segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Passageiros idosos devem planejar viagens aéreas com antecedência

Christine Haughney
The New York Times

                                                                                                              Luci Gutierrez/The New York Times
                       Algumas empresas nos EUA disponibilizam serviços de assistência a idosos nos aeroportos


Conforme bem sabe, voar pode uma tarefa penosoa Mas embora alguns de nós possam resmungar devido às poltronas apertadas e às invasivas revistas feitas por seguranças apalpadores, a simples tarefa de orientar-se e locomover- se em um aeroporto pode ser incômda para os passageiros idosos.


“Não há nenhuma legislação nesse sentido para proteger os direitos dos idosos”, diz Jill Rosenberg, gerente do departamento de viagens da AAA em Nova York, que viu a sua sogra e clientes idosos sofrerem no check-in e nas filas de segurança dos aeroportos. Passageiros mais velhos que têm problemas sérios de saúde gozam de alguma proteção. A Lei de Acesso a Aeronaves proporciona certos direitos aos passageiros de avião que têm deficiências físicas ou mentais, independentemente da idade (por exemplo, passageiros que sofrem de enfisema pulmonar podem voar com um concentrador de oxigênio portátil). E reformas das regras federais que entraram em vigor em 2009 fizeram com que os passageiros que precisam de cadeiras de rodas passassem a receber esse equipamento nos aeroportos com antecedência. Mas ainda ficaram de fora os passageiros idosos que, apesar de não serem portadores de deficiências, se locomovem devagar e que se sentem intimidados pelo ambiente dos aeroportos.


Algumas famílias ficaram tão irritadas com essa situação que passaram a gastar milhares de dólares para transportar os seus parentes em jatos particulares. Mas, para quem não dispõe de um orçamento ilimitado, eis aqui algumas sugestões sobre o que fazer durante as várias fases desse processo a fim de tornar a próxima viagem aérea menos penosa para um amigo ou parente idoso.


Reserva: Os especialistas recomendam que seja feito o maior número de pedidos possíveis ao se reservar um voo, incluindo solicitações de embarque antecipado e de poltronas com espaço extra para as pernas. Rosenberg da AAA diz que algumas dessas poltronas são “bulkhead” (aquelas poltronas que ficam imediatamente atrás de divisões da cabine) ou assentos especiais com mais espaço para as pernas, e que os passageiros devem obter de um médico um atestado que possa ser apresentado no balcão de check-in e no portão de embarque.“O passageiro não pode simplesmente alegar na hora do embarque que tem uma deficiência ou que é velho”, diz ela.


Quem necessita de cadeira de rodas deve solicitá-la ao fazer a reserva. Ainda que o Departamento de Transportes possa punir as companhias aéreas por não fornecerem cadeiras de rodas, Rosenberg diz que fazer o pedido significa apenas que “o passageiro terá maior probabilidade de obter o equipamento”. Ela diz que, “embora em 80% dos casos as companhias forneçam as cadeiras de rodas”, já houve situações em que algumas companhias em grandes aeroportos tiveram o seu estoque dessas cadeiras esgotado quando muitos voos chegaram ao mesmo tempo. E isso é mais um motivo para fazer reserva com antecedência. O pedido de uma cadeira de rodas no aeroporto de destino do voo também deve ser feito durante a reserva.


Os passageiros idosos que não precisam de cadeiras de rodas, mas que têm dificuldade na locomoção, podem solicitar carrinhos elétricos. A Delta, por exemplo, oferece esses carrinhos em quatro aeroportos dos Estados Unidos – Kennedy, em Nova York; Hartsfield-Jackson, em Atlanta; Cincinnati/Northern Kentucky International; e Salt Lake City – diz o porta-voz da companhia Morgan Durrant.


Especialistas no setor afirmam que não vale a pena colocar um passageiro idoso na classe executiva ou na primeira classe, onde os comissários de bordo não são mais treinados do que aqueles da classe comercial para lidar com os passageiros mais velhos. Heidi MacFarlane, vice-presidente da Medaire, que oferece treinamento a companhias aéreas para que elas saibam como acomodar pessoas portadoras de deficiência, explica que os passageiros receberão o mesmo tipo de assistência durante o voo, independentemente da classe em que se encontrarem.


Quem tiver perguntas que as companhias aéreas não forem capazes de responder durante o processo de reserva, deve ligar para a linha direta da Administração de Segurança dos Transportes dos Estados Unidos . Greg Soule, porta-voz desse departamento, diz que os passageiros que têm necessidades especiais podem também solicitar um contato no aeroporto no dia da viagem.


Como chegar ao aeroporto: Se você não puder transportar a pessoa de carro, procure um programa de motoristas voluntários ou uma companhia de transporte de indivíduos com problemas de saúde, em vez de pagar um táxi, aconselha James D. Stowe, que faz pesquisas sobre adultos idosos e as suas necessidades de transporte no Hospital da Universidade de Missouri. Ele diz que a Rede de Transporte Independente dos Estados Unidos pode indicar aos passageiros motoristas que estão mais habituados a certos problemas enfrentados pelos idosos, como entrar e sair de um automóvel.


