quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Deficiência física não impede a diversão.

O Turismo Adaptado surgiu da ideia de um homem que ficou paraplégico e resolveu ser pioneiro no negócio.

Apesar de alguns avanços rumo à plena liberdade de acesso para os deficientes físicos aos pontos turísticos, o turismo para todos ainda é uma questão em processo, que enfrenta muitas barreiras burocráticas. O turismo adaptado é um termo relativamente conhecido, porém pouco compreendido de fato em suas necessidades de proporcionar acesso a portadores de todos os tipos de deficiência. O mercado é pouco explorado, mas ainda assim apresenta oportunidades de lazer que se adaptam às habilidades de quem quer sair de casa e curtir a vida.

Em um dos artigos que escreve para o site da EcoViagem, o turismólogo Ricardo Shimosakai diz que "como todos possuem diferenças, deficiente não é a pessoa, mas os locais e serviços que não conseguem se adaptar para atender a todos". Esse é um conceito ainda pouco incutido na mentalidade social e justamente a aceitação da necessidade de adaptar locais e serviços e capacitar profissionais do ramo do turismo são empecilhos para proporcionar o turismo para todos.

Paraplégico desde 2001, após um levar um tiro durante um sequestro, Ricardo sentiu bastante dificuldade no lazer e turismo. "Então resolvi lutar pelo meu direito, pois queria ser feliz. Depois vi que podia fazer algo mais amplo e significativo ajudando pessoas que também encontravam essa dificuldade". Para ter um conhecimento mais profundo, Ricardo formou-se bacharel em Turismo. Com um colega que fazia conclusão de curso nessa temática, criou a Turismo Adaptado. "Nosso objetivo era aplicar a acessibilidade e a inclusão no turismo como um todo. Hoje, a empresa funciona como uma consultoria, realizando diversas ações no turismo para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida", explica.

Hoje Ricardo é membro do Centro de Vida Independente Araci Nallin, Brazilian Adventure Society, Rede Interamericana de Turismo Acessível, SATH (Society for Accessible Travel & Hospitality) e da ENAT (European Network for Accessible Tourism). Também é colunista dos sites da EcoViagem, Diário do Turismo e Revista Reação, além de trabalhar na Freeway Brasil, onde coordena o departamento Freeway Acessível. Ele esteve em Sorocaba para ministrar uma palestra sobre o tema durante o Seminário de Turismo Adaptado, realizado pela Ufscar Sorocaba e Sesc Sorocaba.


Jornal Cruzeiro do Sul
01/12/2009

Nenhum comentário: