terça-feira, 11 de dezembro de 2012

MP investiga falta de vaga para transporte de deficiente

Transporte urbano em americana. - Promotoria crê que vans fornecidas por empresas não são suficientes.
Pedro Garcia - Americana

Cadeirante utiliza o sistema Porta a Porta em Americana: faltam vagas 
Arquivo | TodoDia Imagem
O MP (Ministério Público) investiga a falta de veículos para atender as pessoas com deficiência em Americana. Dos 116 cadastrados no sistema Porta a Porta - serviço exclusivo de transporte de deficientes das concessionárias do transporte coletivo -, 48 estão na lista de espera.

O sistema surgiu depois de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado pelo MP e a prefeitura em 2007. O acordo previa que a VCA (Viação Cidade de Americana) e a VPT (Viação Princesa Tecelã) deveriam ter pelo menos uma van cada para realizar o serviço exclusivo para deficientes.

No mesmo documento, o Executivo se comprometia a cobrar das concessionárias pelo menos 20% da frota com acessibilidade, número que deveria aumentar gradativamente ao longo dos anos, até chegar aos 100% até 2014. Esse percentual seria, hoje, de 30%, de acordo com o inquérito do MP.

Segundo o promotor Jorge Umberto Aprele Leme, o crescimento populacional aumentou a demanda do serviço para os cadeirantes. Se antes uma van de cada empresa era suficiente para atender as necessidades especiais, hoje são necessários mais carros.

DENÚNCIA
Diante de uma representação do vereador Celso Zoppi (PT) sobre o assunto, o promotor instaurou, em junho, inquérito para investigar o problema. “O vereador nos procurou dizendo que recebeu uma série de reclamações de munícipes”, disse Leme.

Zoppi afirmou que o Porta a Porta foi criado atender as necessidades dos deficientes principalmente nas áreas de saúde, educação e emprego. “O ideal é que as pessoas com deficiência estejam integradas no sistema de transporte coletivo. Porém, existem várias pessoas que têm dificuldade até para se deslocar ao ponto de ônibus”, explicou.

RESPONSABILIDADE
Leme afirmou que cabe à prefeitura fiscalizar as empresas e cobrar mais acessibilidade. O secretário de Trânsito e Sistema Viário, Jesuel de Freitas, ressaltou que o contrato com as concessionárias prevê duas vans e o Executivo está cumprindo-o. “Infelizmente é pouco, mas qualquer mudança trará custos e alguém terá que arcar com esse novo ônus”.

De acordo com Freitas, a forma encontrada pela prefeitura, dentro do contrato firmado, para atender as necessidades dos deficientes foi cobrar mais acessibilidade na frota das empresas. “Sempre que as empresas trocam de ônibus, os novos veículos precisam atender essa demanda”, explicou. Os representantes da VCA e da VPT foram procurados nas empresas, porém não foram localizados.


Cadeirante tem problemas
| PG

O cadeirante Lourival Ferreira Parga foi uma das pessoas que encontrou problema com o transporte coletivo. Parga chegou a ficar quase duas horas esperando uma condução, no Centro, e os dois ônibus que passaram estavam com a rampa de acesso para deficientes quebrada. “Eu não consigo uma vaga no Porta a Porta e, quando tento pegar ônibus, as rampas estão quebradas. Falta uma política de acessibilidade”. Parga disse que as empresas do transporte coletivo estão “deitando e rolando em Americana”.

Diante da situação, duas pessoas que se solidarizaram e ligaram para a Gama (Guarda Armada Municipal de Americana), que foi ao local para fazer a locomoção de Parga, que tentava chegar à Câmara. “Eu tinha pedido para as pessoas me colocarem dentro do ônibus, mas os fiscais não deixaram”, reclamou.

O fiscal que estava no local informou que não realizou o procedimento por medidas de segurança.

“A gente não sabe a gravidade da situação do deficiente. Se a gente o pega, a gente pode prejudicar ainda mais a pessoa”, disse. 




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