quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Inclusão escolar: a luta eterna

por: Ivelise Giarolla *

                                                                     Inclusão na escola
Quando soube do diagnóstico que minha filha terá Síndrome de Down entrei em um pânico imensurável. Um dos motivos do desespero foi de pensar, a todo o momento, que ela seria diferente da irmã mais velha e que não seriam companheiras na escola. Mas, esse desespero durou apenas 48 horas, longas, porém que tiveram um ponto final. Ao conversar com uma grande amiga minha do trabalho, cuja filha também estuda no mesmo colégio da minha, ela me acalmou dizendo que na escola delas havia crianças com Down e outras necessidades especiais.

Minha primeira filha, a Marina, estuda em um colégio em São Paulo. A coordenadora educacional da escola, uma pessoa maravilhosa chamada Valéria, me chamou para conversar logo que soube da situação toda. Jamais vou me esquecer da conversa que tivemos na sala dela. Cheguei acanhada e ela me deu um abraço e eu chorei, chorei muito. Ela, com o olhar meigo me disse: “pare de chorar, não sei porque destas lágrimas, tenho uma coisa para te mostrar”. E me mostrou duas fotos: uma de um aluno da escola, que tem Síndrome de Down (melhor amigo de seus filhos, da mesma classe) na formatura deles e outra foto deles no Estádio do Pacaembu curtindo felizes uma partida de futebol. Olhei as fotos e as lágrimas pararam de cair. Claro, minha filha não será diferente das outras crianças: ela irá estudar, brincar, se divertir e ser feliz. Tudo isso graças a pessoas que entendem que necessitamos urgente mudar a mentalidade da sociedade no que se refere à palavra INCLUSÃO.

A inclusão escolar é algo extremamente difícil de acontecer e ainda vai render alguns relatos meus nesta coluna, devida importância da questão. Hoje mesmo estava conversando com uma mãe de uma criança autista e ela me relatou a seguinte situação: o filho dela estuda em um colégio muito bom em São Paulo, porém alguns pais deixam de matricular seus filhos lá porque tem conhecimento que o colégio é inclusivo e não querem os “filhos normais” misturados com “filhos problemáticos”. Assim, a escola para atrair alunos, mantém a mensalidade integral para os filhos “problemas” e dão descontos para os “normais”. Fiquei estarrecida quando ela me falou isso até com certo comodismo, pois para ela a escola é muito boa e atende as necessidades do filho dela. Para mim isso é caso de denúncia, um absurdo, um horror.

Também li, recentemente, o relato de uma mãe angustiada. “Meu nome é J. tenho 36 anos e tenho uma única maravilhosa irmã P. (que tem Síndrome de Down) hoje com 34 anos. Na época em que éramos crianças, não aceitavam em hipótese alguma inclusão. Pois bem,estamos em 2012. Tenho dois filhos, a minha mais velha com 9 anos, linda M., tem Déficit Cognitivo Global e precisa de mediador dentro de sala de aula.

Neste semestre decidi mudar ela de escola. Fui a mais de 20 escolas e fui recusada em todas, pois eles alegam que só pode ter um aluno especial por turma. Que decepção!!!!

A inclusão é uma ilusão.... Estamos na idade da Pedra!!!!”

Infelizmente as escolas não estão preparadas para aceitar um aluno com necessidades especiais, quaisquer que sejam elas: down, autistas, hiperativos, deficientes físicos, etc. Após saber da minha pequena Lorena, tenho trocado muitas experiências em grupos na internet e a queixa da falha na inclusão é eterna. Muitas escolas se dizem inclusivas, porém segregam os alunos especiais em classes separadas. Inclusão? Não! É preconceito!

Não sei se sabem, mas a inclusão escolar é lei e a escola que negar deve ser denunciada.

Como o assunto é muito longo e gera muita discussão, vou deixar a questão da inclusão escolar para ser discutida mais vezes em outras oportunidades aqui na minha coluna. Meu relato de hoje é para agradecer, infinitamente, essa pessoa chamada Valéria, que foi colocada na minha vida. Pessoa que foi essencial para minha paz interior. Quero agradecer todo o trabalho inclusivo da sua escola. Saber que minhas duas filhas irão estudar juntas é uma alegria imensurável e que a pequena Lorena será tratada com o devido respeito que merece me deixa extremamente feliz.

Vejam a foto que estou mandando. É exatamente essa que vi naquele dia. Esses meninos não são lindos?

Uma ótima semana a todos e sejam felizes.

*Ivelise Giarolla, médica Infectologista do Hospital São Cristóvão e do Centro de Referência DST/AIDS-SP. Mãe da pequena Marina, grávida da minha segunda princesa Lorena. Feliz.

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