quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Cavalos ajudam no tratamento de pessoas com deficiência

Pacientes com paralisia cerebral podem ter ganhos significativos com a terapia.
da Redação


Desde 1993, a Polícia Militar do Pará mantém o "Programa Equoterapia", dedicado à reabilitação e inclusão social de pessoas com deficiência. O programa desenvolve um método de desenvolvimento das funções psicomotoras, que tem como principal instrumento terapêutico o cavalo.

Especialistas afirmam que o cavalo é tridimensional e, ao montá-lo, a pessoa recebe todas as influências dos seus movimentos. Como resultado, terá uma gama de estímulos, semelhante a que uma pessoa realiza ao andar, o que leva à reeducação neuromuscular do praticante, estimulando a aprendizagem ou reaprendizagem da marcha.

"A reabilitação é global para uma pessoa que é tratada pelo método da equoterapia. Esse tratamento desenvolve os aspectos motores, sensoriais e cognitivos. Diante disso, estimula-se no paciente todos os seus potenciais, para aproximá-lo dos aspectos normais", explica a terapeuta ocupacional e membro da equipe do programa Equoterapia da PM, Tatiana do Carmo. Desde abril de 1997 o método é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina e Sociedade Brasileira de Reabilitação Física.


Origem

O programa Equoterapia iniciou na PM em 1993 pelo médico veterinário coronel Edson Brito Ladislau, o primeiro oficial do órgão de segurança a fazer o curso de equoterapia na Associação Nacional de Equoterapia.

O atual responsável pelo programa na PM, o médico veterinário tenente-coronel Cláudio Polaro, informa que, cerca de quatro anos depois, o coronel Ladislau decidiu levar o serviço para o Parque de Exposição do Entroncamento, sob a responsabilidade da Associação Paraense de Equoterapia, entidade fundada pelo oficial. "Mesmo com o projeto coordenado por uma entidade civil, a PM não deixou de executá-lo nas dependências do órgão", informa o tenente-coronel Polaro.

A equipe técnica do programa é formada por vários profissionais, como fisioterapeuta, fonoaudiólogo, pedagoga, psicólogo, instrutor de equitação, guias e médico veterinário. Para que a pessoa seja inserida no Equoterapia, é preciso que ela passe por uma equipe médica e seja encaminhada sob o aval de um neurologista.

O tratamento é complementar ao que o paciente recebe nas unidades de saúde e, se não tiver nenhuma contra indicação, a pessoa é aceita no programa. A maior demanda para o tratamento é de pessoas vítimas de paralisia cerebral, mas pacientes com síndrome de Down e Autismo também estão na lista.

Da lista de pacientes faz parte Bruno Lins, de 25 anos. Bruno, horas depois de nascer, foi dado pelos médicos como incapaz de sobreviver por causa de uma icterícia que provocou paralisia cerebral, prejudicando a sua coordenação motora. A descrença dos profissionais de saúde que o atenderam à época foi tanta que foi até redigido um atestado de óbito, sob a alegação de que a criança, caso reagisse, ficaria impossibilitada de ouvir, falar e andar.

Hoje, para a mãe do rapaz, Socorro Alencar, essa história faz parte do passado, apesar dos obstáculos sociais. Bruno conseguiu seguir adiante e graduar-se no curso de recursos humanos e ingressar no curso de educação física, da Escola Superior Madre Celeste (Esmac). Além disso, ele faz parte da equipe de atletismo paraolímpico e do hipismo do programa de Equoterapia.

Fonte: Portal do Governo do Pará - Pará, 01/09/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 02/09/2010

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