domingo, 12 de fevereiro de 2012

Meninas sobre rodas

                                                                                                 Adriana Lage


Atendendo a uma solicitação feita em um post há alguns dias, resolvi fazer um post sobre algumas necessidades e situações que as mulheres cadeirantes enfrentam. Para isto, contei com a preciosa ajuda da Laura Martins, do blog A Cadeira Voadora, e da Adriana Lage, que escreve na Rede Saci. Minhas principais dúvidas eram em relação a dia a dia, utilização de banheiro, menstruação e vaidade. As duas são muito bonitas, estão sempre arrumadas e me tiraram muitas dúvidas. A Adriana é tetraplégica, com lesão no nível C5, e a Laura é paraparética, devido a uma mielite.



                                                                                                Laura Martins



Vamos às dicas: 

Dia a dia:
Tetraplégicas geralmente precisam de ajuda para se transferir da cadeira e vestir roupas. A dica é se vestir deitada, facilita. Para a higiene, utilizar sabonete íntimo, lenços próprios para a região e hidratantes e óleos no corpo, sobretudo no bumbum, o que ajuda a prevenir as escaras. Além disso, é bom usar apenas calcinhas menores, de tecido macio e confortável, não necessariamente algodão, que possuam apenas uma ou duas tirinhas nas laterais (estilo 'periguete'). Elas são facílimas de retirar, mesmo para quem tem pouquíssima força nos braços. Se depilar constantemente facilita a vida, pois quanto menos pelo, melhor. A Adriana optou pela depilação a laser nas pernas - já que ela faz natação e adora usar vestidos - virilha completa, axila, coxas, etc. Fica mais fácil cuidar de um corpo sem pelos e é bem mais bonito esteticamente  falando.

Menstruação:
Para controlá-la com mais precisão e evitar surpresas, uma dica é tomar pílula, que ajuda a diminuir os sintomas da TPM e manter o fluxo menstrual regular. Assim que termina a cartela, a menstruação chega no 5º dia sem a pílula, e a partir daí é só usar absorvente, como qualquer mulher, e trocar a cada ida ao banheiro, evitando usar roupas claras nesse período. Para amenizar os sintomas da TPM, a Adriana recomenda comer muito brócolis no período (essa eu não sabia). Quando pintam cólicas menstruais, ela  aproveita para nadar ou me exercitar. Assim, com movimento, elas passam logo.

Banheiro:

As duas tem algum controle de esfíncter e não fazem cateterismo, mas a Laura não consegue prender por muito tempo, por isso o banheiro para ela é fundamental. Se não houver um adaptado, é preciso usar um absorvente para prevenir escape. Ou, então, não beber, ou ficar pouco tempo no local. Uma situação que ela acha complicada é o famigerado assento sanitário com abertura frontal. Com a dificuldade de equilíbrio e de controle muscular, pode acontecer, por exemplo, de a perna não conseguir ficar bem posicionada e escapar para a abertura. Como conseguir fazer suas necessidades tendo que se equilibrar sobre um assento? E, na opinião dela, um dos grandes dramas das meninas que não fazem cateterismo é ter de se sentar num vaso sanitário emporcalhado pelas outras representantes do sexo feminino que não aprenderam regras de boa educação. Isso é duro! Algumas fazem xixi de pé e respingam tudo com urina. Eca!! Outras sobem no vaso e sujam o assento com seus sapatos!! Inacreditável, mas é verdade.

Beleza:
Vale ressaltar que dá para aliar beleza, sensualidade e praticidade. Por exemplo, dá pra ter unhas grandes e bonitas e colocar lente de contato sozinha ou fazer a higiene sem arrancar pedaço de nada. As unhas afiadas servem como armas! Tanto de sedução quanto de defesa, em caso de gracinhas não desejadas. Nessa semana a Adriana publicou na Rede Saci um texto sobre violência contra a mulher. Nele, abordou temas como estupro de vulnerável, casos de violência contra mulheres deficientes, alguns cuidados que ela toma, etc.

Sexo:
Em caso de relações sexuais, as mulheres cadeirantes não tem os mesmo problemas que os homens. Querendo ou não, a participação delas na história é mais passiva. Dá para ter orgasmos e experimentar várias posições se o parceiro puder ajudar. Sempre lembrando da camisinha aliada a outro método anticoncepcional e de um critério na escolha do parceiro. Dá, inclusive, para fazer muita coisa interessante na cadeira de rodas!

Espero que tenham gostado das dicas, e se puderem contribuir com mais nos comentários, fiquem à vontade. E desculpem não ter publicado nada antes, pois nesse quesito, eu sou leigo. Ou melhor, era!

Um comentário:

ilka disse...

Assino embaixo de tudo que as meninas falaram.Sou paraplégica há 17 anos e tenho uma vida normal. Sou enfermeira e não deixei de atuar na minha área depois do acidente, pelo contrário, fiz coisas nunca antes sequer tentadas. Fui professora da Universidade da minha cidade e escola técnica. Quanto ao amor e o sexo, tudo é possível quando se tem vontade e boa imaginação. Enfim sou feliz :*