terça-feira, 3 de abril de 2012

A dificuldade das pessoas com deficiência na busca de tratamento para sua sexualidade

O texto abaixo foi  extraído da Revista Reação, edição nº 84 e foi escrito pelo psicólogo e sexólogo Fabiano Puhlmann di Girolamo.



Viver a sexualidade é uma necessidade de todos, é como comer, dormir… quem tem dificuldades na sexualidade, tem também nos relacionamentos, no lazer, na vida. É preciso não dificultar o que é tão simples, o amor está na lei da vida, todos vivenciamos o amor em diferentes níveis. As barreiras somente existem quando não acreditamos em nosso potencial, amar é um ato corajoso de abertura, é arriscar, desejar alguém é experimentar sentimentos e sensações parcialmente controláveis.

“A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pelo governo brasileiro em 2008, reitera a necessidade de que os Estados tomem medidas para assegurar o acesso de pessoas com deficiência a serviços de saúde, inclusive na área de saúde sexual e reprodutiva e de programas de saúde pública destinados à população em geral. Constitui ação prioritária do Ministério da Saúde o fortalecimento da Política dos Direitos Sexuais e Reprodutivos, que vem sendo implementada através de ações intersetoriais e interministeriais. A Política Nacional de Saúde para Pessoas com Deficiência estabelece em suas diretrizes que ações voltadas para a saúde sexual e reprodutiva são elementos de atenção integral à saúde das pessoas com deficiência”.

Para garantir a saúde sexual e reprodutiva de pessoas com deficiência é preciso incluir a Educação Sexual como matéria obrigatória nos Centros de Saúde e Educação abertos para este público. Um bom programa de educação sexual deve seguir os seguintes princípios:
  • Toda pessoa tem direito a expressão sexual e responsável;
  • O ajustamento sexual é facilitado pela maior comunicação sexual;
  • A inclusão afetivo sexual é um dos aspectos essenciais da saúde plena;
  • A expressão sexual é um processo dinâmico, que sofre alterações de acordo com as necessidades físicas, as experiências e o meio social;
  • A aceitação sexual é secundária à autoaceitação sexual;
  • A sexualidade somente pode ser expressa, reprimida ou suprimida.
Os programas de educação sexual de pessoas com deficiência devem se preocupar prioritariamente com a acessibilidade dos materiais de apoio: vídeos, revistas e sites educativos, eróticos e pornográficos. Quanto ao conteúdo didático, além de abordar temas tradicionais da sexualidade, tais como: anatomia e fisiologia sexual masculina e feminina; Fases do ato sexual; Concepção, Gravidez e parto; Métodos de prevenção de DSTs; Papéis sexuais; Orientação sexual; Masturbação e Erotismo; Desvios Sexuais; Tratamentos de disfunções sexuais; Acessórios e recursos sexuais.

Deve também abordar temas relacionados às especificidades das diferentes deficiências como: Possíveis repercussões da deficiência na função sexual; Categorias de acessibilidade: arquitetônica, do mobiliário, do material, de comunicação e atitudinal no lazer sexual adulto; Apoios à comunicação, à movimentação e ao aprendizado de limites sociais no caso específico da deficiência intelectual.

Dentro da especificidade de cada deficiência existem algumas atitudes essenciais que devemos implementar quando vamos promover a inclusão afetiva da pessoa com deficiência. Nas DEFICIÊNCIAS FÍSICAS devemos estar atentos a acessibilidade arquitetônica e de mobiliário do lazer sexual adulto, à informação sobre tratamentos e medicações para disfunções sexuais para as deficiências físicas que tenham alterações vasculares e neurológicas.

Na DEFICIÊNCIA AUDITIVA, a Educação e terapia sexual deve ser realizada em LIBRAS, seja através da formação do profissional de educação e saúde nesta segunda língua brasileira, seja na contratação de intérpretes de LIBRAS e, neste caso, é também recomendada a formação dos intérpretes em educação sexual. Para implementar a comunicação sobre os inúmeros detalhes da vivência sexual e afetiva é necessária a criação e divulgação de sinais sobre sexualidade em LIBRAS. A pessoa com deficiência auditiva precisa receber informação atualizada sobre sexualidade.

A pessoa com DEFICIÊNCIA VISUAL, deve ser estimulada a desenvolver suas habilidades perceptivas (olfato, paladar, tato, audição, propriocepção) a serviço da vivencia afetivo sexual. Necessitam de informação impressa em Braile ou em formato digital (usuários de sintetizadores de voz – Jaws, Virtual Vision, Dos-Vox) sobre sexualidade. Edição de Áudio livros sobre educação sexual e sobre contos eróticos.

A pessoa com DEFICIÊNCIA INTELECTUAL necessita que os pais, os educadores e os terapeutas sexuais utilizem mediações pedagógicas para educação sexual, indiquem acessórios e recursos sexuais para masturbação daqueles que não conseguem ter relacionamentos. E principalmente o fomento de uma rede de apoios para o relacionamento afetivo sexual.

O objetivo final da inclusão do tema sexualidade nas resoluções da ONU 2006 é o aumento da autoestima da pessoa com deficiência quanto a seu potencial, para a vivência plena da sexualidade. A meta a ser atingida é que a pessoa com deficiência valorize sua própria identidade e diferença e que a sociedade como um todo contribua em ações efetivas para a equiparação de oportunidades na paquera, sedução e manutenção de relacionamentos sexuais e reprodutivos desta população.

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