terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Quando a mídia assumirá o assunto Deficiência como de interesse público nacional?


Jornalistas brasileiros ainda têm muitas dúvidas sobre como abordar as temáticas associadas à Deficiência em suas matérias – talvez por isso as evitem tanto. Cometem equívocos sérios, mas têm com quem dividir essa responsabilidade: suas fontes. As organizações e os especialistas habitualmente entrevistados pela mídia têm demonstrado estar tão desatualizados quanto ela, principalmente sobre as interfaces da Deficiência com as políticas públicas. Até mesmo discussões instigantes e atuais envolvendo conceitos como educação inclusiva transformam-se em pautas que reproduzem abordagens antigas, sem dialética, descontextualizadas. Idêntica falta de conhecimento é visível no depoimento das próprias pessoas com deficiência (e de seus familiares) – até bastante procuradas pelos repórteres como fonte principal. Infelizmente, a maioria ainda se vê apenas merecedora de direitos específicos como estudar e trabalhar, e não como sujeito de todo e qualquer direito – conforme prevê a Constituição Brasileira.
Esse contexto coloca algumas questões decisivas: como vai se posicionar a imprensa brasileira nos próximos anos? Assumirá o assunto Deficiência como de interesse público nacional? Decidirá contribuir de forma efetiva para a qualidade do processo de inserção das pessoas com deficiência no País?
Na verdade, é que no momento em que a imprensa tomar consciência da necessidade de evitar abordagens superficiais sobre a questão da Deficiência terá dificuldades em cumprir essa meta, porque simplesmente não sabe como fazer isso. Há necessidade de articular esforços, em nível nacional, para a capacitação de jornalistas no sentido de que não discriminem a agenda das pessoas com deficiência em suas reportagens, reconhecendo a urgência desta pauta.
Esse foi o diagnóstico final de um trabalho desenvolvido pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) e Fundação Banco do Brasil (FBB), com o apoio técnico da Escola de Gente – Comunicação em Inclusão.
O objetivo da iniciativa foi realizar uma análise quanti-qualitativa do tratamento dado pela mídia impressa brasileira a questões associadas à diversidade, com foco na Deficiência. E, a partir dos resultados da análise, contribuir para a melhor qualificação dessa cobertura por meio de recomendações dirigidas tanto a jornalistas quanto a fontes de informação.
Veja abaixo, através de uma pesquisa realizada em 2003 pela ANDI – Agência de Notícias dos Direitos da Infância, os vinte jornais que mais publicaram matérias com foco em Deficiência:
  • A Gazeta (ES) 6,1%
  • O Liberal (PA) 5,7%
  • A Tarde (BA) 5,3%
  • Folha de São Paulo (SP) 5,0%
  • Jornal de Brasília (DF) 5,0%
  • Notícia (SC) 4,6%
  • Folha de Londrina (PR) 4,6%
  • O Povo (CE) 4,6%
  • Jornal do Commercio (PE) 4,2%
  • O Estado do Maranhão (MA) 3,4%
  • O Dia (RJ) 3,1%
  • A Gazeta (MT) 2,7%
  • Correio da Bahia (BA) 2,7%
  • Diário de Pernambuco (PE) 2,7%
  • Correio Braziliense (DF) 2,3%
  • Estado de Minas (MG) 2,3%
  • O Estado de S. Paulo (SP) 2,3%
  • A Crítica (AM) 1,8%
Fonte: Mídia e deficiência / Veet Vivarta, coordenação. – Brasília: Andi ; Fundação Banco do Brasil, 2003. 184 p. ; il. color. – (Série Diversidade) - http://www.deficienteciente.com.br

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