terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Mais qualidade de vida aos portadores de Down

Artigo do Diretor do Instituto Nacional de Cardiologia comenta sobre os diversos avanços que a medicina e a tecnologia obtiveram no tratamento de pessoas com síndrome de Down.
Marco Antônio de Mattos
APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 08/02/2011

Há 51 anos, quando a síndrome de Down teve sua caracterização genética descoberta, a expectativa era a de que os portadores não passassem dos 15 anos. Hoje, graças aos avanços da medicina e da tecnologia, eles podem chegar aos 70, levando uma vida com cada vez menos limitações. Durante anos, a síndrome foi encarada como deformação genética de características únicas. Pensava-se que todos os portadores se desenvolviam da mesma forma. Aos poucos, essa concepção foi mudando, contribuindo para a qualidade de vida das 300 mil pessoas portadoras da síndrome no Brasil.

Apesar disso, ainda existem alguns obstáculos em função das doenças que esses indivíduos são mais propensos a ter. A má formação cardíaca, por exemplo, acontece em metade dos casos e afeta a saúde e o desenvolvimento. Pensando na qualidade de vida de quem tem a síndrome, o Instituto Nacional de Cardiologia, unidade de referência do Ministério da Saúde, criou um programa que dá prioridade cirúrgica ao portador — preferencialmente no primeiro ano de vida. É que grande parte dos pacientes apresenta uma comunicação anormal entre o coração e o pulmão, cuja cirurgia corretiva deve ser feita o quanto antes para evitar a insuficiência cardíaca e a desnutrição em função da cardiopatia.

O programa de prioridade cirúrgica, que já atendeu mais de 100 crianças, é uma tentativa de fazer valer a prioridade a quem dela mais necessita e de mostrar que é mais fácil do que parece adotar ações que fazem a diferença quando o assunto é dar qualidade de vida aos portadores de Down. Trabalhar pela inserção destes indivíduos na sociedade é um compromisso que não deve ser assumido de forma isolada e que deveria constar da agenda de mais serviços de saúde públicos e privados.


Fonte: O Dia -07/02/2011

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