sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Quatro milhões de crianças morrem no mundo antes de completar um ano.

Na véspera do aniversário de 20 anos da Convenção sobre os Direitos das Crianças (CDC), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou nesta quinta-feira (19) o relatório "A Condição da Infância no Mundo", levantamento que faz um balanço das metas sociais alcançadas nas últimas décadas e estabelece os desafios para os próximos anos.
O documento, apesar de comemorar avanços conquistados, alerta para situações como o baixo índice de mães que recebem orientação durante a gestão, fator responsável pela morte de quatro milhões de recém-nascidos com menos de um ano de idade.

As estimativas internacionais mais recentes indicam que aproximadamente uma em cada quatro gestantes não recebe sequer uma visita de um profissional de saúde capacitado para atendimento pré-natal, e que dois em cada cinco partos ocorrem sem a assistência de um médico, uma enfermeira ou uma parteira. Além dos óbitos, outro resultado dessa realidade é que cerca de 14% das crianças nascem pesando menos de 2,5 quilos, condição que gera más condições de saúde.

Nos que sobrevivem à peneira da falta de atendimento, no entanto, os números mostram que o trabalho pela defesa das crianças está dando frutos. O número de mortes de menores de 5 anos caiu de 12,5 milhões, em 1990, para menos de nove milhões, em 2008 - apesar de ainda morrerem, em média, 25 mil crianças menores de 5 anos por dia, principalmente por questões primitivas como falta de água e de saneamento.

As quedas constatadas têm relação direta com as campanhas de vacinação. A pólio, que é causa de incapacitação e morbidade nas crianças, está perto de ser erradicada, embora haja bolsões de resistência. Entre 2000 e 2007, o número de mortes de crianças devidas ao sarampo teve uma queda de 74% em termos globais; na África, essa proporção foi de 89%. Foram registrados ainda outros resultados do desenvolvimento infantil. A subnutrição, medida pela prevalência de baixo peso em meio a menores de 5 anos nos países em desenvolvimento, caiu em todas as regiões em desenvolvimento desde 1990.

Mortes de crianças por diarreia no país caem quase 94% em 25 anos.

O número de mortes de crianças menores de um ano de idade por diarreia no Brasil caiu 93,9% em 25 anos, segundo o estudo “Saúde Brasil 2008”, divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira (19). Os dados são referentes ao período de 1980 a 2005.

A doença deixou de ser a segunda causa de mortalidade infantil no país e passou a ser a quarta. O número de óbitos caiu de 32.704, em 1980, para 1.988, em 2005.

As principais causas de mortes de crianças no país, atualmente, são as afecções perinatais, nome dado aos problemas que acometem as crianças na primeira semana de vida. Foram 29.690 óbitos em 2005). Em seguida, estão as malformações congênitas (7.830) e as infecções respiratórias agudas, como a pneumonia (2.357). Em todos os grupos houve queda em relação a 1980 (ver quadro).

PRINCIPAIS CAUSAS DE MORTE INFANTIL
*Fonte: Saúde Brasil 2008

Grupamento de causas 1980 2005
Doença diarreica aguda 32.704 1.988
Doenças imunizáveis 2.917 80
Desnutrição e anemias nutricionais 8.405 909
Infecção respiratória aguda 18.852 2.357
Afecções perinatais 51.030 29.690
Malformações congênitas 7.191 7.830
Demais causas (não principais) 13.755 5.947
Causas definidas (sub-total) 134.854 48.801
Causas mal-definidas 45.194 2.743
Total (todas as causas) 180.048 51.544


No período, o número absoluto de mortes infantis teve queda de 71,3%, de 180.048 para 51.544. Para o diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde (DASIS) do Ministério da Saúde, Otaliba Libânio, a redução se deve a melhoras no nível de educação materna, ao maior acesso a água tratada, saneamento e serviços de saúde como a Estratégia Saúde da Família.

A taxa de mortalidade infantil (menores de um ano de idade) passou de 47,1 óbitos por mil bebês nascidos vivos, em 1990, para 19,3 mortes, em 2007, o que representou redução média de 59,7%, segundo o Ministério.

A proporção de mulheres que fizeram sete ou mais consultas de pré-natal no Brasil passou de 47,5%, em 1996, para 63,7%, em 2006. Enquanto isso, o índice de partos ocorridos em hospitais passou de 84,5% para 97,9% no mesmo período.

Os dados também mostram expressiva queda no número de mortes por doenças evitáveis por vacina. Hoje, apenas 0,2% dos óbitos infantis são devido a doenças imunizáveis.



Educação
Nas escolas, também houve avanço. O número de crianças sem estudo caiu de 115 milhões, em 2002, para 101 milhões, em 2007; e hoje cerca de 84% das crianças em idade escolar estão na escola primária. Os dados de pesquisa citadas no estudo indicam que cerca de 90% das crianças que ingressam no curso primário permanecem na escola até o último ano desse ciclo.


UOL Notícias, UOL Ciência e Saúde
Em São Paulo.
19/11/2009

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