quarta-feira, 21 de março de 2012

Inclusão: Falta experiência ou vontade?

por Antônia Yamashita


Um dos problemas que ainda contribui para exclusão na inclusão de crianças com deficiências nas escolas regulares é o fato de algumas pessoas enxergarem essas crianças como diferentes. Infelizmente é muito comum ouvirmos familiares, amigos e profissionais dizendo: "Eu não sei lidar com alguém assim", "Eu tenho medo de não cuidar direito", "Eu não tenho experiência" e por aí vai... Fico me perguntando se as pessoas que pensam dessa forma não necessitam viver experiências inusitadas e se na hora em que vão ter filhos elas fazem algum curso para não errar nos cuidados com a criança.
É óbvio que em muitos casos não falta experiência e sim vontade. Essas pessoas poderiam fazer um simples exercício se colocando no lugar dos pais dessa criança, já que os mesmos aprenderam na prática, mas tem também um outro exercício que é colocar em mente que os cuidados com uma criança com deficiência não diferem dos cuidados que uma criança sem deficiências exige.
Como uma pessoa consegue trocar a fralda de um bebê e alimentá-lo e o mesmo não consegue trocar a fralda de uma criança de três anos e alimentá-la ainda que tenha uma deficiência física ou intelectual, o que se passa em sua mente? Qual a diferença, o tamanho?
Não é condenável o fato de alguém não conseguir lidar com as crianças com deficiências sem ter tido orientações e cursos específicos para isso, mas está claro que se aqueles que se veem diante da realidade de ter que trabalhar com essas crianças ou até mesmo conviver por ter alguém no seio familiar, não se esforçarem a vida dessas pessoas fica muito difícil e a inclusão plena dos mesmos na sociedade ainda mais distante.
Infelizmente precisamos de leis para "obrigar" as pessoas a agirem de forma coerente no sentido de termos uma sociedade mais justa e igualitária, no entanto, ainda existem muitos desafios para que isso se concretize. Inclusão de fato nós teríamos se não houvesse a necessidade de leis para que todos pudessem usufruir deste mundo sem ter que lutar tanto para isso.

Antônia Yamashita

Texto baseado na experiência abaixo.
 Meu neto então com 3 anos foi colocado em uma escola infantil junto com crianças menores (berçario) devido sua idade mental ser de uma criança de 1 ano e ele usar fralda. Minha filha foi a escola no terceiro dia no meio do periodo para ver como estava indo pq ela percebeu que ele chegava com muita fome e molhado. Qual não foi sua surpresa ao notar que a professora deixava o meu neto separado das outras crianças na hora da alimentação, com a cadeirinha virada para a parede e sozinho, enquanto os outros comiam ele ficava la, sozinho e virado para a parede. Depois disso, o caso foi levado a diretoria e pedido a ela que esperasse mais um pouco para adaptação ela fez uma bolinha de canetinha na fralda dele e, qdo ele chegou em casa a fralda era a mesma que ela tinha feito a bolinha com canetinha..ou seja, ele não estava sendo alimentado nem sua fralda estava sendo trocada. Minha filha chamou conselho tutelar, ação social, fez uma revolução na escolinha. a professora alegou que deixava o menino longe dos outros pq não sabia se "o que ele tinha" pegava nos outros e tinha medo. Alegou tbem que não sabia alimentar nem trocar crianças "assim". A assistente social pegou o meu neto muito gentilmente, alimentou e trocou ali, na frente dela e disse "é assim que vc faz, igual aos outros, alimenta e troca, simples assim, e ela pediu desculpas a minha filha pq nunca tinha trabalhado com crianças "assim". Bom, resultado, pediram muito para que meu neto ficasse la na escolinha mas minha filha se recusou a deixar nosso menino nas mãos de pessoas tão ignorantes e despreparadas. hJ ele esta no APAE, continua la, e la vai ficar, junto com crianças que são iguais e que sabem respeita-lo e ama-lo do jeito que ele é e junto a professores que sabem como tratar uma criança com necessidades especiais.

Fonte: http://umamaeespecial.blogspot.com.br/2012/03/inclusao-falta-experiencia-ou-vontade.html

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