terça-feira, 1 de junho de 2010

Grupo visita cidades para verificar acessibilidade

Um grupo de pessoas com algum tipo de deficiência viaja o Brasil mapeando avanços e problemas no chamado turismo acessível. Desde quinta-feira, ele está aqui.


Mariana Toniatti

Manoel Ferreira, 75, é o único homem do grupo. Viaja representando a melhor idade - adora essa expressão! -, mas, em ótima forma, diz que não encontra muitas dificuldades pelo caminho. "Estou muito mais aprendendo com as meninas do que contribuindo".

As meninas são a mineira Sarita Araújo Pereira, 46, professora de música e surda; a carioca Moira Braga, 31, jornalista e cega; e a recifense Karla Caroine, 22, técnica em turismo e cadeirante. Junto com Manoel, as meninas desbravam doze capitais brasileiras - as sedes da Copa do Mundo - para contar num documentário e num livro, as boas e más surpresas de viajar tendo algum tipo de deficiência.

O projeto Novos Rumos é uma realização do Instituto Muito Especial, com sede no Rio e larga experiência em publicações e projetos de inclusão das pessoas com deficiência. A viagem, patrocinada pelo Ministério do Turismo, começou no dia 14 de abril e segue até 15 de junho. Fortaleza é a nona capital visitada.

Por aqui o grupo foi no Dragão do Mar e gostou das instalações. Sarita ficou feliz por encontrar uma intérprete de libras, Moira achou que o equipamento tem bastante material em braile e Karla gostou do piso. "Só dei uma sugestão, baixar um pouco a altura dos balcões", diz Karla. O mesmo problema é comum em hotéis, por exemplo. Uma adaptação fácil e barata que faz toda a diferença.

"É como os banheiros que se dizem adaptados, mas têm espelhos lá em cima. O povo acha que é só rampa e barras. Essas normas, com todos os detalhes, estão disponíveis", diz Karla. A excursão das meninas acaba servindo como consultoria. Por onde passam, elas deixam sugestões. "E as pessoas têm sido muito receptivas", diz Moira.

Uma das boas experiências foi vivida no Teatro Amazonas em Manaus. Um telão com legendas e outro com um intérprete de libras permitiu que Sarita compreendesse o enredo da ópera pela primeira vez. Até aqui, Belo Horizonte e Curitiba foram as cidades com transporte mais acessível e calçadas melhor adaptadas, mas as meninas dizem que as dificuldades ainda são muitas em todo o País. Para saber mais, acesse: www.muitoespecial.com.br .

O POVO Online
31/05/2010
Matéria postada no log da APNEN: 01/06/2010

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