quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O dia em que a Terra parou...

Ivelise conta como foi a descoberta de que sua filha tem Síndrome de Down.

Ivelise Giarolla
Exatamente dia 25 de Setembro de 2012 minha vida parou por alguns minutos e em seguida mudou drasticamente. Impressionante como as coisas modificam em um piscar de olhos. Olhei para meu marido e ele estava com a face pálida, estarrecida, completamente modificada. “Senta aqui”, disse ele. “O que aconteceu?” perguntei, achando que algo houvesse acontecido em seu trabalho. “Falei com o médico e o exame amniocentese deu positivo para Síndrome de Down”. Não podia ser verdade, eu, mãe de uma menina com Down? Por que eu? Por que eu? Grávidas choram normalmente, eu chorei muito mais, acreditem.

No momento estou grávida de 28 semanas. Sou mãe de uma menina de dois anos, a Marina, e fiquei grávida da Lorena sem qualquer planejamento ou anseio. A preocupação de que algo acontecesse de errado já me veio em mente desde o dia que peguei o teste positivo. Fiquei grávida com 37 anos, já com idade avançada segundo os obstetras. E aquele sexto sentido materno estava muito forte. Tinha certeza que algo aconteceria desta vez. Fiz a amniocentese temerosa, embora minhas chances de ter um bebê com síndrome eram de apenas 0,5%. Mas que para mim significou 100%.

Desde então convivo com dúvidas e poucas certezas. Desde então aguardo ansiosa a hora do parto para ter o concreto, o absoluto, o todo na minha vida. Pegar minha filha nos braços e poder dizer o quanto vou cuidar dela sem me poupar de nada. Mas, enquanto esse dia não chega, segundos torturantes transcorrem. Durmo e acordo pensando como serão nossas vidas, nossa convivência, nosso futuro. Procuro respostas, todavia não sei ainda as perguntas. Uma ansiedade sem limites, uma vontade extrema de fazer a Terra girar mais rápido. Vontade de transpor barreiras e ser mais veloz que a luz... Meu Deus, Lorena, venha rápido...

Meu nome é Ivelise. Sou mãe, esposa, amiga, família, médica, corredora e mulher guerreira. Até hoje não conheci nada que me derrotasse e partir de hoje vou relatar essa minha experiência: uma gestação tão cheia de emoções, porém que me fortalecem a cada dia. Ser feliz é minha meta.

Ivelise Giarolla - Médica Infectologista do Hospital São Cristóvão e do Centro de Referência DST/AIDS-SP. Mãe da pequena Marina, grávida da minha segunda princesa Lorena. Feliz.

Um comentário:

Anônimo disse...

Estou vivendo o medo, estou na fase do medo, de ter um filho com Down.
Sou médica também, um pouco mais jovem, mas com uma TN limítrofe.
A angústia é enorme.
Mas o seu depoimento foi muito importante pra mim nesse momento.