quarta-feira, 2 de junho de 2010

Cadeirantes sofrem com falta de estrutura em Guarulhos

Diversas melhorias já foram realizadas na cidade de Guarulhos (SP), mas, mesmo assim, ainda há muito o que melhorar.



Acessibilidade, você sabe o que é isso?
Como entender a importância de um conceito que não é vivenciado pela maioria das pessoas e por isso acaba passando despercebido?
Para responder a essas perguntas é necessário entrar nesse universo e realizar um exercício contínuo que pede compreensão e empatia.

Você já tentou em algum momento atravessar uma rua ou pegar um ônibus com os olhos vendados, com muletas ou com uma cadeira de rodas?

Sem dúvida, uma missão difícil. Agora tente realizar as mesmas atividades em calçadas sem parâmetros, com buracos e irregularidades, ou embarcar em um ônibus não adequado às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida; ou adequado, porém com um equipamento quebrado ou funcionários despreparados para lidar com a situação.
A presidente do Conselho Municipal para Assuntos da Pessoa com Deficiência (CMAPD), Maria Luiza Romão, 51 anos, – paraplégica devido a Síndrome da Pós-Poliomielite – disse que a cidade dispõe de leis específicas para garantir que ruas e avenidas, escolas, comércios e o transporte público estejam adequados para pessoas com deficiência, mas, segundo ela, essas normas não são praticadas pontualmente.

Ela afirma que, embora a região central da cidade já tenha sido adequada às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, andar pelas ruas e avenidas é algo muito difícil, porque as calçadas, por exemplo, não estão adequadas aos cadeirantes.

“Eu tenho dificuldades em sair, porque existem muitos buracos nas calçadas e entradas de lojas desniveladas que me impossibilitam de realizar minhas atividades normalmente”, afirma a presidente.

Segundo Maria, o papel do CMAPD é garantir que os direitos das pessoas com deficiência sejam cumpridos e afirma que os órgãos como o conselho merecem destaque, de forma que possam beneficiar cada vez mais pessoas.

A auxiliar administrativa Marici Rici Firmino, 33 anos, – tetraplégica desde o nascimento devido a uma amiotrofia espinhal – explica que vive e trabalha na Vila Augusta, em Guarulhos (SP), e que para poder se locomover é obrigada trafegar pelas ruas, devido as más condições das calçadas.

Ela explica que desde cedo foi orientada pelos pais a trabalhar e buscar a independência e, por este motivo, hoje realiza normalmente suas atividades, entre elas, aulas de dança e trabalhos com publicidade.

Marici afirma que em relação a acessibilidade, a cidade é precária porque são poucos os lugares públicos que estão adaptados, mas ressalta que mesmo com essas dificuldades, nada impede que ela siga sua rotina. “A cadeira de rodas é uma extensão do meu corpo, são as minhas pernas, com ela eu ganho mundo”, afirmou Marici.

A vereadora Silvana Mesquita (PV), 47 anos, – paraplégica desde o nascimento devido a uma poliomielite – afirma que o município melhorou muito na questão da acessibilidade. Segundo ela, há alguns anos andar pela cidade com uma cadeira de rodas era algo extremamente tortuoso e desafiador.

Em relação aos avanços, ela explica que além das adequações na região central, a prefeitura já disponibilizou softwares para deficientes auditivos no site da própria instituição, e semáforos com alertas sonoros.

Ela afirma que há muito a ser melhorado, de modo a tornar Guarulhos uma cidade modelo no quesito acessibilidade. Por exemplo, a instalação dos parquímetros que não têm espaço suficiente para manobras de cadeirantes.

Silvana disse que está trabalhando para a inclusão de cardápios em braille – técnica de leitura que utiliza a sensibilidade das pontas dos dedos – nos restaurantes e lanchonetes da cidade. A Secretaria de Transportes e Trânsito (STT) tem desenvolvido projetos que contemplam a adequação à acessibilidade em locais próximos a equipamentos públicos e privados de grande circulação.

A STT afirmou que essas intervenções estão em processo de implementação no município, com maior prevalência nos bairros menos centrais.

Em relação ao transporte público, a STT disse que há fiscalização nos ônibus e caso verifiquem irregularidades o carro é retido para que haja o conserto. A secretaria informa que dispõe de 143 ônibus adaptados, adquiridos em 2009, e que no processo de substituição das lotações entrarão em circulação 301 micro-ônibus adaptados para garantir a acessibilidade para idosos e pessoas com deficiência.

No caso dos ônibus, as empresas terão até um ano, após a vigência do novo sistema, para padronizar todos os veículos nessa condição.

Fonte: http://www.diariodeguarulhos.com.br/
Publicada em 01 de junho de 2010
Matéria postada no blog da APNEN: 02/06/2010

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