terça-feira, 9 de agosto de 2011

Mais de 50% dos casos de maus-tratos a pessoas com deficiência intelectual acontecem em casa

Pesquisa da Apae de Piracicaba aponta as agressões são cometidas por avôs, tios e parentes mais distantes.
da Redação

APNEN, colaborando na divulgação desta matéria: 09/08/2011

Mais da metade dos maus-tratos cometidos dentro de casa contra deficientes intelectuais em Piracicaba é feito por familiares – isto é, avôs, tios e parentes mais distantes. O levantamento, feito pela Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de Piracicaba), foi revelado na semana passada, durante seminário que aconteceu na Casa do Médico, e reuniu a rede municipal que atende deficientes intelectuais – CRAS, Creas, Secretarias da Saúde e Educação e ONGs. Entretanto, a pesquisa não informou os números concretos dos casos registrados.

O número é semelhante ao mesmo que o patamar estadual, divulgado no último boletim epidemiológico do Estado. Do outro lado, a pesquisa também revela que dos 31 profissionais que trabalham em uma das unidades da cidade, 27 disseram que é possível, sim, a inclusão dos deficientes na rede regular de ensino.

A articuladora do projeto "Todos Pelos Direitos: Deficiência Intelectual, Cidadania e Combate à Violência", que realizou a pesquisa, Regiane Costa avaliou os dados. “A possibilidade de inclusão desses jovens na rede regular de ensino mostra que está havendo uma mudança. Hoje está acontecendo uma emancipação dos deficientes”, ressaltou.

O encontro com os profissionais da rede municipal ainda teve duas palestras, com o intuito de ampliar o conhecimento dos profissionais da área. Para o mapeamento dos dados, durante os dois últimos anos a entidade realizou pesquisas nas 46 unidades de São Paulo. A visita à Piracicaba aconteceu neste ano.

“Embora a pesquisa tenha sido feita com profissionais que possuem nível superior e que já atuam há mais de três anos na área, temos que ressaltar que o levantamento foi feito apenas com 31 pessoas da cidade. Portanto, em uma cidade de quase 400 mil habitantes, o número não é uma mostra representativa, mas é relevante”, disse Regiane.

Em todo o projeto foram ouvidos cerca de 1.000 profissionais multidisciplinares das áreas de saúde, educação e assistência social, entre conselheiros tutelares e representantes de órgãos como Conselho Municipal da Pessoa Com Deficiência, Vara da Infância e Juventude e Segurança Pública, além de agentes das Apaes locais e demais ONGs.

Mote de pesquisa é evitar violência doméstica

Para a coordenadora do serviço de Defesa e Garantia de Direitos da Pessoa com Deficiência Intelectual da Apae de São Paulo, Marilena Ardore, a relevância do projeto se dá na capacitação dos profissionais locais que atuam com crianças e jovens, para detectar a violência, pois muitas vezes a pessoa com deficiência relata os casos sofridos, mas não é ouvida.

“Sensibilizando esses atores sociais para as especificidades da deficiência intelectual e fortalecendo a rede, conseguiremos fazer com que as práticas de prevenção e de encaminhamentos dos casos de violência contra crianças e adolescentes sejam melhores gerenciadas”, explicou.

A iniciativa tem ainda como objeto central capacitar potenciais multiplicadores da rede de proteção, contemplando ações de sensibilização e de intervenções destinadas às necessidades locais dos municípios envolvidos.

Fonte: A Tribuna - Piracicaba - SP, 08/08/2011

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