sábado, 9 de março de 2013

Mulher supera deficiência visual e cria gêmeos com cegueira no ES

Com cegueira, Adrielle cuida, sozinha, das crianças e de filho com surdez. No Dia Internacional da Mulher, o G1 foi conhecer as vitórias da capixaba.

Por Juliana Borges Do G1 ES

                                               

Todos os dias, Adrielle precisa subir um morro e uma escadaria para chegar em casa, em Vitória (Foto: Juliana Borges/ G1 ES)
                           Adrielle usa uma lente de aumento para conseguir enxergar a apostila      
 Estudos 
Na adolescência, a capixaba não conseguiu concluir os estudos por conta das dificuldades da época. Já mais velha, ela conseguiu retornar para o ensino médio em uma escola do bairro que oferece supletivo, que inclusive aplica provas com as letras aumentadas, para pessoas como Adrielle. Em casa, ela consegue tempo para estudar apenas à noite, lendo as apostilas com uma lente de aumento.
O dia dela só termina por volta de 0h, quando termina todas as atividades. "Quero terminar os estudos e começar a trabalhar. Meu sonho é ser jornalista. Assim que conseguir um emprego, vou juntar dinheiro para comprar uma casa na parte de baixo do meu bairro, pois não aguento mais subir morros", falou.
Além disso, ela também precisou aprender o básico da comunicação em libras, para poder se comunicar com o filho mais velho. Agora, o próximo plano de Adrielle é começar aulas de braille no mês de abril, oferecidas gratuitamente no Instituto Luiz Braille. Apesar de conseguir ler as letras expandidas, esse outro tipo de leitura é sinônimo de menos esforço visual para a dona de casa.
Tarefas de casa 
Apesar das dificuldades para conseguir um emprego, que incluem cuidar dos filhos e a própria deficiência, Adrielle não pode fugir das atividades em casa. Ela mora com o irmão, mas alega que ele não a ajuda. "Meu irmão não trabalha, tudo sou eu que faço, eu sustento a casa. Todo mês recebo um salário mínimo por causa do Matheus e R$ 200 do pai dos meus gêmeos, isso é tudo. A limpeza da casa também é por minha conta", contou.

A residência que mora foi deixada de herança pelo pai, que faleceu em 2011, para os três filhos, mas a irmã de Adrielle não vive no local. A capixaba contou que o pai era seu braço direito e maior incentivador. "Nunca tive exemplo de mãe, ela nos abandonou quando eu era criança, portanto meu pai era tudo para mim. Sempre tivemos tudo com muita dificuldade, como é hoje. Estou sempre precisando de doações de roupas e fraldas", disse.
Os cuidados com as crianças, desde o banho até a preparação das refeições, são de responsabilidade da mãe. "As pessoas sempre me param para falar que sou irresponsável, que fico andando para cima e para baixo com meus filhos sem conseguir ver direito o que está na minha frente. Mas o que eu posso fazer? Ficar parada em casa enquanto a vida passa? Não posso, não tem outro jeito. Têm horas que penso em chutar tudo para o alto, mas então olho para os meu filhos e penso 'eles precisam de mim'", explicou.
                                         Adrielle cuida dos filhos sozinha,em Vitoria    



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