sábado, 18 de fevereiro de 2012

O turismo adaptado no Brasil

por Bruna Souza



O setor de turismo representa hoje para o Brasil 2,6% do PIB nacional e movimenta 400 bilhões de dólares por ano. Só o turismo interno representa 80% da movimentação nesse setor. Esses números são o resultado das diversas facilidades criadas pelas agências de turismo, que hoje oferecem diversos pacotes a baixo custo.

Será que viajar é tão fácil assim para qualquer pessoa? Estima-se que em todo o mundo existam 500 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, só no Brasil são 24,5 milhões. Quantos roteiros turísticos adaptados para essas pessoas você conhece?

A cidade de Socorro, a 130 km de São Paulo, é um bom exemplo de roteiro acessível. Ela é reconhecida pelo Ministério do Turismo como a cidade turística mais acessível do Brasil. Lá todos os estacionamentos são adaptados, a cidade conta com pisos táteis, cardápios em braile, entre outras coisas, e, é conhecida pelo turismo acessível de aventura. Lá são praticados esportes como rafting, tirolesa, além de trilhas e passeios adaptados a cavalo e de bicicleta.

Outras cidades também já investem nesse seguimento. Em Fortaleza, por exemplo, é possível encontrar locais como o Theatro José de Alencar, que possui rampas de acesso e visitas guiadas para pessoas com deficiência visual ou auditiva. O Planetário e MAC (Museu de Arte Contemporânea) também realizam visitas guiadas e permitem que pessoas com deficiência visual toquem nas obras.

Em São Paulo, no Teatro da Vivo é possível encontrar peças de teatro com tradução em libras. Na Pinacoteca do estado as exposições possuem catálogos em braile e audioguias para pessoas cegas, além de rampas de acesso para cadeirantes.

Acessibilidade para o deslocamento - A adaptação de vias públicas e estabelecimentos comerciais as necessidades das pessoas com deficiência é uma lei federal em vigor desde 2000, mas que ainda não é cumprida com rigor.

A falta de acessibilidade é maior dificuldade para que as pessoas com deficiência consigam viajar. Um exemplo são as viagens de ônibus. As empresas de transporte rodoviário, exceto pouquíssimos bons exemplos, não possuem ônibus com elevadores para cadeirantes. Nos aviões os acentos devem ser reservados com antecedência, afinal os cadeirantes só conseguem se acomodar nos primeiros bancos. Sem contar a falta de taxis adaptados nas grandes capitais.

Por viver em seu dia a dia esses e outros problemas a fonoaudióloga e cadeirante Andrea Schwarz decidiu viajar com o marido pelas principais capitais do Brasil. Daí surgiu o guia Brasil para Todos, “sempre gostei muito de sair e viajar independente da minha deficiência. Para isso procurei guias brasileiros que trouxessem informações de turismo acessível, mas não havia nenhum”, explica Andrea.

Para ela não existe uma cidade mais acessível que as outras, mas algumas apresentam vantagens. “São Paulo esta mais bem preparada com relação a condição dos estabelecimentos, já Curitiba em infra estrutura publica”, completa a fonoaudióloga.

Durante suas viagens ela passou por situações bem complicadas, “uma vez fui atravessar uma rua e quando cheguei do outro lado não havia guia rebaixada, ou seja, de um lado da calçada havia e de outro não. Fiquei sem ter como subir. Sorte que uma santa alma apareceu e me salvou”. 



Fonte: http://www.ressoar.org.br/dicas_inclusao_turismo_acessivel.asp

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