sexta-feira, 6 de julho de 2012

“Deixa o sol entrar...”

Artigo de Adriana Lage
                                                                                Imagem Internet
Para quem tem uma lesão medular alta – que afetou uma das vértebras da cervical (pescoço) – nem sempre é fácil conviver com o frio. Eu, particularmente, não sou fã. Meu corpo odeia sentir frio. Fico toda dolorida, com os braços pesados e, às vezes, até mal humorada. O frio piora minha fadiga muscular.

Felizmente, em Belo Horizonte, não costumamos ter aquelas temperaturas indecentes do sul do país. Mas, nesses dias, os termômetros andam variando na casa do 16º aos 25º. Essa temperatura já é capaz de me deixar congelando. Como tenho pouca força nos braços, não adianta usar roupas pesadas. Quando peguei um frio de 6º em Buenos Aires, coloquei tanta roupa para tentar me esquentar que mal conseguia me mexer. Fiquei parecendo um boneco de neve, com direito ao nariz vermelho de frio. O ideal, nesses casos, é usar e abusar das roupas térmicas. Elas são quentinhas e leves. Quando iria viajar para São Paulo, quase comprei um sobretudo vermelho. Ele era maravilhoso.
Pena que extremamente pesado.

Está difícil encarar a piscina nesses dias de inverno. Mesmo sendo aquecida, o frio anda me castigando demais. O vento não dá trégua. Mal começo a nadar e meus dedos já vão embolando. O corpo ganha vida própria e não obedece aos comandos do meu cérebro. Saio da piscina tremendo tanto que costumo levar umas duas horas para voltar à temperatura do meu corpo. Meu técnico já me proibiu de nadar de batom, pois assim consegue controlar uma possível hipotermia. Ele sempre brinca dizendo que meu prazo máximo de duração na água é de 40 minutos. Depois disso, fico batendo queixo e falando embolado que nem bêbado. Na última competição que participei em Brasília, a temperatura estava abaixo dos 20 graus. Atletas cegos, downs, amputados... Todos sobreviveram ao frio sem grandes complicações. Já nós, atletas das classes baixas, saímos da piscina batendo queixo e com espasmos musculares. Todo mundo procurando um solzinho para se esquentar.

Mesmo não sendo tão agradável, procuro manter minha rotina de treinos e fisioterapia nos dias frios. É preciso ter disciplina. Mesmo tremendo de frio, sempre volto da piscina renovada. É gostoso demais. Meu corpo sente falta da natação. Só o contato com a água já é suficiente para desencadear uma série de reações benéficas ao nosso corpo.

Recentemente, entrevistei um jornalista tetraplégico que é uma peça raríssima. Ronaldo Denardo adora dizer que faz fotossíntese. Sempre que sente frio, trata logo de correr para o sol. Eu acho que, nesses dias frios, os tetraplégicos deveriam ter direito a sua meia hora de sol diária. Eu amo o sol. Ele sempre me traz alegria, calor e disposição. Todos os dias, sempre que possível, também pratico fotossíntese pelo menos durante meia hora. O difícil é ter coragem de ir embora do sol. Vale lembrar que não podemos
nos descuidar da hidratação quando ficamos quarando no sol.

Enquanto o calor não volta, o jeito é ir abusando das roupas térmicas, do chocolate quente, do cobertor, dos abraços de urso...

Fonte: Rede Saci - Imagem Internet

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