sábado, 7 de abril de 2012

Sobrevivente do massacre do Realengo quer voltar a andar

"O maior salto que eu dei foi ter sobrevivido a 4 tiros", diz a estudante Thayane Tavares Monteiro, 14. Atleta de salto em distância, ela ficou paraplégica após ser baleada no ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira. No dia anterior ao massacre, ela havia saltado 3,62 metros durante treino.

                                                                                                                                                Roberto Price/Folhapres
                                Thayane levou quatro tiros de Wellington durante o massacre na escola municipal Tasso da Silveira, no Rio

Com a esperança de voltar a andar, Thayane busca com a mãe, Andréia Tavares Machado, 33, novos tratamentos para se recuperar. A menina se desloca em um carro cedido pela prefeitura para consultas médicas, sessões de fisioterapia e outros serviços públicos, mas busca alternativas médicas mais avançadas.
"Os tratamentos dos hospitais públicos do Rio não fazem mais tanto efeito. Minha filha precisa de um tratamento mais avançado. Às vezes, ela consegue mexer de leve a perna esquerda", conta Andreia Tavares, mãe da adolescente.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que Thayane tem uma lesão medular. "A menina está recebendo tratamento adequado e sua evolução dependerá de uma série de fatores, como a resposta à fisioterapia", diz.
Thayane conta que quando o atirador entrou na sala de aula, ela protegeu a cabeça com o braço esquerdo, o que lhe rendeu uma fratura exposta no membro. Chegou a se fingir de morta, mas quando o atirador esbarrou em sua perna, ela abriu os olhos assustada.
"Ainda não morreu? Que pena. Tão bonitinha! Vai morrer agora", disse o atirador, antes de atirar mais três vezes.
As balas comprometeram o estômago e atingiram a medula da menina. Dois projéteis continuam alojados em sua coluna.
Mesmo com as sequelas dos tiros, ela afirma que sente pena, e não raiva, de Wellington.
"Sinto saudades de quando eu andava, momentos vividos na escola", diz.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br

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