomodação não fazem parte do sucesso de Bill. Ao contrário, percebe-se grande força de vontade em superar-se e no cumprimento das metas estabelecidas profissionalmente.

Na sequência a mãe de Bill passa por uma “doença degenerativa” que a faz perder a memória a cada dia, fazendo com que Bill se torne ativo no processo de resignificar a situação de "quem cuida de quem”.

Pudemos perceber uma extrema ligação entre os personagens, cada um vivendo um momento delicado. Presente também a questão da homossexualidade e do adultério no filme. Ressalta, ainda, alguns recortes históricos de mudança sociais, econômicas e tecnológicas, pois não só Bill supera os preconceitos, mas também se adapta com bastante rejeição aos “novos tempos”, mesmo sendo a hora social ou biológica para se aposentar.

Um filme extraordinário que abre muitas discussões sobre a inclusão de uma forma ampla e não assistencialista, trata de capacidades, afeto, empatia e motivação, de acreditarmos que a “minoria” faz a diferença, é formadora, é mobilizadora de opinião e que tem a capacidade de acreditar na transformação e ter papel ativo nesse constante processo. O filme nos transmite a capacidade de acreditar em si, não importando os limites sociais e estruturais e que todos nós podemos ser agentes de transformação.


Blog Educação Especial
02/09/2009

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