sábado, 8 de setembro de 2012

RJ: acessibilidade ainda é realidade distante

Idosos e pessoas com deficiência enfrentam obstáculos; calçadas são principal insatisfação, diz pesquisa.
Do Metro Rio noticias@band.com.br

Alcei, 77 anos fica perdido no ponto de ônibus
faltam orientações e trilhas para bengalas/bruna Prado- Metro Rio

Vida de pedestre não é fácil no município do Rio de Janeiro. Ainda mais para os idosos e os deficientes visuais e físicos. Calçadas quebradas, falta de sinalização adequada e muitas barreiras pelo caminho mostram que a acessibilidade está longe de fazer parte do cotidiano dos cariocas.

Em rápida volta pelos bairros da Urca e de Copacabana, o Metro constatou vários casos de falta de acessibilidade. Deficiente visual, Alcei Garcia, 77 anos, cita os principais males: “Há muitos obstáculos, faltam calçadas lisas, orientações, trilhas para bengala e corrimãos”. Ele, que mora em Irajá, zona norte, e frequenta o Instituto Benjamin Constant, na Urca, zona sul, desabafa: “Minha canela e cabeça já levaram muita pancada”.


Calçadas quebradas e desniveladas também são reclamação em Copacabana, bairro onde, segundo o Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP), 23% da população tem mais de 65 anos. Com o joelho operado há quatro meses, Dilma da Silva, 75 anos, encontra de tudo no trajeto até a fisioterapia. Para ela, que usa muleta, é complicado desviar das obras, caçambas e crateras: “Aqui, o que mais tem é quebra-quebra e buraco. Assim fica muito difícil”, reclama.

Segundo a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconserva), a responsabilidade pela manutenção das calçadas é “dos proprietários dos imóveis” e, desde junho de 2011, fez vistorias em 23 bairros. Das 7,5 mil irregularidades constatadas no período, 71% foram resolvidas.

Ainda de acordo com a Seconserva, as concessionárias de serviços públicos também são culpadas. E afirma que, este ano, já foram emitidas a elas 1.363 notificações e 635 multas, equivalentes ao valor total de R$ 364.626,18.

De acordo com a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, o Plano Estratégico da Cidade (2013 - 2016) inclui a revitalização, em 4 anos, de 700 mil m2 de calçadas e 5 mil rampas do projeto “Rio Acessível”.

Segundo a secretaria, estão previstas a revitalização dos pavimentos e meio-fios, a remoção de obstáculos e a implantação de rampas e piso tátil, além de faixas lisas para cadeirantes. 

Calçada quebrada é o pior problema

Rua quebrada é o que mais deixa o carioca desacreditado em um Rio acessível a todos. Pesquisa feita em julho deste ano, pelo movimento Rio Como Vamos (RCV) com a empresa M. Sense, revela que 90% dos 1.741 cariocas entrevistados consideram a conservação importante para a melhoria da qualidade de vida na cidade. E, se pudessem realizar mudanças em suas ruas, 49% tapariam os buracos nas calçadas.

Outro levantamento, realizado no ano passado pelo RCV e pelo Ibope, mostra que 19% dos 1.358 entrevistados se locomovem a pé pelas ruas da cidade.

Se a pé é complicado, com cadeira de rodas em Copacabana o esforço é ainda maior, como para Gitla Rosemberg, 81 anos, que, para se proteger, usa até cinto de segurança. “Outro dia, a roda quebrou num buraco. Quase me machuco”. Ir para lugares distantes requer paciência: “Não vou de ônibus, não teria como. Nem sempre a máquina funciona. E, de táxi, também é difícil, porque nem todos param”.

Próximo à casa de Maria Luísa Leite, 90 anos, na rua Barata Ribeiro, o risco é aparente com pedras portuguesas soltas. Ela diz que fica “exausta” ao caminhar por Copacabana e opina: “Nada vai melhorar”.  



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