quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Solidariedade pela internet

Em blog, tetraplégico consegue arrecadar R$ 104 mil para tratamento médico nos EUA.

Rafael Moraes Moura

Um familiar celebrou 50 anos de casamento e em vez de presentes, pediu doações. Uma amiga fez cupcakes para serem rifados. Um grupo de teatro criou um funk em apoio à causa. Artistas da cidade toparam se apresentar em shows beneficentes. Com o blog, as informações da campanha chegaram a todo mundo e, assim, de familiares, amigos, conhecidos e desconhecidos, de contribuições de R$ 1 a R$ 9 mil, veio a ajuda que garantiu ao tetraplégico Fábio Grando bancar um tratamento de fisioterapia especial em San Diego, nos Estados Unidos. Em dez meses, já foram arrecadados R$ 104 mil dos R$ 110 mil necessários.

Fábio, hoje com 26 anos, ficou tetraplégico em 18 de junho de 2006, dia em que Brasil e Austrália se enfrentaram na Copa do Mundo. Após a vitória da seleção (2 a 0), entrou na piscina - foi quando ocorreu o acidente. "Meu corpo inclinou e eu acabei batendo a cabeça no chão", lembra ele. Fraturou a quinta vértebra da coluna (C5), no pescoço. Não conseguia mais se mexer.

A mãe, Solange, enfartou dias depois. Foram sete paradas cardíacas - três no hospital, quatro enquanto era levada ao Instituto do Coração (InCor). "Foi no dia do jogo do Brasil contra o Japão. Cada jogo era uma tragédia", afirma Fábio. Solange diz que apagou tudo da memória.

Fábio era assessor parlamentar no Congresso, estudava jornalismo, levava uma vida independente dos pais. "Hoje não faço nada sem a ajuda de alguém", diz ele. Após uma cirurgia e tratamento, recuperou o movimento no pescoço. É a mãe quem o ajuda a sair da cadeira de rodas, tomar banho. "É um aprendizado diário, de paciência, de dedicação, tem certas coisas que só mãe faz", conta Solange.

No dia 14 de dezembro, mãe, filho e o caçula, Leonardo, viajam para os Estados Unidos, onde vão acompanhar o tratamento do Project Walk, especializado em recuperação de lesão medular. "Não vou voltar andando, dando cambalhota. Milagre não vai acontecer, mas se eu conseguir mexer um dedinho da mão, já tá valendo a pena", diz Fábio. "Sou muito realista. O que aconteceu, aconteceu".

O nome da campanha - que segue no blog, fabiogrando.blogspot.com- é grito de torcida: "Bora, Fabito".

Fonte: O Estado de S.Paulo - 13/10/2010
Matéria postada no blog da APNEN: 14/10/2010

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