terça-feira, 13 de julho de 2010

Filhos especiais é tema de debate

Educação pública oferece estrutura para inclusão de alunos especiais na rede regular de ensino.
Ana Paula Amaral
A inclusão de alunos com algum tipo de deficiência na educação regular foi tema de discussão ontem entre pais e educadores em Dourados. A reunião foi realizada pelo Núcleo de Educação Especial da prefeitura, que oferece atendimento educacional especializado. Segundo a Secretaria de Educação, a inclusão destes alunos na sala de aula não só melhora o aprendizado, mas também contribui para a formação de respeito à diversidade.

De acordo com a gerente do núcleo de Educação Especial da secretaria municipal de Educação, Elza Corrêa Pedroso, desde o ano passado esta foi a segunda reunião realizada com os pais de alunos especiais. Segundo ela, além do apoio e fortalecimento das famílias, os encontros têm como objetivo fazer uma avaliação do atendimento e levantar o que ainda precisa ser melhorado. "Os pais são nosso termômetro", diz ela.

Segundo Elza, toda criança com deficiência tem direito à inclusão no ensino regular, sendo que cabe à escola, pública ou privada, as adequações para receber este aluno – incluindo acessibilidade do aluno especial e formação dos profissionais envolvidos.

Em Dourados, segundo ela, para os alunos surdos há os professores intérpretes; para alunos com múltiplas deficiências, existem os profissionais de apoio educacional, além da sala de recursos multi-funcionais, destinada ao atendimento especializado. Já para os alunos cegos, todo o material é transcrito em braile ou ampliado, no caso de alunos com baixa visão.

Segundo ela, além do direito de todo aluno à educação, a inclusão tem como principal efeito o respeito à diversidade. "A sociedade precisa ver que a pessoa com deficiência existe e tem direitos. E estes direitos precisam ser respeitados", avalia.


Inclusão

Para os pais, a inclusão dos alunos especiais em sala de aula é fundamental para o desenvolvimento e aprendizado. A comerciante Cristiane Bélio Bertini é mãe de Julia, de 8 anos, que tem deficiência visual. Segundo ela, a filha estuda na rede regular de ensino desde os 5 anos – primeiro no Centro de Educação Infantil Municipal (Ceim) e, depois, na Escola Joaquim Murtinho.

Apesar da garantia de inclusão da filha no ensino regular, o que mais angustia a mãe é pensar nas dificuldades enfrentadas pela filha a cada troca de professora ou de escola. "Deveria haver uma preparação antes da chegada do aluno, porque a cada troca de ano é necessária uma adaptação e, muitas vezes, o profissional não está preparado para este atendimento", diz ela.

Na opinião da mãe, os professores estão muito bem preparados, mas é necessária uma formação constante neste assunto. Segundo ela, apesar da deficiência visual, a filha tem aprendizado normal quando comparado aos outros alunos. "A cada dia minha filha melhora mais", orgulha-se.

A enfermeira aposentada Florentina Gonçalves Dias é avó de uma criança com deficiência mental, que hoje tem 6 anos. Para ela, a integração com outros alunos é positiva porque a tendência do aluno com deficiência mental é imitar o melhor. "Ele sempre busca a perfeição. Se está perto de crianças normais, vai tentar reproduzir esta perfeição", disse.

No entanto, na avaliação dela, os pais ainda precisam contar com mais apoio da Secretaria de Educação, já que muitas vezes é preciso recorrer a promoções para custear o tratamento. "A pessoa com deficiência não tem culpa do problema e precisa ser respeitada", diz ela.

A dona-de-casa Rosana da Silva é mãe de David, 19, que por 16 anos foi tratado como deficiente mental – quando, na verdade, tem problema de surdez. Hoje, ele estuda no primário, na primeira fase do Educação de Jovens e Adultos (Eja), ao lado de outros alunos. "Ele melhorou muito em todos os aspectos", garante.

Segundo ela, a convivência com outros alunos, da mesma idade, é fundamental para o desenvolvimento e aprendizado do filho. "Está dando tudo certo e ele está evoluindo bastante. Além da deficiência auditiva, ele não tem nenhuma outra dificuldade no aprendizado", garante.

Fonte:http://www.saci.org.br/index.php?modulo=akemi¶metro=29365
Jornal O Progresso - Dourados, 12/07/2010 - Matéria publicada no dia 08/07/2010.

Matéria postada no blog da APNEN: 13/07/2010

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