Katherine Freun, a presidente da rede, diz que os passageiros idosos que solicitarem um carro até às 17h do dia anterior serão atendidos por um motorista que irá até à porta da casa deles e os ajudará com a bagagem no aeroporto. O custo médio do serviço é de US$ 11,50 por um trajeto de oito quilômetros. Esse serviço é oferecido na Califórnia, em Maine e em 15 outros Estados norte-americanos.


Check-in: As pessoas que estão impossibilitadas de ajudar um passageiro idoso a fazer o check-in podem se beneficiar de serviços gratuitos – por exemplo, um funcionário da Delta pode ajudar o passageiro idoso a fazer o check-in se a solicitação for feita com uma antecedência de pelo menos 48 horas – ou ainda pagar por um acompanhante.


A American Airlines possui o programa Five Star Service que dá apoio aos passageiros desde calçada do aeroporto até o portão de embarque. Para voos domésticos este serviço custa US$ 125 por pessoa, e de US$ 200 para dois passageiros. Para os voos internacionais, o preço é de US$ 200 para uma ou duas pessoas.


Outras companhias, como a Royal Airport Concierge Services, recebem os passageiros já na calçada do aeroporto para ajudá-los a despachar as bagagens, e depois os acompanham até à área de segurança de embarque. Ela cobra US$ 150 por esse serviço em Nova York e US$ 250 em outros aeroportos dos Estados Unidos. Ron Gorfinkel, um dos fundadores da Royal, diz que os acompanhantes podem chegar ao aeroporto até uma hora antes do horário marcado para receber o passageiro idoso para garantir que haja uma cadeira de rodas disponível para o cliente.


Segurança e embarque: O senador do Estado de Nova York, Michael N. Gianaris, democrata do Queens, que lidou com questões relativas aos direitos dos passageiros, diz que os viajantes devem informar as autoridades de segurança sobre qualquer problema de saúde que tenham. Ele acrescenta que a segurança não pode exigir que os passageiros, independentemente da idade, tenham seus equipamentos médicos, como por exemplo, bolsas de colostomia, submetidos a inspeções, ou que eles sejam obrigados a passar coletes ortopédicos de coluna por máquinas de raio-X. Eles diz que, se incidentes desse tipo ocorrerem, o passageiro deve obter o nome do funcionário e registrar uma queixa junto à administração da segurança aeroportuária.


As companhias aéreas permitem que passageiros idosos sejam escoltados por um acompanhante através da segurança e do portão de embarque, contanto que o acompanhante forneça o nome completo, a data de nascimento e uma carteira de identificação que tenha sido emitida pelo governo, diz David Vance, diretor administrativo de operações aeroportuárias da American Airlines. Ele acrescenta que é útil solicitar isso com pelo menos um dia de antecedência e que a segurança é rigorosa quanto ao número de pessoas.
“Eles limitam esse acompanhamento a um único indivíduo”, explica Vance. “Assim, não é possível que uma família inteira ajude um indivíduo a passar pelo portão de embarque”.


A JetBlue possui dois programas voltados exclusivamente para os processos de segurança e de embarque. O Even More Speed, disponível em 24 cidades, acelera o processo de revista de segurança, e o Even More Space, oferecido em todos os voos, proporciona embarque antecipado e acesso a espaço para armazenagem.


A disponibilidade do serviço varia de acordo com o aeroporto e ele custa de US$ 10 a US$ 65 por cada trecho da viagem. Atualmente, quem paga pelo Even More Space recebe também o Even More Speed, diz Allison Steinberg, porta-voz da JetBlue, acrescentando que, embora ela não saiba quantos clientes idosos utilizam os serviços, os programas são elaborados para ajudar passageiros, “especialmente os idosos”.


Chegada: MacFarlane, da Medaire, diz que geralmente é melhor que os passageiros idosos esperem que os outros passageiros desembarquem para que os comissários de bordo possam ajudá-los com as bagagens de mão e os acompanhem na saída do avião.
É permitido que um parente encontre-se com um passageiro idoso na porta de desembarque. Durrant, o porta-voz da Delta, sugere que os parentes liguem com 48 horas de antecedência para notificar a companhia aérea sobre isso, e que eles estejam no aeroporto pelo menos uma hora antes da chegada do voo.


De forma geral, o segredo para organizar uma jornada menos intimidante para um passageiro idoso é simples: planeje com antecedência. E entenda que as companhias aéreas realmente desejam ajudar, diz MacFarlane. “O importante é não hesitar em pedir ajuda à tripulação”, explica ela.


Fonte:http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2012/02/13/passageiros-idosos-devem-planejar-viagens-aereas-com-antecedencia.htm

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