quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O autismo não existe! - a busca pela cura como barreira para inclusão.

Autistas não precisam ser curados, precisam ser respeitados. O que precisamos é oferecer dignidade, habilitação e reabilitação para uma vida independente, com o máximo de autonomia possível.

Não existe cura para autismo. Nem nos EUA, nem em lugar nenhum do mundo. Autistas, não precisam ser curados, precisam ser respeitados. O que precisamos é oferecer dignidade, habilitação e reabilitação para uma vida independente, com o máximo de autonomia possível.

Na verdade, o autismo não existe. O que se faz, na tentativa de se negar o autista que é real e que está lá, é caçar um fantasma que supostamente tomou conta de nossas crianças “normais” [sic], o tal do autismo.
Quem existe são autistas que sofrem pela negação por parte de pais e profissionais, que não são aceitos nas escolas e que não tem instituições que os apóie na inclusão, que pagam caro por não cumprir as expectativas de uma sociedade, ou de uma família que esperava um filho "padrão", ou “normal” [ sic].

Neste sentido a busca da cura do autismo é vã, deletéria e, muitas vezes, prejudicial quando colabora para aumentar o preconceito que afasta mais ainda o autista da aceitação por sua família e da sociedade, de seus direitos fundamentais e de sua dignidade inerente.

Precisamos sim de mais profissionais especializados em incluir o autista na comunidade, na escola, na sociedade. Precisamos de mais centros preparados para o diagnóstico, a habilitação e reabilitação do autista - isto não deve significar centros de segregação de autistas, ou residências fora da comunidade, mas centros que apóiem os autistas para uma vida independente. Precisamos de pesquisas para entender melhor o autista, para construir e oferecer técnicas de comunicação alternativa e para ajudá-los a regular melhor seu comportamento.

Nada do que é necessário é justificativa para se coisificar o autista, para se tratar o autista como um ser humano menor, alguém doente que precisa de tratamento pelo simples fato de ser o que é.

Autistas precisam de tratamento pra gripe, pra depressão, pra convulsão, pra bicho-de-pé, prum monte de coisas igual a todo mundo, inclusive compulsões nocivas como se bater demais, jogar demais, beber demais, comprar demais, falar palavrão demais, quebrar coisas demais.
O autismo em si não se trata, já que ele não existe, e o autista não pode ser tratado dele mesmo. Quem vai sobrar depois desse tratamento? A pessoa que deveria existir e que também nunca existiu por conta do fantasma do autismo?

Tratar o autismo significa tornar o autista mais "sociável"? Então, sugiro que se mude esse ponto de vista.

O que deve ser oferecido para o autista é a oportunidade de maior participação, contato social, de construção da sua vida com maior independência possível, com o apoio da família e de seus pares. Isto não significa tratar o autista ou autismo, nem busca de cura. Isto é habilitação e reabilitação.

Durante muitos anos, e até hoje em dia, o discurso que se aplica é que o autismo é uma bomba que destrói famílias. É fácil dizer que o autista não se coloca no lugar do outro, difícil é se colocar no lugar do autista.
Nós, autistas e familiares, precisamos pensar em respeito às diferenças, dignidade e acolhimento. Promover o respeito, a inclusão e fazer mudar o que se pensa e o que se diz sobre o autismo e os autistas.

Alexandre Mapurunga
Inclusão e diversidade
09/12/2009

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