sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A atitude profissional das pessoas com deficiência

Invocar os limites pode reforçar eventuais preconceitos que nos impedem de sermos vistos como profissionais nos quais as empresas podem e devem investir"
João Ribas

Temos convivido com a presença cada vez maior das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Provavelmente esse processo tenha sido potencializado pela Lei 8.213/99, que propõe que empresas com mais de 100 funcionários preencham de 2% a 5% dos seus cargos com esses profissionais

Alguns podem acreditar que cabe apenas às empresas o emprego e o desenvolvimento profissional das pessoas com deficiência. Afinal, elas são as empregadoras. Significa dizer que, na economia formal, são as responsáveis por contratar e assalariar. Sim, as empresas têm um papel importante. Mas nós, que temos alguma deficiência física, visual, auditiva ou intelectual, assim como outros profissionais, devemos mostrar que temos identidade profissional quando queremos ingressar no mercado de trabalho.

Para que sejamos profissionais de fato, é preciso que tenhamos as quatro atribuições atualmente mais desejadas pelas empresas quando recrutam e selecionam: potencial, competência, atitude e postura. Nesse contexto, não somos diferentes dos outros. Todas as pessoas com deficiência que realmente se tornaram profissionais, que atualmente recebem salários de mercado e foram promovidas, são aquelas que chamaram para si o protagonismo do seu próprio desenvolvimento.

De fato, o paraplégico não anda, o cego não enxerga e o surdo não ouve. Mas o grande equívoco é acreditar que estas características geram automaticamente outros obstáculos que acabam por prejudicar o desempenho de tantas outras atividades da vida social, inclusive a atividade profissional. Ofereça possibilidades de acesso e banheiro adaptado para o cadeirante, software leitor de telas para o cego e interpretação da Língua de Sinais quando necessário para o surdo e eles, desde que treinados, estarão aptos a trabalhar.

As pessoas com deficiência que alcançaram postos mais destacados de liderança em grandes empresas são aquelas que demonstraram muito mais os seus alcances do que os seus limites. O mundo corporativo requer, em todos os níveis do trabalho, profissionais competentes, que entreguem com eficácia as tarefas solicitadas, que atinjam metas e, portanto, alcancem resultados. Invocar os limites pode reforçar eventuais preconceitos que nos impedem de sermos vistos como profissionais nos quais as empresas podem e devem investir.

Ultrapassar limites, procurar novas possibilidades, buscar novos desafios, ter o máximo de independência e autonomia possíveis, ter autoestima elevada, ter proatividade, querer que o nosso trabalho alcance resultados. Essas são as atitudes que provam que estamos incluídos no real mundo do trabalho e tornam as empresas confiantes para nos contratar.

João Ribas é antropólogo, coordenador do Programa Serasa Experian de Empregabilidade de Pessoas com Deficiência; paraplégico.

Fonte: Serasa Experian - 19/08/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 20/08/2010.

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