quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Um filho muito especial

por: Priscila Dutra* 

Priscila e o filho Lorenzo
Meu nome é Priscila, tenho 37 anos, sou publicitária e mãe do Lorenzo, um garotinho de 6 anos com paralisia cerebral. Tive uma gravidez tranquila e muito esperada e, com 39 semanas de gestação, o Lorenzo nasceu. Não sabemos por que, mas ele teve falta de oxigenação momentos antes do nascimento e, ao nascer, foi levado diretamente para a UTI, onde permaneceu por longos 45 dias, sendo os 12 primeiros em coma.

Foi um período extremamente difícil e desgastante. Tive de aprender a lidar com diversas emoções e, principalmente, a controlar minha ansiedade. Finalmente, pudemos levá-lo para casa. Foi o momento mais emocionante da minha vida. Não sabíamos quais sequelas ele teria, quais dificuldades iria enfrentar e, sobretudo, como eu poderia ajudá-lo.


Meu primeiro instinto foi buscar informações: passei horas na internet, conversei com médicos e outras mães especiais, pedi indicações de terapeutas e métodos e fui atrás de tudo que pudesse ajudar meu filho. Infelizmente não existe um profissional que possa passar todas as informações de que precisamos ou que possa dizer, com exatidão, como será a vida de uma criança com paralisia cerebral, pois ninguém conhece o cérebro em sua totalidade e cada caso é um caso. Não dá para generalizar.

Meu sentimento mais forte e que dura até hoje é me cobrar diariamente para saber se estou fazendo tudo o que posso pelo meu filho, se não está faltando nada ou se existe algo que ainda não tentamos. E é esse sentimento que me guia no tratamento dele. Resolvi testar todos os métodos de reabilitação, terapias alternativas e tudo que pudesse contribuir para sua melhora. E é exatamente sobre isso que vamos falar nessa coluna: nossas tentativas, nossos erros, mas, antes de tudo, nossos acertos, que têm contribuído para que meu filho esteja respondendo aos tratamentos além do que era esperado para ele.

Ouço muito de médicos e terapeutas que o Lorenzo virou uma referência na reabilitação. Quero compartilhar nossa experiência para poder ajudar outras mães e outras crianças. Além disso, quero poder dizer a uma mãe que acabou de ter uma criança especial que existe, sim, um caminho, que existe uma esperança e que muito pode ser feito por essa criança.

*Priscila Dutra, publicitária, é mãe de Lorenzo, 6 anos, e quer compartilhar a experiência com a reabilitação de seu filho com outras mães de crianças especiais.

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