terça-feira, 26 de janeiro de 2010

CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA .

Adoção pode demorar mais.

Perfil de crianças mais procurado para adoção é de meninas brancas e saudáveis, o que acaba fazendo com que muitas passem boa parte da vida em abrigos.



As crianças com algum tipo de deficiência são as que passam mais tempo nos abrigos e têm menos chances de adoção

Ricardo* completou, recentemente, 20 anos de idade. Foram duas décadas vivendo num orfanato. Lá, a possibilidade de mantê-lo vivo, cheiroso e feliz, ouvindo rádio de pilha, é alimentada dia a dia por assistentes sociais, enfermeiras e funcionárias que cuidam dele como se fosse um filho. Leonardo é portador de deficiência, assim como outras 27 crianças que vivem no Abrigo Tia Júlia, Parangaba.

De todas as crianças que estão disponíveis para adoção ali, apenas três são completamente saudáveis. Todas as demais, possuem algum comprometimento de saúde.

Entretanto, o perfil de crianças que é buscado para adoção é muito diferente da realidade existente. A maioria das pessoas procura meninas recém-nascidos, brancas e saudáveis, conta a assistente social do Tia Júlia, Valdelice Brito.

Gabriela* tem 16 anos, algumas funções motoras limitadas e vive no abrigo desde que nasceu. Como ela, são várias crianças que precisam de uma atenção muito especial. Os casos variam entre paralisia facial, paralisia cerebral, hidrocefalia, microcefalia, portadores de tumor cerebral ou problemas auditivos. Todas elas são acompanhadas por equipes multidisciplinares e por hospitais da rede de saúde pública.

Assim, com o passar dos anos, elas permanecem com manutenção vital pelo cuidado de instituições que são custeadas pelo Estado.

Onde há vida, há chances.

A possibilidade que esses meninos e meninas, já bastante crescidos e com deficiência, deixem o abrigo existe, e é chamada de adoção tardia. A criança não é mais um bebê e já aponta uma certa independência do adulto para satisfação de suas necessidades básicas.

Sônia* realizou uma adoção tardia há três anos. Ela está entre o pequeno número de pessoas que se colocaram à disposição para adotar uma criança maior de 1 ano e com algum defeito físico.

Passada a fase de adaptação inicial, Davi*, o filho adotivo, têm demonstrado muita superação, diante das dificuldades pregressas. "Um menino que não tem tempo ruim, falante, sempre manifesta uma alegria", fala a mãe adotiva. Para a família, parece que sempre fez parte, e demonstra que a vontade de ter uma estrutura familiar já existe há tempos. "Quase sempre está alegre e fazemos de tudo para garantir todos os estímulos necessários para que ele desenvolva as suas capacidades. E tem respondido muito bem, sempre manifestando muita inteligência, boa memória, lê bastante, é bem informado. São várias coisas que nos surpreendem".

Acima de tudo, ele capta muito bem a realidade. Parece que nunca passou por situação de trauma. "Sei que não podemos prever o futuro, a fase do namoro, por exemplo. Mas até agora, ele tem demonstrado ser um exemplo de vida", conta a mãe adotiva, Sônia.

Davi, acompanhado por Sônia, já voltou ao abrigo outras vezes para rever alguns amigos que ficaram. Alguns não estão mais lá. Ela diz que o filho tem boas memórias do lugar.Os nomes usados são fictícios a pedido dos entrevistados.



http://infoativodefnet.blogspot.com 25/01/2010

Matéria postada no blog da APNEN 26/01/2010

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