domingo, 29 de agosto de 2010

Não Há Deficientes no Brasil



Acabei de receber a simpática visita da recenseadora do IBGE. Uma universitária bem preparada que, além deste trabalho, passa roupas para pagar os estudos.

Fez todas as perguntas de praxe. Tudo terminado, perguntei: “não vai registrar que nessa casa tem um deficiente?” Ela disse que essa pesquisa é por amostragem, que o sistema (sempre ele – o sistema) é aleatório e ela não tem autonomia para acionar o questionário apropriado.

Ora, já disse em outros artigos: não é muito mais difícil contar a população toda de um a um? Por que não se pode perguntar: tem algum deficiente nessa casa? Só na minha rua somos dois. Na rua detrás são mais dois. Ninguém foi contato. Por que isso? Porque se descobrirmos que somos uns 40 milhões de pessoas e não os 25 milhões divulgados pelo IBGE, descobriremos que temos muita força, poderemos exigir, com mais poder, que se cumpram as leis que nos protegem, que se façam as políticas públicas determinadas pela nossa Constituição. Além do mais, a população poderá questionar o que causa tantas deficiências nas pessoas e acabar descobrindo que são: estradas ruins, violência desenfreada, doenças já erradicadas em outras nações, falta de sistemas de tratamento de água e esgoto etc…

Mas a falsa estatística também é ruim para a indústria. Diante de números exatos (e elevados) ela poderia desenvolver mais produtos para este público. Venderia mais e pagaria mais impostos, aumentando a já elevada sanha arrecadadora do Governo. Ou seja, a não correta contagem de quantos deficientes tem o Brasil é ruim para todos (ou quase todos…).

Fonte:http://www.tonivaz.com/
Matéria postada no blog da APNEN:29/08/2010

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