quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A lei que inclui

Por Priscila Sampaio / Fotos Divulgação / SEDPCD / Ricardo Alcará



A Lei de Cotas completa 21 anos e tem motivos para comemorar. Um deles é a evolução na vida social que a pessoa com deficiência conquistou. "O trabalho dignifica o homem", diz o ditado popular e essa dignidade não é só em conseguir o emprego, mas ter a oportunidade de voltar a estudar, crescer profissionalmente e garantir os direitos de cidadão.

Leonardo Roberto Lins, de 31 anos, tem paraplegia por consequência de um desvio na medula, que o deixou na cadeira de rodas, aos 16 anos. Ele precisou interromper seus estudos para intensificar a reabilitação e pode terminar o colégio em 2003. Então, foi tentar um negócio próprio, que não deu certo, tentou outros trabalhos informais até que em 2011 conheceu o Programa Febraban de Capacitação Profissional e Inclusão de Pessoas com Deficiência no Setor Bancário em parceria com a Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência (Avape).

Por meio do projeto, ele conseguiu uma vaga de assistente bancário no Santander e iniciou em julho de 2011. "Quando eu entrei já não sentia que as pessoas me viam como mais um da Lei de Cotas, mas como um profissional, então, logo percebi que deveria entrar o quanto antes para a faculdade e poder me aperfeiçoar", afirma Lins, que trabalha na área de marketing e cursa a faculdade de administração.

Assim como Leonardo Roberto, Denis Cairiac de 27 anos trabalha no setor bancário. Ele ingressou o banco Itaú em janeiro de 2010, por intervenção de uma agência de empregos para pessoas com deficiência. Ele atua no SOS Bankline e acredita que poderá formar uma carreira profissional dentro da empresa.

"Quando eu entrei já não sentia que as pessoas me viam como mais um da Lei de Cotas, mas como um profissional", Leonardo Roberto Lins

"O banco é exigente na formação dos funcionários. Eles contratam pessoas com deficiência para preencher a cota, no entanto, quando você está lá, concorre às vagas como qualquer outra pessoa, por isso corri entrei na universidade para adquirir conhecimento e poder subir de cargo", afirma Cairiac que começou a cursar administração. O jovem ficou tetraplégico por ter pulado na piscina e quebrado o pescoço atingindo a 6ª vertebra aos 18 anos.

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Evento no Pátio do Colégio, capital paulista: comemoração e reivindicação

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Leonardo Roberto e sua colega no programa da Febraban: cotas favorecendo a educação
AVANÇOS REAIS
Em março deste ano, o ministro da educação Aloizio Mercadante afirmou que ofertar ensino a esse público é obrigação do Estado e a dívida com essa comunidade é muito antiga e grande.


O número de pessoas com deficiência frequentando escolas regulares e universidades aumentou de 43,9 mil (1998) para 558 mil em 2011, segundo dados no MEC. O Ministro ainda afirmou que esse ano será reservada 150 mil vagas para qualificação profissional, por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec).

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