terça-feira, 24 de maio de 2011

Falta de acessibilidade causa transtornos na vida de um cidadão cadeirante

O Conciliador foi ao extremo norte do Brasil para contar a história de um paraplégico que se revoltou com o descaso no transporte público.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 24/05/2011

Dia normal na vida do funcionário público Fernando, paraplégico há 18 anos. Para esperar o ônibus adaptado, ele é obrigado a ficar praticamente no meio da rua. O ponto não tem acessibilidade. Fernando faz sinal, o coletivo da empresa Sião Thur para longe e passageiros desembarcam. Fernando tenta alcançar o veículo, mas quando está quase chegando...

Fernando conta à conciliadora Sonia que, em Macapá, pegar um dos 69 ônibus adaptados para cadeirantes é, com frequência, um transtorno. A equipe de reportagem do Fantástico saiu às ruas com Fernando e constatou que, muitas vezes, o cadeirante não é tratado com o devido respeito.

Em nota, a empresa afirma que os veículos só carregam um cadeirante por vez. "Acreditamos ter sido esse o motivo de o motorista não ter levado o passageiro", diz o texto.

Cansado de reclamar, Fernando decidiu abrir um processo. A ação que ele está movendo, porém, é contra outra empresa, a Cidade de Macapá. Em três ocasiões, veículos dessa companhia não teriam parado no ponto. Pelo constrangimento, Fernando quer indenização de 12 salários mínimos, R$ 6.540.

Procurada com insistência pelo Fantástico, a empresa Cidade de Macapá não se manifestou. Mas, depois que a equipe de reportagem chegou à capital, nenhum ônibus da viação deixou Fernando na rua. No entanto, outras irregularidades foram encontradas. Havia coletivos da empresa sem o adesivo obrigatório na frente, que identifica os ônibus adaptados.

Todo elevador tem uma trava de segurança que impede que a cadeira de rodas deslize para fora do ônibus. Mas em dos veículos da empresa Cidade de Macapá, a trava não foi ativada, um risco para o passageiro. Em um vídeo que Fernando gravou pelo celular, outra situação de perigo para o cadeirante: o ônibus anda com a porta aberta. Segundo ele, é mais um carro da Cidade de Macapá.

Uma novidade. A conciliação entre o cadeirante Fernando e a empresa de ônibus acontece em um barco ancorado no Rio Amazonas. É o projeto "Justiça Itinerante". Na audiência, os advogados da empresa Cidade de Macapá preferem esconder o rosto. Fernando vê descaso na prestação de serviço. A empresa assegura que os elevadores são novos e funcionam perfeitamente. Afirma também que os motoristas não param apenas quando já estão levando outro cadeirante. Fernando contesta.

A conciliadora pergunta se os advogados têm uma proposta, em consideração a Fernando. A empresa de ônibus não fala em dinheiro, mas propõe uma reunião entre Fernando e os motoristas. Ele quer R$ 6,5 mil de indenização. Em sucessivas propostas, a empresa se mostra irredutível. A conciliação termina sem acordo. Um mês depois da gravação, saiu a sentença. Fernando perdeu a causa, porque não apresentou uma testemunha que sustentasse a alegação de que os ônibus da empresa não param no ponto. Cabe recurso.

Fonte: G1 - Macapá - AP, 23/05/2011 - Imagem Internet

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